Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) recuava com força nesta quinta-feira (14), seguindo a maior aversão ao risco vinda do exterior no dia de estreia dos balanços dos maiores bancos de Wall Street, que já começaram a sentir o peso dos temores com uma recessão nos Estados Unidos desencadeada pela alta inflação e juros.
Mais cedo, os bancos JPMorgan (JPM) e Morgan Stanley (MS) apresentaram os balanços para o segundo trimestre, já afetados pelos resultados fracos das áreas de investimentos, à medida que os clientes pisam no freio em meio à cautela com o cenário macroeconômico para os próximos meses.
- Perto das 11h10, o Ibovespa recuava 2,23%, a 95.622 pontos
- O dólar futuro era negociado a R$ 5,48, com alta de 1,69%
Dentre as maiores quedas estavam majoritariamente companhias ligadas a exportação de commodities. Petrobras (PETR4), PetroRio (PRIO3), CSN (CSNA3) e Vale (VALE3) despontavam entre os recuos, com temores de que uma recessão global barre a demanda por petróleo, minério de ferro e aço.
O caos no mercado imobiliário chinês, um dos maiores compradores dos produtos brasileiros, também impacta fortemente no sentimento, agora com moradores de ao menos 22 cidades do país se recusando a pagar hipotecas por construções atrasadas.
Os dados de inflação acima do esperado nos Estados Unidos, divulgados ontem, seguem pressionando as bolsas globais diante da renovação dos temores de uma recessão. Os investidores esperam agora uma alta de 1 ponto percentual na próxima reunião do Federal Reserve, no final do mês - alimentando os temores de que a alta de juros na economia americana possa estrangular o crescimento no final do ano.
“Em junho, o comitê mostrou que reagiria a cada leitura mensal da inflação”, disseram economistas do Citigroup liderados por Andrew Hollenhorst em nota aos clientes quinta-feira. “Agora esperamos que o Fed entregue uma alta de 100 pontos-base na reunião do final deste mês.”
Comentários após os dados de inflação de quarta-feira dos chefes do Fed de Atlanta Raphael Bostic e de Cleveland Loretta Mester, que não descartaram explicitamente um movimento maior do que uma alta de 0,75 que já era sinalizada como possibilidade, ajudaram a reforçar a impressão de que 1 ponto percentual pode estar em jogo na reunião.
Enquanto isso, o JPMorgan suspendeu temporariamente as recompras de ações e divulgou resultados do segundo trimestre que ficaram aquém das estimativas de analistas de mercado. As ações do banco americano caíam cerca de 3,77% perto das 11h30 (horário de Brasília).
A pausa de recompra é necessária para atender rapidamente aos requisitos de capital mais altos e “nos permitir a máxima flexibilidade para melhor atender nossos clientes e comunidade em uma ampla gama de ambientes econômicos”, disse o CEO Jamie Dimon em comunicado nesta quinta.
Já a receita do Morgan Stanley com bancos de investimento despencou por conta da paralisação dos mercados de capitais, registrando US$ 1,07 bilhão em receita, uma queda de 55% em relação ao ano anterior, um declínio maior do que a queda de 47% prevista pelos analistas.
Os resultados oferecem uma primeira visão de como Wall Street se saiu em três meses tumultuados, caracterizados por mudanças nas perspectivas sobre as perspectivas para a economia. Dimon, do JPMorgan, alertou para um “furacão” econômico no mês passado, citando os desafios que o Federal Reserve enfrenta ao tentar conter a inflação.
--Com informações da Bloomberg News
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