Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada de matéria originalmente publicada às 6h30)
O sentimento de cautela e a busca por proteção continuam presentes nos mercados nesta segunda-feira. A semana começa sob a sombra da expectativa de juros maiores nos Estados Unidos, sustentada pela robusta geração de emprego no país, conforme o divulgado na sexta-feira. A expectativa agora é pelo número da inflação de setembro nos Estados Unidos, na próxima quinta-feira.
O sinal é misto neste momento bolsas europeias, após uma abertura negativa. Nos futuros de índices acionários dos Estados Unidos o sinal negativo perdia força há pouco. Na Ásia, o turno foi de perdas, sobretudo na China, que voltou do feriado de uma semana enquanto as demais praças tiveram alta volatilidade.
As ações de empresas do setor de semicondutores continuam afetadas por sinais de baixa demanda e pela decisão dos Estados Unidos de restringir ainda mais o acesso da China à tecnologia americana. Papéis da Infineon, STMicro e OSRAM, listados na Europa recuavam nesta manhã, enquanto no futuro de índices de Nova York, os fabricantes de chips Nvidia e Advanced Micro Devices caíram ao redor de 1%.
Destaque também para as cotações do petróleo, que voltam a recuar depois da recuperação verificada na semana passada com o corte de produção anunciado pela OPEP+. A visão que prevalece é de demanda vulnerável à medida que o Fed continua com argumentos para seguir com o aperto da economia.
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No mercado de dívida não há negociação hoje nos Estados Unidos, por feriado, já o rendimento dos bônus de 10 anos no Reino Unido sobe. O Banco da Inglaterra intensificou as medidas para equilibrar o funcionamento do mercado e informou que ampliará suas operações de compra nos próximos cinco dias para um máximo de £ 10 bilhões (US$ 10,8 bilhões). Até então o plano era de £ 5 bilhões. No entanto, os títulos de longo prazo do Reino Unido ignoraram as notícias, com os rendimentos de 10 anos subindo 6 pontos base. As transações cambiais, por sua vez, levam o dólar a se apreciar frente ao euro.
→ O que move os mercados hoje
O olhar dos investidores migrará para o indicador de inflação de setembro e como, a partir da dinâmica dos preços, o Federal Reserve (Fed) arquitetará sua política monetária. Na quarta-feira, o Fed publica a ata de sua reunião de setembro, que junto com as declarações de vários integrantes do banco central norte-americana pode dar pistas ao mercado. A abertura da temporada de balanços de empresas norte-americanas e novos desdobramentos da guerra da Rússia contra a Ucrânia são outros vetores parta os negócios.
💲 Temporada de resultados. Os bancos americanos saem na dianteira na divulgação dos balanços do terceiro trimestre, cuja largada acontece entre quinta e sexta-feira. Se esperam resultados menos robustos que os de exercícios anteriores, devido a um aumento das provisões e a uma menor demanda por crédito, situação que tem pouca chance de ser revertida pela onda recente de aumento de juros. JPMorgan, Citibank e Morgan Stanley apresentam seus números, enquanto no setor produtivo e de consumo se conhecerão as cifras de PepsiCo, Dominos’s Pizza e Delta. Os investidores estarão atentos, também, ao vaivém dos papéis da Apple, que divulga seu balanço no dia 27.
💸 Preços como protagonistas. A persistência da inflação em setembro pode ser a gota que falta para os investidores se convencerem de que o Fed não mudará sua estratégia restritiva em relação aos juros. O número será revelado na quinta-feira (13) e até lá os operadores continuam tomando nota dos recados, invariavelmente duros, dos dirigentes do Fed. A visão no momento é de que deve haver um novo aumento de 0,75 ponto percentual no próximo mês. Charles Evans, diretor da autoridade monetária, voltará a falar hoje e já avisou anteriormente que vê o juro chegando entre a um nível 4,5% a 4,75% em algum momento de 2023.
💶 Baixa confiança. O indicador Sentix de confiança dos investidores caiu em outubro para -38,3, abaixo das estimativas de -34,7 e -31,8 na leitura anterior. Este é o pior registro da série histórica, ficando atrás apenas dos meses de confinamento mais severo da Covid-19. O índice de ações Stoxx 600 caiu logo depois da notícia, mas instantes atrás mudava de sinal.
🪖 Geopolítica no radar. O clima geopolítico ficou mais instável após a Rússia atacar o centro de Kiev, além de Odesa, Dnipro e Lviv nesta madrugada. A ação sucede após explosão, no sábado, de uma ponte entre Crimeia e Rússia, ação que Vladimir Putin atribuiu à Ucrânia. Foi a primeira ofensiva contra Kiev em meses e muitos serviços já haviam sido retomados na região. Os investidores monitoram o resultado da reunião do Conselho de Segurança que Putin convocou para hoje.
Esta manhã, Putin ameaçou com mais ataques de mísseis contra a Ucrânia. “Se as tentativas de cometer atos terroristas em nosso território continuarem, as respostas da Rússia serão duras e sua escala corresponderá ao nível de ameaça à Rússia”, disse ele em sua reunião do Conselho de Segurança. Em meio ao recrudescimento da guerra, o governante dos Emirados Árabes Unidos, o xeque Mohammed Bin Zayed Al Nahyan, se encontrará com Putin em São Petesburgo amanhã para discutir questões regionais e internacionais de interesse comum.

🟢 As bolsas na sexta-feira (7): Dow Jones Industrials (-2,11%), S&P 500 (-2,80%), Nasdaq Composite (-3,80%), Stoxx 600 (-1,18%), Ibovespa (-1,01%)
As bolsas de valores norte-americanas fecharam no vermelho na sexta-feira após a notícia de que o país continuou a gerar empregos solidamente em setembro, indicando que o mercado de trabalho segue resiliente mesmo com o aumento dos juros pelo Fed. O número de 263.000 novos postos de trabalho sustenta as expectativas de que o ciclo de aperto monetário deve prosseguir nos EUA.
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Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• Feriado: Japão, Canadá, Argentina
• EUA: Índice de Tendências de Emprego-Conference Board/Set, Reuniões do FMI e do Banco Mundial (até 16/10)
• Europa: Zona do Euro (Confiança do Consumidor-Sentix/Out); Reino Unido (Vendas no Varejo/Set); Portugal (Balança Comercial/Ago)
• Ásia: Japão (Transações Correntes/Set)
• América Latina: Brasil (Boletim Focus)
• Bancos centrais: Discursos de Charles Evans e Lael Brainard (Fed), Joachim Nagel (Bundesbank)
📌 Para a semana:
• Balanços: JPMorgan Chase & Co, Citigroup Inc, Morgan Stanley, BlackRock, Delta Air Lines, Fast Retailing, Infosys, PepsiCo, TSMC, Tata Consultancy, UnitedHealth, US Bancorp, Walgreens Boots, Wells Fargo, Wipro
• Terça: Relatório do FMI com perspectivas para a economia mundial. Discursos de Loretta Mester (Fed) e Andrew Bailey (BoE)
• Quarta: Ata do FOMC/Fed sobre a reunião de setembro. EUA (IPP/Set), Contratações de Hipotecas). Informe mensal da OPEP sobre o mercado de petróleo. Discursos de Michelle Bowman e Neel Kashkari (Fed) e de Christine Lagarde (presidente do BCE)
• Quinta: EUA (IPC, Pedidos Iniciais de Seguro Desemprego). Reunião dos ministros de Finanças e dos bancos centrais do G-20.
• Sexta: EUA (Vendas no Varejo/Set, Estoques das Empresas/Ago, Sentimento do Consumidor- Univ. de Michigan); China (IPC/Set, IPP/Set e Balança Comercial). Compra de emergência de bônus pelo Bank of England (BoE) prevista para terminar
(Com informações da Bloomberg News)








