Drone da época soviética causa acidente e preocupa Otan

Queda da aeronave não deixou feridos; lançamento ocorreu dentro de território ucraniano

Autoridades apontam falta de coordenação entre governos e Otan
Por Jasmina Kuzmanovic - John Follain
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Bloomberg — Um drone de reconhecimento não tripulado de seis toneladas que atravessou a Europa Oriental, saindo de uma Ucrânia, devastada pela guerra, e caiu na capital croata na semana passada levantou questões embaraçosas sobre a prontidão da Otan para proteger o espaço aéreo europeu.

Autoridades estão perguntando como nenhum dos três estados membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte – Romênia, Hungria e Croácia – reagiu quando o Tu-141 da era soviética atravessou seus respectivos espaços aéreos a 700 km/h em 10 de março. Autoridades apontam falta de coordenação entre os três governos e a Otan.

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“Esta foi uma ameaça clara e imediata à qual deveríamos ter reagido”, disse o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenkovic, no sábado (12) no local do acidente em Zagreb, um parque ao lado de um dormitório estudantil onde o drone deixou uma cratera de 3 metros de largura. “Falaremos sobre isso em todos os níveis, pois é um incidente que não deve se repetir nunca mais”.

As autoridades croatas dizem que o drone desarmado, usado desde a década de 1970 pelo Exército Vermelho e pelos militares ucranianos pós-soviéticos, foi lançado do território ucraniano, embora as circunstâncias exatas e sua origem não sejam conhecidas. Plenkovic disse que não está claro se o voo foi um “erro ou sabotagem”.

Investigadores em Zagreb agora trabalham em conjunto com a Otan e com o governo ucraniano para descobrir as circunstâncias do lançamento do drone, bem como vestígios de explosivos relatados em uma descoberta inicial do Ministério da Defesa em Zagreb. Não ficou claro se os destroços faziam parte de um mecanismo de autodestruição de aparelhos semelhantes.

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Ninguém se feriu na queda. O drone de 14 metros de comprimento, cujo pára-quedas foi parcialmente ativado durante a queda, danificou vários carros. Ele havia voado a uma altitude de 1,3 mil metros, cruzando brevemente a Romênia. O drone passou 40 minutos pairando sobre a Hungria e sete minutos no espaço aéreo croata antes de cair.

A violação de segurança provocou uma rodada de acusações em meio aos ânimos já desgastados na região, à medida que os militares do presidente russo Vladimir Putin avançam na Ucrânia. Plenkovic disse que seu governo não foi notificado por aliados vizinhos ou pela Otan, e o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban descobriu justamente por Plenkovic, disse o governo em Zagreb.

Os sistemas de defesa aérea entre os três estados da Otan não conseguiram traduzir blips intermitentes no radar em uma rota de voo unificada, segundo funcionário da Otan que se recusou a ser identificado enquanto a investigação continua. Omissões podem acontecer e até ajudarão a melhorar a defesa aérea no futuro, disse o funcionário.

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Um porta-voz da Otan não quis comentar.

Sem reação

“Por que ninguém reagiu? Essa é uma excelente pergunta”, disse Ivan Selak, tenente-coronel croata aposentado que pilotou caças MiG-21 por 35 anos, em entrevista por telefone em Zagreb. Um sistema de defesa integrado precisa estar em vigor para proteger os países da Otan, disse ele. “Mesmo sem um alerta da Otan, em um caso como este, um país deveria reagir e utilizar seus caças”.

O drone estava voando muito rápido e em baixa altitude durante sua breve viagem sobre a Romênia, segundo autoridades locais. Esses fatores “não permitiram que medidas adicionais fossem tomadas para identificar a aeronave no meio do combate”, disse o Ministério da Defesa em Bucareste.

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A Hungria se esforçou mais para explicar o incidente depois que o drone atravessou quase toda a extensão do país. Orban, antigo defensor de Putin e candidato à reeleição no próximo mês, anunciou uma política de “calma estratégica” na Ucrânia, proibindo o envio de armas letais para o país.

O objetivo da Hungria é ficar fora desta guerra e evitá-la, mesmo que eventos como este ocorram na intenção de provocar”, disse o Ministério da Defesa húngaro em comunicado à agência nacional de notícias MTI. “É importante lidar com isso de maneira prudente e calma”, disse.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse na sexta-feira (11) que a organização trabalhará em estreita colaboração com as autoridades croatas para estabelecer os fatos.

Falei com o Primeiro-Ministro da #Croácia @AndrejPlenkovic sobre o incidente de drone de ontem em Zagreb. Concordamos em manter contato e trabalhar juntos para estabelecer os fatos.

A queda do drone dentro das fronteiras da Otan só agravou o nervosismo da guerra. Caças húngaros foram despachados duas vezes na sexta-feira, embora os caças perto da fronteira ucraniana não tenham interceptado nada.

No domingo (13), uma pequena aeronave não tripulada, provavelmente um veículo Orlan-10 de fabricação soviética, caiu perto de uma casa na Romênia, a cerca de 160 quilômetros da fronteira com a Ucrânia. O ministro da Defesa romeno, Vasile Dincu, disse em entrevista por telefone que uma investigação está em andamento, embora “não seja grande o suficiente para ser considerada um incidente de segurança pela Otan”.

--Com a colaboração de Zoltan Simon, Irina Vilcu, Marton Kasnyik, Lenka Ponikelska e Andra Timu.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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