Bloomberg — Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos afirmam que os Estados Unidos precisam confiar na estratégia da Opep+. A Casa Branca e as autoridades de outros grandes países importadores pediram que o grupo aumentasse a produção de petróleo após invasão da Ucrânia pela Rússia.
O barril chegou perto de US$ 140 logo após a invasão no mês passado, mas recuou para cerca de US$ 110 esta semana, em meio à disparada nos casos de coronavírus e ordens de lockdown mais rígidas na China. Ainda assim, a cotação acumula alta de 40% este ano.
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Representantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados — liderados pela Arábia Saudita e Rússia — se reúnem nesta quinta-feira (31) para decidir sobre os níveis de produção em maio, mas já sinalizaram que não veem necessidade de alterar sua estratégia de pequenos acréscimos mensais.
“Somos especialistas no ramo e fazemos isso há muito tempo”, disse o ministro da Energia dos EAU, Suhail al Mazrouei, durante uma conferência em Dubai na terça-feira (29). Ao lado dele estava o ministro de Energia da Arábia Saudita. “Estamos tentando equilibrar o mercado e não é tarefa fácil. Não somos os únicos produtores no mundo e quando falamos que esta é a maneira correta, sabemos por experiência. Então, confiem em nós.”
Segundo a Opep+, os preços aumentaram por causa da tensão geopolítica e há poucas evidências de déficit significativo na oferta de petróleo.
O fluxo vindo da Rússia provavelmente diminuiu em 1,5 milhão de barris diários desde a invasão, de acordo com o International Energy Forum (ou IEF, na sigla em inglês), organização multilateral com sede em Riad. O secretário-geral do IEF, Joe McMonigle, disse à Bloomberg Television que em cerca de duas semanas haverá informações robustas e que a Opep+ avaliará esses dados.
A Opep+ reduziu a oferta em 10 milhões de barris diários no início da pandemia, que derrubou a demanda por petróleo. A entidade ainda está no processo de reverter o corte na oferta. EUA, Japão e Europa tentaram convencer o grupo de 23 países a acelerar o ritmo mensal de aumento da produção, atualmente em 400 mil barris por dia.
O príncipe saudita Abdulaziz bin Salman, ministro da Energia do reino, reiterou que a Opep+ precisa ignorar a política e focar no equilíbrio entre oferta e demanda. Os representantes da Arábia Saudita e EAU declararam que a presença da Rússia na Opep+ é fundamental para o sucesso do grupo e que a aliança não deve ser desfeita.
“A volatilidade de hoje teria sido ainda pior se a Opep+ não estivesse unida e se não existisse”, disse o príncipe Abdulaziz durante a conferência em Dubai.
Ele acrescentou que a comunidade internacional deve levar a sério os ataques contra a infraestrutura petrolífera no Golfo Pérsico. Em diversas ocasiões este ano, Arábia Saudita e EAU foram alvo de ataques do movimento Houthi de rebeldes que vivem no Iêmen e são apoiados pelo Irã. Na sexta-feira (25), integrantes do movimento lançaram mísseis e drones em vários locais na Arábia Saudita, causando um grande incêndio em um depósito de combustível em Jeddah.
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