Líder do BCE minimiza temor com estagflação na zona do Euro

A dificuldade para os bancos centrais é manter a estabilidade de preços sem prejudicar a atividade, segundo Christine Lagarde

Enquanto alguns elogiam essa flexibilidade adicional, outros no alto escalão do BCE defendem uma postura mais agressiva
Por William Horobin
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Bloomberg — A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, sinalizou que não está tão preocupada com a estagflação na zona do Euro, embora a invasão da Ucrânia comece a prejudicar a economia e aumentar ainda mais a inflação ao consumidor.

A guerra terá “consequências” para o crescimento econômico, com aceleração da inflação e abalo na confiança, afirmou Lagarde durante uma conferência realizada em Paris nesta segunda-feira. A dificuldade para os bancos centrais é manter a estabilidade de preços sem prejudicar a atividade, segundo ela.

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Questionada sobre o risco de estagflação, Lagarde respondeu que “mesmo no cenário mais sombrio, com efeitos secundários, com um boicote ao gás e à gasolina e um agravamento da guerra que continue por muito tempo -- mesmo nesses cenários temos crescimento de 2,3%.

“Não estamos vendo elementos de estagnação agora”, acrescentou ela.

Os comentários vêm após o BCE surpreender este mês com a aceleração do ritmo de retirada de estímulos para combater a inflação recorde, apesar dos riscos econômicos decorrentes do conflito.

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As autoridades também reduziram o vínculo entre o fim do programa de compra de ativos e o início dos aumentos da taxa básica de juros, a fim de aumentar a margem de manobra do BCE. Lagarde reforçou esse argumento na segunda-feira.

Veja mais: Bancos Centrais do mundo definem política para economias abaladas pela guerra

Enquanto alguns elogiam essa flexibilidade adicional, outros no alto escalão do BCE defendem uma postura mais agressiva. O representante holandês Klaas Knot afirma que dois aumentos nos juros são possíveis em 2022.

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Antes do discurso de Lagarde, os mercados de renda fixa de curtíssimo prazo anteciparam as apostas em relação ao momento da subida de juros e agora sinalizam dois acréscimos até dezembro.

Lagarde se recusou a discutir a postura da política monetária, mas admitiu que o BCE não vai se movimentar no mesmo ritmo que o Federal Reserve dos EUA, que na semana passada deu início a um aparente ciclo de elevação dos juros.

Ela reiterou que a Europa e os EUA não estão na mesma fase do ciclo econômico e que a zona do Euro está mais exposta devido à proximidade geográfica da guerra.

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“Estamos em universos diferentes, em um estágio diferente do ciclo, com diferentes pontos de partida”, disse Lagarde. “Nós na zona do Euro temos juros negativos, enquanto os EUA nunca foram abaixo de zero.”

Diante da capacidade limitada dos bancos centrais de conter os preços de energia, aumenta a pressão por intervenção por parte dos governos. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimou na semana passada que um impulso fiscal equivalente a 0,5% do PIB poderia atenuar as consequências econômicas da guerra sem intensificar as pressões inflacionárias.

Lagarde pediu que o apoio governamental seja direcionado a famílias com menos recursos — algo que, segundo ela, não aconteceu até agora em algumas nações.

“Todos os países estão em processo de implementação de planos, que infelizmente não são muito direcionados, que dão um apoio geral para gastos adicionais com energia que os cidadãos vão enfrentar”, disse ela. “Duvido muito que o esforço fiscal será neutro.”

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