Bloomberg — O Nubank (NU), que conta com a Berkshire Hathaway de Warren Buffett como investidora, avançava cerca de 15% antes da abertura do mercado em Nova York nesta terça-feira (15), após a companhia registrar um aumento no lucro e na receita do terceiro trimestre.
As ações da empresa, que acumulavam queda de 54% no ano até segunda-feira (14), subiram para US$ 5, de US$ 4,35 na segunda, por volta das 10h40 (horário de Brasília). Ontem, os papéis fecharam em queda de 2,03%.
Na avaliação de analistas do Morgan Stanley (MS), os comentários da administração durante a teleconferência de resultados foram positivos, principalmente em relação às originações de empréstimos pessoais.
Segundo o time de analistas liderado por Jorge Kuri, o Nubank está bem posicionado para construir “uma das maiores e mais valiosas franquias bancárias” da América Latina devido a fatores como tecnologia superior e a melhor satisfação do cliente.
O lucro líquido ajustado mais que triplicou em relação ao trimestre anterior, para US$ 63,1 milhões, superando a estimativa média de US$ 32,6 milhões em uma pesquisa da Bloomberg News com seis analistas. A receita do Nubank subiu para um recorde de US$ 1,3 bilhão, acima do esperado de US$ 1,1 bilhão, com o número de clientes subindo para 70,4 milhões.
“Os empréstimos têm aumentado devido ao estágio atual do ciclo econômico, mas conseguimos precificar esse aumento muito bem”, disse o CEO David Velez em entrevista na segunda-feira (14). Ganhos de eficiência e medidas recentes destinadas a conter os custos de financiamento também reforçaram os resultados, completou.
O percentual de empréstimos vencidos há mais de 90 dias subiu para 4,7% ante 4,1% três meses antes, melhor do que a estimativa de 5% do Goldman Sachs (GS). Na semana passada, o Bradesco (BBDC4) elevou seu guidance de provisões para empréstimos ruins, alimentando preocupações de que a qualidade do crédito na América Latina está se deteriorando.

“O ritmo de originação de empréstimos pessoais foi mais lento do que esperávamos, pois estamos monitorando cuidadosamente o cenário macro, então a originação foi quase estagnada [em comparação com o segundo trimestre]”, disse Velez.
As fintechs estão expandindo e aumentando o número de funcionários em toda a região. O Nubank terminará este ano com pelo menos 1.000 funcionários a mais, disse a cofundadora Cristina Junqueira, em entrevista.
A ideia é criar “equipes de plataforma global” para replicar o sucesso que a empresa, sediada em São Paulo, teve no Brasil, no México e na Colômbia, onde a fintech oferece apenas cartões de crédito, disse ela. As contratações são majoritariamente em áreas como prevenção de fraudes, cobrança e segurança da informação.
No Brasil, onde o Nubank oferece serviços como cartões de crédito, débito e investimentos, o foco principal é expandir para áreas como crédito e crédito consignado, buscando diversificar a receita, disse Velez.
A empresa deve lançar um “teste beta” para seu produto de empréstimo consignado no quarto trimestre e disponibilizá-lo a todos os clientes no início de 2023, disse ele, acrescentando que também estão planejados mais produtos para “clientes de maior patrimônio”.
Oportunidades de aquisições
Depois de levantar US$ 2,8 bilhões em sua oferta inicial de ações em dezembro, o Nubank está “em uma posição muito forte para analisar as aquisições de forma mais ativa”, disse Velez, acrescentando que “provavelmente seriam verticais em serviços financeiros ou até mesmo, em setores onde não construímos internamente.”
Mas ele acrescentou que é improvável que a empresa busque uma grande aquisição, dadas as oportunidades que tem de crescer organicamente.
“É muito importante não se distrair com algo brilhante que pode estar à venda em outro lugar”, disse Junqueira.
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