Bloomberg Opinion — O comitê do Prêmio Nobel reconheceu três economistas – Ben Bernanke, Douglas Diamond e Philip Dybvig – por suas pesquisas sobre um tema crucial para a prosperidade humana. Mas os órgãos reguladores deveriam se esforçar mais para colocar em prática suas ideias.
A pesquisa que o prêmio cita destacou uma falha importante na ortodoxia acadêmica predominante. Na época, os modelos dominantes – utilizados pelos formuladores de políticas para entender e administrar a economia – assumiram que o setor financeiro desempenhavam um papel minoritário nas altas e baixas, simplesmente operando em segundo plano para transformar economias em investimentos. Mas Diamond e Dybvig apontaram que o empréstimo de curto prazo para fazer investimentos de longo prazo (ou seja, alavancagem combinada com transformação de vencimentos) tornou os bancos suscetíveis ao pânico debilitante. E Bernanke mostrou como esta dinâmica desempenhou um papel central para tornar a Grande Depressão da década de 1930 o terror que foi.
Estes esforços foram repentinamente relevantes em 2008, quando o estouro da bolha dos empréstimos hipotecários desencadeou um pânico que afetou tanto os bancos tradicionais quanto os credores no chamado setor de shadow banking, levando ao fracasso de várias grandes instituições, incluindo a Lehman Brothers Holdings. A crise de crédito que se seguiu acabou causando a demissão de milhões de trabalhadores e destruindo uma produção econômica estimada em US$ 1,4 trilhão de dólares somente nos Estados Unidos.
Apesar de suas honras, Bernanke – que presidiu o Federal Reserve de 2006 a 2014 – demorou a reagir à crise. Já em 2008, o banco central considerou as maiores instituições financeiras americanas sólidas o suficiente para continuar fazendo pagamentos aos acionistas que reduziram seu capital próprio e aumentaram sua alavancagem. Suas reservas de capital logo se mostraram terrivelmente inadequadas, exigindo que o Fed e outras autoridades colocassem trilhões de dólares em dinheiro de contribuintes para tirar o sistema financeiro da beira do colapso.
Desde então, os reguladores responderam com requisitos mais rigorosos de capital e liquidez, concebidos para limitar a alavancagem e garantir que os bancos tenham dinheiro suficiente para resistir a uma crise na confiança. No entanto, mesmo entre os bancos tradicionais, os níveis de capital precisariam ser muito mais altos para garantir a resistência em uma crise grave. E, como ilustrado por incidentes como os recentes problemas nos fundos de pensão britânicos e a implosão da Archegos Capital Management, os órgãos reguladores devem fazer ainda mais para limitar a alavancagem entre instituições financeiras não bancárias – por exemplo, ao estabelecer requisitos mínimos de garantias nos mercados de empréstimos e derivativos.
O Nobel da economia geralmente recompensa as pesquisas que há muito são amplamente aceitas e seguidas. Desta vez, não. O mundo está novamente em uma recessão econômica com pouca confiança de que o setor financeiro será uma fonte de força, não de contágio. Que este prêmio seja um lembrete de que o trabalho de enfrentar as vulnerabilidades que Bernanke, Diamond e Dybvig descreveram – e que a crise financeira de 2008 externalizou – está longe de estar concluído.
Os Editores são membros do conselho editorial da Bloomberg Opinion.
—Editores: Mark Whitehouse, Timothy Lavin.
Veja mais em Bloomberg.com
Leia também
Desigualdade de gênero: Nobel tem 2 mulheres entre 14 premiados em 2022
©2022 Bloomberg L.P.





