Coreia do Sul vai proibir porões como os de ‘Parasita’ após enchentes

Em 2020, cerca de 5% ou 200.000 casas na cidade eram porões ou semi-porões, de acordo com o Governo Metropolitano de Seul

Detritos empilhados na rua após fortes chuvas em Seul, Coreia do Sul, na quarta
Por Shinhye Kang y Seyoon Kim
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Bloomberg — Após a morte de pelo menos quatro pessoas que se afogaram em porões durante a pior tempestade a atingir a capital da Coreia do Sul em mais de um século, Seul planeja eliminar gradualmente o tipo de moradia que simboliza a desigualdade desenfreada na cidade, como representado no filme Parasita, vencedor do Oscar.

De acordo com um comunicado divulgado na quarta-feira (10), Seul está estudando a possibilidade de proibir a construção de porões e semi-caves em coordenação com o governo nacional. Os proprietários terão de 10 a 20 anos para remover esses tipos de estruturas, conhecidas como casas “banjiha”. Em 2020, cerca de 5% ou 200.000 casas na cidade eram porões ou semi-porões, de acordo com o Governo Metropolitano de Seul.

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O anúncio foi feito depois que a pior tempestade em 115 anos jogou 525 milímetros de chuva em partes de Seul no início desta semana e matou pelo menos 11 pessoas. Entre eles estavam três membros de uma família - uma mulher de 40 anos, sua irmã e sua filha adolescente - que foram encontradas mortas depois de ficarem presos em um semi-porão em Sillim-dong, não muito longe da afluente área de Gangnam. Outra mulher de 50 anos que morava em uma residência semelhante também se afogou, segundo o jornal DongA Ilbo.

No filme coreano Parasita, vencedor do Oscar de 2020, os personagens principais vivem em uma casa assim, em grande parte fora de vista e ignorados pelos ricos.

A desigualdade na Coreia do Sul, a quarta maior economia da Ásia, piorou nos últimos anos, especialmente após a pandemia de coronavírus. A diferença de renda entre os 20% mais ricos das famílias e o grupo mais pobre aumentou desde 2019, de acordo com um relatório divulgado pelo Shinhan Bank em abril.

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