Bloomberg — A demanda frenética por ofertas públicas iniciais no Oriente Médio não mostra sinais de desaceleração, representando um raro momento propício, à medida que os investidores evitam listagens dos Estados Unidos para a Europa.
A empresa saudita de segurança digital, Elm, atraiu US$ 57 bilhões em pedidos institucionais para sua IPO nesta semana, quase 70 vezes a receita prevista. O preço está no topo de sua faixa, bem como o da Scientific & Medical Equipment House, por sua oferta pública em Riad.
Os investidores na Europa e nos EUA, por outro lado, permaneceram à margem durante a recente turbulência do mercado. Em Nova York, mais de US$ 4 bilhões em ofertas de SPACs foram canceladas este ano, enquanto a falta de demanda forçou a plataforma de recursos humanos dos Estados Unidos, Justworks e a startup holandesa, WeTransfer, a retirarem suas ofertas. A farmacêutica alemã Cheplapharm e o banco espanhol Ibercaja atrasaram seus planos de IPO.
Não é apenas a demanda local que impulsiona as vendas de ações no Oriente Médio, segundo Nicolas Skaff, chefe de ECM de mercados emergentes do JPMorgan Chase & Co, em Londres. “O interesse e o engajamento que estamos vendo dos investidores internacionais é o mais alto de já visto.”
O Citigroup está dobrando sua aposta de que as IPOs do Oriente Médio continuarão chegando a um recorde, reforçando sua presença na região. A maior cadeia de varejo de farmácias da Arábia Saudita, Al Nahdi Medical, iniciou esta semana a maior venda de ações do reino desde que a Saudi Aramco abriu seu capital em 2019.
E Dubai está tentando fechar a lacuna com as rivais regionais, Abu Dhabi e Riad, com uma série de listagens planejadas, incluindo a de sua principal concessionária, a Dubai Electricity & Water Authority.
“O Conselho de Cooperaçao do Golfo como um todo é uma boa pedida para investidores, especialmente porque as IPOs recentes tiveram um desempenho muito bom”, disse Rudy Saadi, chefe de ECM no Oriente Médio e Norte da África do Citigroup, observando o forte fluxo de negócios na Arábia Saudita e no Emirados Árabes Unidos.
Ainda assim, as IPOs no Golfo podem enfrentar condições mais difíceis à frente, já que as preocupações com o arrocho da política monetária abalam os mercados globais, tornando os investidores menos receptivos a novas listagens. Os altos preços do petróleo apoiaram recentemente os benchmarks de ações locais, mas a crescente competição entre os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita está criando discórdia no coração da OPEP.
E o Oriente Médio não está isento de riscos geopolíticos. Os combatentes houthis, do Iêmen, reivindicaram autoria de vários ataques raros nos Emirados Árabes Unidos nas últimas semanas, uma escalada de um conflito que está alimentando as tensões no Golfo.
– Com a colaboração de Farah Elbahrawy, Alya Fattah e Rafael Hakl.
– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
- Fortuna de Zuckerberg desaba US$ 31 bi após Meta decepcionar
- Lagarde: BCE não irá aumentar juros até o fim da compra de títulos
© 2022 Bloomberg L.P.








