Primeiras urnas encerram votações em eleições de meio de mandato nos EUA

“É uma tensão grande para o governo Biden, não é inusitado que o partido do presidente perca o Congresso”, diz especialista

Para a América Latina, qualquer uma das situações - maioria de republicanos ou democratas - será ruim, porque o foco de Biden será interno
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Bloomberg Línea — As primeiras urnas das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos fecharam às 18h00 do horário local (20h do horário de Brasília) desta terça-feira (8). Em um pleito com várias candidatas mexicanas e da América Central concorrendo por assentos na câmara dos deputados (House of Representatives) - segundo os partidos, há 50 candidatos latinos democratas contra 33 latinos republicanos - foi uma eleição muito complexa, na avaliação de Denilde Holzhacker, professora no curso de relações internacionais da ESPM.

“É uma tensão grande para o governo Biden, não é inusitado que o partido do presidente perca o Congresso”, disse Holzhacker, em uma entrevista com a Bloomberg Línea.

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Entre os principais fatores que podem prejudicar os democratas nesta eleição para a Câmara é o efeito da inflação aliado ao preço da energia e percepção de um baixo desempenho econômico, segundo a professora. Já para o Senado, a expectativa é de que se mantenha 50/50 entre republicanos e democratas, que é o cenário de hoje, uma situação que seria menos problemática para o atual presidente Joe Biden.

“Obama, Clinton e Bush tiveram dificuldades com o Congresso. Neste caso o tamanho dessa diferença, isto é, quantos grupos de apoio ao Trump haverão nesse novo congresso, é o que dará a lógica se a obstrução das pautas de Biden será grande”, pondera Holzhacker.

“Se há uma situação de maior equilíbrio, especialmente no Senado, Biden pode conseguir maiorias com os moderados do partido republicano, disse.

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Para a América Latina, qualquer uma das situações - maioria de republicanos ou democratas - será ruim, porque o foco de Biden será interno, voltado para as políticas de sua base para fortalecer a eleição em 2024, de acordo com a especialista. Ela acredita que as agendas internacionais que os Estados Unidos vão abraçar devem estar ligadas essencialmente à repercussão internacional da aliança com a Europa em disputa com a Rússia para a reconstrução da Ucrânia, além do embate com a China.

“América Latina vai ter que entrar nessas definições estratégicas. A região é um elemento importante nessa disputa com a China. Os americanos têm olhado para a América Latina para conseguir manter essa área estratégica contra os investimentos chineses”, disse.

Outras pautas como a questão migratória e cooperação no combate ao narcotráfico deverão estar associadas a disputas domésticas. Mas a América Latina não será uma agenda central, segundo a professora.

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Os latinos dos Estados Unidos são muito diversos, com alguns da Flórida e Texas se alinhando mais aos republicanos por acreditarem que o governo Biden não trouxe benefícios econômicos diretos para o grupo. Há também aqueles que têm uma aproximação maior com os democratas pela agenda social. “Eles continuam bastante divididos e isso fica claro nas posições e lideranças dentro das comunidades. Muito semelhante ao que vimos em 2020″, disse.

Um elemento importante para Biden será a agenda climática. Nisso, o Brasil em especial será um parceiro importante, de acordo com Holzhacker. “Com a eleição de Lula, o Brasil volta a ter um relacionamento e pauta positiva com o governo americano”.

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