Bloomberg — Graças em grande parte aos ricos colecionadores de criptomoedas, um leilão online de meteoritos na Christie’s deve romper a estratosfera.
De 9 a 23 de fevereiro, a venda, Deep Impact: Martian, Lunar, and Other Rare Meteorites (Impacto profundo: meteoritos lunares, de Marte e outros meteoritos raros), se dará após uma sequência recorde de leilões de meteoritos em 2021.
O precursor da venda, realizada nesta mesma época no ano passado, foi a chamada venda “luva branca”, o que significa que cada lote vendido “e 72 dos 75 lotes vendidos foram negociados a um valor acima de sua estimativa alta”, acrescenta James Hyslop, chefe de Ciência e História Natural na Christie’s. “Foi realmente uma venda sem precedentes.”
Logo depois foi vendido em julho, na Christie’s de Londres, uma fatia do meteorito Fukang, por £ 525.000 (US$ 722.925), estabelecendo um recorde de leilão público para um único lote.
À frente desse crescimento, diz Hyslop, estão os investidores em criptomoedas que ficaram ricos recentemente.
“Cada vez mais a idade do comprador médio é muito menor do que em nossas últimas vendas [de meteorito], e uma das razões para isso é que muita gente enriqueceu com criptomoedas ultimamente, e eles tendem a ser mais jovens”, diz Hyslop. “Eles se identificam como os ricos das criptomoedas; alguns que deram lances na última venda perceberam pela primeira vez que poderiam realmente comprar meteoritos e ficaram extremamente entusiasmados.”
Um participante cujo lance foi superado por outro, continua ele, “ficou extremamente frustrado e disse: ‘Tenho que sacar alguns Bitcoins antes do próximo’”.
Entendendo o valor
Os 66 lotes deste ano variam entre uma requintada seção transversal de um meteorito, que parece ter um design de treliça e custa uma estimativa de US$ 400 a US$ 800, até uma peça que a Christie’s afirma ser o terceiro maior pedaço de Marte na Terra, estimado entre US$ 500.000 a US$ 800.000, que supostamente foi desalojado da superfície de Marte por outro meteorito.
O preço pode ser entendido, segundo a explicação de Hyslop, observando-se estes quatro critérios: tamanho, forma, ciência e história.
“Primeiro, se fossem todos iguais, um meteorito com o dobro do tamanho valeria o dobro”, explica ele, mas observa que, em um certo ponto, “qualquer peça realmente grande se torna um pesadelo logístico”, o que significa que a regra do tamanho acaba tendo alguns limites. (O meteorito Hoba, na Namíbia, pesa cerca de 60 toneladas, enquanto o meteorito Willamette, no Museu Americano de História Natural de Nova York, pesa apenas 15,5 toneladas.)
Forma, continua Hyslop, “para mim é o aspecto mais interessante. A maioria dos meteoritos se parece com uma pedrinha que você encontrou na sua garagem – eles não são atraentes ou bonitos.” Um em mil, porém, “tem algo mágico”.
Ele aponta para o Lote 62 em sua venda, um pedaço de ferro que se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos dentro do núcleo fundido de um asteroide. Estimado de US$ 200.000 a US$ 300.000, “você suporia que era um Henry Moore ou um Giacometti”, diz Hyslop. “É de uma beleza de tirar o fôlego, e as forças esculturais que o moldaram eram extraterrestres.”
A seguir vem a ciência: uma fatia da lua, diz Hyslop, é invariavelmente mais valiosa do que algo que veio de um enorme cinturão de asteróides, o que é pelo menos parte do motivo pelo qual o enorme pedaço de Marte do leilão é tão caro.
O pedaço que pesa pouco mais de nove quilos, que Hyslop diz ter sido lançado em órbita quando um meteorito atingiu o Planeta Vermelho em um ângulo de visão, corresponde exatamente à assinatura química de Marte, diz Hyslop. “É um dos poucos espécimes de Marte que temos na Terra no momento.” O critério final – história – é obviamente o mais divertido, e o leilão da Christie’s tem alguns excelentes competidores.
O mais notável é um lote composto por uma casa de cachorro da Costa Rica.
“Você tem o furo e o meteorito que o causou”, diz Hyslop. O cachorro, um pastor alemão chamado Roky, saiu ileso. (“Essa foi minha primeira pergunta”, diz Hyslop.) O quadro da casinha de cachorro (Lote 4) é estimado entre US$ 200.000 e US$ 300.000, enquanto o meteorito agressor (Lote 8) está sendo vendido separadamente, com uma estimativa de US$ 40.000 a US$ 60.000.
Um mercado (principalmente) global
Hyslop diz que os participantes que dão os lances agora estão espalhados pelo mundo. “No passado, a maioria dos compradores desse tipo de material estava nos Estados Unidos”, simplesmente porque durante anos os americanos foram os colecionadores mais comprometidos – e ricos – de itens colecionáveis extraterrestres. “Mas está se tornando um mercado cada vez mais global.”
A venda do ano passado teve compradores em 23 países, continua ele, “embora existam alguns pontos cegos geográficos, onde as pessoas simplesmente não compram meteoritos”. (A Rússia, aparentemente, é uma dessas demandas nulas.)
A maioria dos lotes é oferecida sem reserva, o que significa que, apesar de suas estimativas, um participante sortudo poderia sair pagando algumas centenas de dólares.
“Há outro pedaço de Marte estimado em US$ 120.000 a US$ 180.000″, diz Hyslop. “O primeiro lance será a partir de US$ 100.”
– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.
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