Brasília em Off: Aliados pressionam Lula para tomar frente nas negociações

Já outra parte do grupo de integrantes defende que presidente eleito continue fora, para evitar uma primeira derrota antes da posse

Outros dizem que Lula deveria fazer um acordo para deixar o texto a cargo dos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco
Por Martha Beck
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Bloomberg — A decisão do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva de delegar a seu time político as negociações da PEC que abre caminho para o pagamento do Bolsa Família de R$ 600 em 2023 começou a gerar reclamação entre aliados e integrantes da equipe de Transição. Ao não entrar diretamente no tema, Lula acabou criando um bate-cabeça que atrasou a amarração do texto.

Uma parte dos aliados defende que Lula continue de fora das negociações diretas, pois se o texto ficar ruim para o governo, o presidente teria sua primeira derrota antes mesmo de tomar posse. Outros dizem que Lula deveria fazer um acordo para deixar o texto a cargo dos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco. Os dois poderiam resolver o assunto desde que entreguem o Bolsa fora do teto.

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1, 2 ou 4?

O maior dilema é em torno do prazo pelo qual o programa social ficaria fora do teto de gastos. Se depender dos economistas da transição, ele será de dois anos. Se for do centrão, apenas um. Já da bancada do PT, o prazo seria indefinido. E há ainda a turma do meio termo que aposta num prazo de 4 anos.

O relator do orçamento, Marcelo Castro, tem levado aos senadores que o prazo mínimo para que o Bolsa Família fique fora do teto é de 2 anos. Um ano, como parte do centrão defende, seria muito apertado - em abril de 2023, o novo governo já terá que planejar as diretrizes orçamentárias do ano seguinte.

Não atende

Enquanto Lula não define sua equipe de governo, a especulação só aumenta em torno de quem será seu ministro da Fazenda. No time da transição, as apostas se dividem, sendo que o nome mais comentado ainda é o do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

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Apesar da resistência do mercado financeiro a um ministro da Fazenda do PT, integrantes da transição brincam que Lula não poderia colocar um nome ligado ao vice-presidente eleito Geraldo Alckmin, como o ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida.

As más línguas dizem que Arida, como ministro, ouviria mais os banqueiros e organismos internacionais do que os grupos ligados ao presidente.

Que fique claro

O PSB, partido do vice-presidente eleito, já deixou claro para Alckmin que espera assumir o comando de um ministério com capilaridade e que seja uma vitrine, como Cidades ou Desenvolvimento Regional. A sigla considera que o senador-eleito e ex-governador do Maranhão Flavio Dino, também do PSB, não entra nessa contabilização. Se Dino virar ministro da Justiça, como se especula, essa escolha entrará na cota pessoal de Lula e não do partido.

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Não sabe ler

O senador eleito e ex-governador do Piauí, Wellington Dias, foi escolhido por Lula para fazer as primeiras articulações com o congresso sobre a PEC, mas a avaliação entre integrantes da equipe de transição é que ele não estava na melhor forma.

Alguns dizem que Dias não sabe ler Lula - falar em nome do presidente eleito é um talento que nem todos no PT possuem. No caso do ex-governador, esse descompasso teria começado ainda na campanha, quando algumas de suas declarações teriam incomodado por irem além do que queria Lula. Esse estilo falador teria enterrado as chances de Dias de se tornar o ministro político que Lula buscava para comandar a Economia.

A volta

Na primeira vez em que recebeu o grupo da transição que trata de Minas e Energia, o ministro Adolfo Sachsida foi se mostrar solícito: explicou o organograma da pasta e o funcionamento das organizações abaixo do ministério. Mas não falou muito. Foi interrompido por um dos integrantes da transição, que disse que dispensava apresentações --ele próprio havia ajudado a desenhar o modelo que Sachsida exibia.

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