Sem acesso a dólares: empresa brasileira suspende produção na Argentina

Banco Central da Argentina decidiu limitar o montante de dólares que as companhias podem solicitar para pagar compras no exterior

Empresa afirma que não está em condições de programar corretamente os pagamentos para os próximos meses
PUBLICIDADE

Buenos Aires — A brasileira Agrale informou nesta quarta-feira (13) a seus fornecedores que interromperá a produção de tratores e veículos na Argentina até o final do ano, diante da impossibilidade comprar dólar para importar insumos.

“A possibilidade de a Agrale Argentina efetuar pagamentos no exterior foi fortemente impactada, inclusive para efetuar pagamentos correspondentes a importações que já foram recebidas em nossa planta produtiva e que estão vencidas”, informou a empresa, referindo-se à medida estipulada pelo Banco Central da Argentina que restringe o acesso a moeda estrangeira por parte das empresas.

PUBLICIDADE

Diante de um nível negativo de reservas líquidas, e na tentativa de cumprir o objetivo de acumulação de reservas acordado com o Fundo Monetário Internacional, a autoridade monetária decidiu limitar o montante de dólares que as empresas podem solicitar para pagar compras no exterior.

Na semana passada, o Banco Central também proibiu parcelamentos sem juros para compras em lojas duty free.

A Agrale Argentina S.A, subsidiária da Agrale, produz desde 2008 veículos e tratores em sua fábrica de Mercedes, província de Buenos Aires. A empresa pertence ao Grupo Francisco Stédile, que reúne as subsidiárias Agrale Argentina, Agrale Montadora, Agrale Comercial e Lintec Motores, e inclui as empresas Agritech Lavrale, Germani Alimentos, Germani Cereales, Fundituba e Fazenda Três Rios.

PUBLICIDADE

Falta de respostas

A Agrale explicou a seus fornecedores que ainda aguarda uma “resposta formal sobre quando essa situação será normalizada”.

“Nossa área financeira está em contato com diversos órgãos públicos e privados (Banco Santander, Banco Central e funcionários do governo) tentando desbloquear as operações de pagamento no exterior, já que nos últimos 10 dias todos os pedidos foram rejeitadas pelo Banco Central”, afirma o documento.

Neste contexto, a empresa afirma que não está “em condições de programar corretamente [os pagamentos para] os próximos meses”.

PUBLICIDADE

“Esta incerteza, somada à falta de componentes que vínhamos sofrendo e esta medida, nos obrigou a zerar nossa programação para o final do ano até termos maior clareza sobre como devemos agir, o que realmente podemos projetar, neste novo contexto”, acrescentou a empresa.

Assim, a Agrale pediu compreensão à sua rede de fornecedores.

“Nesta difícil decisão que temos que tomar, entendemos que só há prejuízos e a partir de agora manteremos o canal de comunicação com nossa rede de fornecedores para passarmos por este período triste e difícil da melhor forma possível, “, concluiu.

PUBLICIDADE

Leia também

Quem é Silvina Batakis, nova ministra da Economia da Argentina

Estes são os salários mínimos da América Latina no segundo semestre de 2022