CPI: Inflação dos EUA fica abaixo do esperado e sobe 0,1% em novembro; bolsas têm alta

O resultado tende a influenciar a política monetária do Federal Reserve (Fed), que se reúne nesta terça e quarta para definir a nova taxa de juros do país

Economistas do mercado financeiro consultados pela Bloomberg News esperavam uma alta de 0,3% no mês e um avanço de 7,3% em 12 meses
13 de Dezembro, 2022 | 10:33 AM

Bloomberg Línea — O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,1% no mês de novembro, de acordo com dados do órgão de estatísticas oficiais dos Estados Unidos divulgados nesta terça-feira (13).

O resultado é menor do que a alta registrada em outubro, quando o CPI avançou 0,4%. Em 12 meses, o principal índice de inflação dos Estados Unidos ficou em 7,1%, menor do que os 7,7% do mês anterior, e o menor resultado desde dezembro de 2021.

Economistas do mercado financeiro consultados pela Bloomberg News esperavam uma alta de 0,3% no mês e um avanço de 7,3% em 12 meses.

Os mercados reagiram com otimismo aos resultados de inflação abaixo do esperado. Por volta das 12h, no horário de Brasília, o Ibovespa (IBOV) operava em alta de 0,79%, aos 106.173 pontos. O dólar (USDBRL), no mesmo horário, caía 0,45%, a R$ 5,27. Nos EUA, os índices também subiram após as boas notícias do CPI, com Nasdaq (CCMPDL) em alta de 3,7%. O Dow Jones subia 1,22% e o S&P 500, 2,75%.

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O núcleo do CPI, que desconsidera os itens com maior volatilidade de preço como alimentos e energia, avançou 0,2% em novembro e 6% em 12 meses, abaixo das expectativas do mercado (0,3% e 6,1%, respectivamente) e menor do que o registrado em outubro (0,3% e 6,3%). O núcleo é um dos principais indicadores acompanhados pelo Federal Reserve (Fed) para definir suas políticas de juros.

Os dados devem influenciar a decisão do Fomc (grupo equivalente ao Comitê de Política Monetária, o Copom) que se reúne nesta terça e quarta-feira para definir a nova taxa básica de juros do país. A maior parte dos economistas prevê um aumento de 0,5 ponto porcentual. Atualmente, as taxas de juros Fed estão no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.

O resultado da inflação de novembro é o último dado do CPI divulgado antes do fim do ano e também deve influenciar nas estimativas do banco central americano para elaborar a política monetária no ano que vem.

A inflação de novembro foi influenciada principalmente pelo aumento dos preços de habitação, que subiram 0,6% no mês. A categoria, que inclui aluguéis, foi a que mais contribuiu para a alta no mês, de acordo com o órgão oficial de estatísticas. Os preços de habitação também foram o fator dominante para o aumento do núcleo do CPI.

Os preços dos alimentos, por sua vez, subiram 0,5% em novembro depois de uma alta de 0,6% em outubro. Houve altas principalmente nos grupos de frutas e vegetais (1,4%), cereais e produtos de padaria (1,1%), laticínios e produtos relacionados (1%) e bebidas não-alcoólicas (0,7%). Por outro lado, os preços de carnes, frango, peixe e ovos caíram 0,2%. Os preços de alimentação fora do domicílio também desaceleraram em novembro, subindo 0,5% depois de uma alta de 0,9% por três meses consecutivos.

Já os preços de energia tiveram uma queda de 1,6% em novembro, depois de subir 1,8% em outubro. De acordo com o órgão oficial, houve queda dos preços de gasolina (-2%), gás natural (-3,5%) e eletricidade (-0,2%).

Maior inflação em 40 anos

Assim como outros países, os Estados Unidos enfrentaram um forte aumento da inflação em 2021 e 2022. O CPI subiu ao longo do ano e atingiu um pico de 9,1% em 12 meses em junho e depois começou a retroceder. A inflação americana atingiu níveis que não eram vistos em cerca de 40 anos, desde os anos 1980.

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A alta dos preços levou o Fed a subir as taxas básicas de juros e a reverter as compras de títulos públicos e privados, em seus programas de estímulo monetário, conhecido como flexibilização quantitativa (quantitative easing).

As medidas têm ajudado a reduzir a alta de preços, mas tendem a elevar o custo do crédito no país, reduzindo a atividade econômica. Economistas do mercado financeiro avaliam que os Estados Unidos podem enfrentar uma recessão no ano que vem, como efeito do aperto monetário do Fed.

A expectativa é de que o banco central americano continue a subir os juros no início do ano que vem e mantenha as taxas elevadas até que a inflação mostre mais sinais consistentes de queda e volte ao patamar da meta do Fed, que é de 2% ao ano.

-- Atualizada às 11h20 para incluir detalhes dos itens que subiram ou caíram de preço.

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Filipe Serrano

É editor da Bloomberg Línea Brasil e jornalista especializado na cobertura de macroeconomia, negócios, internacional e tecnologia. Foi editor de economia no jornal O Estado de S. Paulo, e editor na Exame e na revista INFO, da Editora Abril. Tem pós-graduação em Relações Internacionais pela FGV-SP, e graduação em Jornalismo pela PUC-SP.