Bloomberg — Os investidores brasileiros monitoram as manifestações desta quarta-feira (7) como um indicador de potencial turbulência no período pós-eleitoral. No ano passado, os mercados locais despencaram após as comemorações do Dia da Independência, quando a ameaça do presidente Jair Bolsonaro (PL) de desobedecer às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) alimentou preocupações de uma crise institucional.
Este ano, o STF reforçou a segurança para evitar um possível ataque durante manifestações esperadas na capital do país nesta quarta. Cerca de 10 mil policiais foram mobilizados para evitar tumultos em Brasília, onde apoiadores de Bolsonaro realizam comícios pró-governo após o desfile cívico-militar desta manhã.
Uma barreira eletrônica antidrone também foi instalada para proteger a sede do tribunal, um prédio a poucos quarteirões de onde as manifestações acontecem, disseram à Bloomberg News duas pessoas com conhecimento direto do assunto, pedindo anonimato para discutir informações confidenciais.
Embora nas últimas semanas Bolsonaro tenha atenuado os ataques à corte, neste fim de semana, ele chamou o ministro Alexandre de Moraes de “vagabundo” durante um discurso em um comício eleitoral.
“Não temos apoio de alguns ministros do STF, muito pelo contrário, alguns deles apoiam ativamente os criminosos, mostrando que podemos nos tornar um país sem lei”, disse Bolsonaro na terça, em entrevista, acrescentando que a liberdade dos brasileiros está em jogo no eleição.
Os 11 ministros do STF vão ficar em Brasília caso haja necessidade de uma reunião de emergência, e os funcionários do Superior Tribunal Eleitoral (TSE) que estão escalados para trabalhar vão ter um plano especial de segurança, disseram as pessoas com conhecimento do assunto. O risco de uma invasão é considerado baixo, mas há preocupações sobre a possibilidade de um pequeno grupo contornar a segurança, disseram as pessoas.
O tribunal realizou operações nos últimos meses para avaliar possíveis ameaças e agir para neutralizar os riscos, disse em comunicado.
Bolsonaro deve voar para o Rio de Janeiro no final do dia, onde estão planejados um desfile naval, um show aéreo e uma exposição de paraquedismo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à frente nas principais pesquisas de intenção de voto, não tem agenda oficial.
--Com assistência de Isadora Calumby.
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