Bloomberg — Os títulos soberanos continuaram sob pressão nesta terça-feira após o tom mais agressivo do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre a política monetária. Os futuros de ações dos EUA e da Europa caíram, enquanto as ações asiáticas subiram.
Os títulos do Tesouro dos EUA estenderam as perdas de segunda-feira, que incluíram uma das maiores altas diárias nos rendimentos de curto prazo na última década. Os títulos de dívida da Austrália e da Nova Zelândia caíram. A diferença entre os rendimentos dos Treasuries de cinco e 30 anos é a menor desde 2007, sinalizando um crescimento mais lento à medida que o Fed aumenta os custos de empréstimos.
As ações subiram na Austrália, Coréia do Sul e Japão, onde o iene mais fraco pode reforçar as perspectivas para os exportadores. Os contratos futuros de índice dos EUA tiveram leve baixa depois que Wall Street oscilou com os comentários de Powell antes de fechar estável.
Powell disse que o Fed está preparado para aumentar as taxas de juros em meio ponto percentual na próxima reunião de política monetária, se necessário. O Fed subiu os juros em um quarto de ponto na semana passada e sinalizou mais seis movimentos desse tipo este ano.
O petróleo manteve o rali, com a guerra na Ucrânia se aproximando da marca de um mês e sem conclusão à vista, exacerbando as preocupações de oferta sem o petróleo russo. Os países da União Europeia estão pressionando por mais sanções à Rússia, embora alguns continuem se opondo à inclusão de petróleo nelas.
A trajetória dos títulos é um ponto focal para investidores preocupados com uma desaceleração econômica. A alta inflação, alimentada por interrupções no mercado de commodities devido à guerra, aumentou a pressão sobre o Fed e alguns outros bancos centrais importantes para apertar a política monetária.
“Se Powell está reforçando que eles vão lidar com a inflação – que cometeram erros, que suas expectativas de inflação estavam incorretas – apenas admitir isso e dizer que estamos prontos para fazer tudo o que for preciso é definitivamente tranquilizador para investidores de ações”, disse Erin Gibbs, diretora de investimentos da Main Street Asset Management, à Bloomberg Television.
“Para o longo prazo, 2,3% em 10 anos não é um valor tão alto”, disse Linda Duessel, estrategista sênior de ações da Federated Hermes Inc., à Bloomberg Television. “O que assusta o mercado é quando você tem movimentos muito rápidos, como o que estamos tendo agora.”
Duessel disse que, embora o aperto do Fed possa causar interrupções em toda a curva de juros, a diferença entre os prazos de três meses e de 10 anos ainda é acentuadamente ascendente, apoiando a visão de que a economia dos EUA permanece forte.
Enquanto o Fed está apertando as condições, crescem as expectativas de que a China afrouxará a política monetária para apoiar a expansão econômica.
O gabinete da China prometeu um apoio mais forte à política monetária, ao mesmo tempo em que advertiu contra inundar o mercado com liquidez, informou a emissora estatal CCTV na segunda-feira. As autoridades prometeram evitar medidas que possam prejudicar a confiança do mercado.
A CEO da Defiance ETFs, Sylvia Jablonski, diz que “as ações são o lugar para se estar” agora e ela vê muitas oportunidades de investimento.
Aqui estão alguns eventos importantes desta semana:
- A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, está entre os palestrantes do banco central na cúpula de inovação do BIS, de terça a 23 de março;
- Relatório de estoques de petróleo bruto da EIA, quarta-feira;
- O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, e o presidente do Fed, Powell, falam no painel do BIS, quarta-feira;
- “Declaração de Primavera” do chanceler do Reino Unido Rishi Sunak sobre o orçamento, quarta-feira;
- O presidente dos EUA, Joe Biden, participa da cúpula de emergência da Otan em Bruxelas, na quinta-feira;
- PMIs Markit da Zona Euro, quinta-feira;
- Pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA, bens duráveis nos EUA, quinta-feira;
Alguns dos principais movimentos nos mercados:
Ações
- Os futuros de S&P 500 (ESH2) tinham baixa de 0,1% às 10h em Tóquio (22h00 em Brasília). Na segunda, o S&P 500 (SPX) terminou estável;
- Os futuros do Nasdaq 100 (NQH2) recuavam 0,1%. O Nasdaq 100 (NDX) caiu 0,3%;
- O índice Topix (TOPIX), de Tóquio, subia 1,2%;
- O S&P/ASX 200 da Austrália (AS51) subia 1,2%;
- O índice Kospi (KOSPI), de Seul, subia 0,5%;
- Os futuros do índice Hang Seng (HSI), do Hong Kong, subiam 0,8%;
Moedas
- O iene japonês (JPY) operava a 119,80 por dólar;
- O yuan offshore (CNH) operava a 6,3739 por dólar;
- O Bloomberg Dollar Spot Index (DXY) subia 0,1%;
- O euro (EUR) operava a US$ 1,1006;
Renda fixa
- O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos subia dois pontos base para 2,31%;
- O rendimento de 10 anos da Austrália subia 13 pontos base para 2,71%;
Commodities
- O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) subia 1,8% para US$ 114,16 o barril;
- O ouro era negociado a US$ 1.932,78 a onça.
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