Mercados

Credit Suisse reconsidera gestão patrimonial na Rússia

Banco já anunciou saída da África Subsaariana e pode ser a mais nova instituição a se juntar à debandada de empresas do país

Banco vem analisando mercados emergentes mas não emitiu decisão
Por Myriam Balezou e Nicholas Comfort
15 de Março, 2022 | 09:20 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O CEO do Credit Suisse (CS), Thomas Gottstein, sinalizou uma revisão dos negócios de gestão patrimonial na Rússia e no Leste Europeu. Assim como o suíço, bancos como o UniCredit estão reconsiderando seu futuro na região após a invasão da Ucrânia.

“Vamos sair da África Subsaariana e, juntamente com Francesco de Ferrari, nosso novo CEO para gestão patrimonial, estamos analisando alguns outros mercados de gestão patrimonial em países emergentes”, disse Gottstein durante conferência do Morgan Stanley (MS) na terça-feira (15). “Obviamente, agora também teremos que olhar para a Rússia e o Leste Europeu.” Ele acrescentou que o banco ainda não tomou uma decisão.

Ver mais: Confira quais bancos estão cortando laços com a Rússia

O Credit Suisse Group informou na semana passada que tinha 848 milhões de francos (US$ 904 milhões) em créditos expostos à Rússia no final do ano passado, incluindo derivativos, financiamentos do banco de investimento e outros empréstimos dentro da divisão de banco privado. De acordo com o executivo, cerca de 4% dos ativos administrados pelo braço de gestão patrimonial pertencem a cidadãos russos que vivem no país ou no exterior.

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Bancos europeus estão saindo da Rússia ou avaliando seu futuro por lá devido à guerra na Ucrânia, que desencadeou uma crise humanitária e enormes sanções à elite empresarial e à economia do país. Andrea Orcel, CEO do UniCredit, disse na mesma conferência que seu banco também está reconsiderando a presença na Rússia.

“Estamos revisando a situação, é algo muito sério”, disse Gottstein. “Teremos que ver nos próximos meses o que tudo isso significa para nossa operação na Rússia. Não tomei nenhuma decisão”, afirmou, acrescentando que o banco tem “uma gestão de risco muito bem administrada em torno da situação”.

O escritório em Moscou tem aproximadamente 125 funcionários que trabalham com gestão patrimonial e atividades de banco de investimento. Na semana passada, a instituição informou que “fez planos para diversos cenários potenciais”, sem entrar em detalhes. Os ativos líquidos das operações russas do banco somavam 195 milhões de francos em 31 de dezembro.

Russos ricos ligados ao presidente Vladimir Putin tiveram seus ativos congelados em todo o mundo. Clientes que tomaram empréstimos garantidos por ativos financeiros russos tiveram que oferecer mais garantias depois que o valor desses ativos desabou. Segundo reportagem anterior da Bloomberg, o UBS Group e o Credit Suisse estão acionando chamadas de margem para alguns clientes que usam títulos russos como garantia, depois de reduzirem o valor contábil das dívidas emitidas pela Rússia e por empresas do país.

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