Economistas temem erro em alta de juros na zona do euro

A maioria das previsões dos economistas sondados pela Bloomberg é de inflação abaixo de 2% no próximo ano,

Legarde
Por Alexander Weber - Alonso Soto e Harumi Ichikura
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Bloomberg — O Banco Central Europeu avança na direção de aumentos de juros que poderiam começar a fazer efeito exatamente quando a inflação recuar para abaixo da meta de 2%, segundo previsões de economistas que sugerem a possibilidade de erro na condução da política monetária.

Uma pesquisa da Bloomberg com mais de 50 especialistas, publicada na segunda-feira, aponta para elevação anual dos preços na zona do euro de apenas 1,7% e 1,8% nos próximos dois anos. Alguns participantes chegam a esperar a inflação em metade da meta em 2023. Enquanto isso, a mediana das previsões mostra um primeiro aumento da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual em dezembro.

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A presidente do BCE, Christine Lagarde, se recusou a descartar a possibilidade de tal acréscimo. Mas é difícil conciliar isso com a expectativa coletiva dos economistas de inflação abaixo da meta nos próximos anos, considerando o cálculo de Lagarde de que os juros maiores começam a fazer efeito em nove a 18 meses.

Os números refletem a dificuldade de se fazer previsões em um momento volátil de inflação recorde e mudanças na política monetária global — e ressaltam o tamanho do desafio enfrentado pelo BCE. O Conselho Geral da instituição tenta migrar para uma postura mais agressiva, ciente de erros anteriores no aperto da política monetária em 2008 e 2011.

“Temos receio de que potenciais elevações dos juros mais para o final do ano sejam um erro”, disse Oliver Rakau, economista da Oxford Economics em Frankfurt. “As pressões inflacionárias subjacentes ainda não são intensas o suficiente para um ciclo sustentado de alta de juros.”

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Outros economistas também questionam se vem um erro pela frente. Ruben Segura-Cayuela, do Bank of America, e Joachim Fels, da Pimco, colocaram esse argumento mencionando equívocos semelhantes do BCE há mais de uma década.

A maioria das previsões dos economistas sondados pela Bloomberg é de inflação abaixo de 2% no próximo ano, embora o intervalo de estimativas seja amplo — de 0,9% a 2,5%. A perspectiva apresentada pela Comissão Europeia na semana passada, de 1,7%, também está abaixo da meta.

O economista-chefe do BCE, Philip Lane, foi particularmente incisivo na defesa de que o ritmo atual de aumento de preços não vai durar. Ele alertou na semana passada que um aumento dos juros ameaçaria a economia da região.

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Outros representantes do BCE temem que a inflação já acima de 5% intensifique demandas por reajustes salariais e leve a um quadro em que os aumentos de preços fiquem persistentemente acima da meta da instituição.

A previsão do BCE em dezembro era de inflação em 1,8% em 2023 e 2024. Uma nova projeção será divulgada em março, quando também será decidida a retirada de estímulos monetários.

“As projeções do corpo técnico podem mostrar a inflação cheia atingindo 2% até o final de 2024, embora o resultado de 2023 provavelmente fique deprimido devido aos efeitos de base causados pela disparada dos custos de energia no início de 2022”, avaliam David Powell e Maeva Cousin, da Bloomberg Economics.

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