Bloomberg — Um eleitorado profundamente dividido nos Estados Unidos dará seu veredicto nesta terça-feira (8) para revelar se democratas ou republicanos têm a receita certa para guiar o país pela onda de inflação, recessão iminente e divergências em questões culturais e sociais.
Eleitores decidirão o controle do Congresso e das capitais dos estados em todo o país, mas dois políticos em jogo nem estão na cédula: o presidente Joe Biden e seu antecessor, Donald Trump, que em comício na segunda-feira (7) sugeriu o anúncio de sua terceira corrida presidencial na próxima semana.
Com a economia no topo das preocupações dos eleitores, Biden enfrenta o desafio de evitar o controle republicano de uma ou ambas as casas do Congresso. Isso minaria o resto de sua agenda inacabada. Para Trump, a eleição abre uma oportunidade para solidificar sua ideologia nativista e negacionismo eleitoral no Partido Republicano e preparar o caminho para um retorno.
O resultado pode demorar dias ou até semanas se as disputas forem tão apertadas quanto as pesquisas sugerem e se os perdedores contestarem os números. Em vários estados, os indicados do Partido Republicano para os principais cargos estaduais são defensores das falsas alegações de Trump de fraude eleitoral. Uma série de ações pré-eleitorais movidas em mais de 30 estados por republicanos e democratas levanta questões sobre praticamente todos os aspectos da votação.
O clima do eleitorado em 2022 é de indignação. Democratas estão irritados com a decisão da Suprema Corte que derrubou o direito nacional ao aborto, enquanto republicanos ainda travam uma batalha relacionada às eleições de 2020 e promovem teorias da conspiração.
O enorme descontentamento e a inimizade partidária aprofundaram o perigo para as instituições democráticas americanas. Parlamentares e outras autoridades estaduais e federais receberam um nível sem precedentes de ameaças. Pouco mais de uma semana antes das eleições, um agressor empunhando um martelo fraturou o crânio do marido de 82 anos da presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, em sua casa. Na véspera da votação, Trump chamou Pelosi de “animal”.
Pesquisas e precedentes históricos sugerem que os eleitores entregarão a Câmara e, potencialmente, o Senado aos republicanos, obrigando Biden a passar os dois anos restantes de seu mandato defendendo conquistas como o financiamento climático e alívio da dívida estudantil das tentativas do Partido Republicano de desfazê-las.
Biden fez campanha nos últimos dias da Califórnia a Nova York. Mas o presidente americano viajou comparativamente menos no período que antecedeu as eleições do que seus dois antecessores, em grande parte devido aos seus baixos índices de aprovação. Na segunda-feira, Biden reconheceu que será “difícil” para os democratas manterem o controle do Congresso.
Trump também participou de atos com candidatos que apoiou, incluindo um comício na Pensilvânia no sábado, usado tanto para promover seu próprio futuro político quanto o candidato republicano ao Senado, Mehmet Oz, o famoso apresentador “Dr. Oz”.
Os republicanos precisam de apenas cinco assentos para assumir o controle da Câmara, e analistas independentes preveem que o partido pode ganhar até 25, incluindo alguns distritos onde Biden venceu em 2020. O controle do Senado depende de várias disputas acirradas, entre elas na Geórgia, Pensilvânia, Ohio, Wisconsin, Nevada e Arizona. Carolina do Norte, New Hampshire e Colorado também devem influenciar a corrida eleitoral.
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