PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Mercados

Bolsas de NY derretem com ameaça à Ucrânia e busca por Treasuries

Investidores avaliam as perspectivas de aperto monetário depois que os formuladores de políticas reagiram contra especulação de alta brusca de taxas

Mercados
Por Stephen Kirkland e Vildana Hajric
11 de Fevereiro, 2022 | 06:05 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Os mercados de ações dos EUA desabaram na tarde desta sexta, enquanto os investidores buscavam segurança nos Treasuries, após os EUA alertarem que a Rússia poderia iniciar uma ação militar ofensiva contra a Ucrânia já na próxima semana.

PUBLICIDADE

Ativos de risco ampliaram as perdas semanais após o Reino Unido e os EUA aconselharem os cidadãos a deixarem a Ucrânia conforme as tensões com a Rússia aumentam. O petróleo disparou porque um ataque russo pode levar a duras sanções dos EUA. A Rússia rejeitou repetidamente as acusações de que planeja invadir a Ucrânia.

O S&P 500 (SPX) caiu 1,9% e o Nasdaq 100 (NDX) caiu 3%, após as fortes perdas de quinta-feira em meio a apostas de um aperto mais rápido nos juros pelo Federal Reserve. Os títulos do Tesouro tiveram forte procura, com o rendimento de 10 anos (GT10) caindo 11 pontos base para cerca de 1,92%. O petróleo subiu, com o Brent atingindo US$ 95 o barril pela primeira vez desde 2014.

PUBLICIDADE

Há meses, os EUA alertam os aliados europeus que a Rússia pode estar se preparando para invadir a Ucrânia, reunindo quase 130 mil soldados perto da fronteira e realizando os maiores exercícios militares em anos na vizinha Bielorrússia. Os EUA alertaram sobre sanções econômicas se a Rússia atacar o vizinho, enquanto o Kremlin diz que a expansão da Otan para o leste ou a implantação de armas na Ucrânia são motivo de preocupação.

Uma potencial invasão russa da Ucrânia pode não apenas interromper o fornecimento de petróleo, mas também desencadear sanções retaliatórias dos EUA.

“As notícias da Rússia/Ucrânia deram outro golpe nos mercados, que já estavam sofrendo com os números insistentes da inflação e os comentários ultrajantes de autoridades do Fed”, escreveu Cliff Hodge, diretor de investimentos da Cornerstone Wealth, em nota. “Podemos ter mais risco de queda nas próximas semanas, à medida que os mercados reagem às manchetes”

O sell-off de sexta-feira ocorre um dia depois que uma leitura da inflação preocupante e comentários de um dirigente do Federal Reserve provocaram forte baixa nos negócios com ações e títulos. As chances aumentaram para aumentos mais rápidos das taxas, com alguns traders especulando que uma alta pode ocorrer antes mesmo da próxima reunião, programada para março. Essas preocupações foram efetivamente interrompidas nesta sexta-feira, quando o Fed sinalizou que prosseguiria com a última de suas compras de títulos antes do fim do programa no próximo mês. O banco central disse que não aumentará as taxas até que as compras terminem.

As preocupações com a inflação pesaram sobre o sentimento do consumidor dos EUA, que caiu ainda mais no início de fevereiro para uma nova mínima de uma década, à medida que as opiniões sobre finanças pessoais se deterioraram. O índice de sentimento da Universidade de Michigan caiu para 61,7, o menor desde outubro de 2011, de 67,2 em janeiro. Os consumidores esperam uma taxa de inflação de 5% no próximo ano, acima da leitura do mês passado de 4,9% e a mais alta desde 2008.

PUBLICIDADE

“Os investidores estão tentando dissecar o caminho e a velocidade de taxas de juros mais altas e menos suporte monetário”, escreveu Lindsey Bell, chefe de mercados e estrategista de dinheiro da Ally, em nota. Embora os mercados possam responder bem ao aperto lento e constante, “dada a falta de clareza sobre o pensamento do Fed no curto prazo, a angústia dos investidores pode persistir”, disse ela.

Enquanto isso, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou que uma corrida para apertar a política monetária pode prejudicar a recuperação econômica da região, e o economista-chefe do BCE, Philip Lane, defendeu que a inflação recorde na zona do euro deve diminuir sem medidas mais duras.

Os mercados estão trabalhando para se ajustar à retirada do estímulo da era da pandemia, enquanto as autoridades combatem a inflação. Embora a curva dos títulos do Tesouro tenha se inclinado ligeiramente na sexta-feira, a tendência mais ampla de achatamento sugere que os investidores esperam uma desaceleração do crescimento econômico à medida que o Fed aumenta as taxas e reduz seu balanço para conter as pressões sobre os preços.

“Espere que o caminho acidentado dos mercados continue e o risco/volatilidade seja maior” no primeiro semestre, escreveu Stuart Kaiser, chefe de pesquisa de derivativos de ações do UBS Group AG (UBS). “Os investidores precisarão avaliar as chances de um overshoot e vários meses de dados para se convencerem de que o pico da inflação foi definido.”

Alguns dos principais movimentos nos mercados:

Ações

  • O S&P 500 (SPX) terminou o dia com baixa de 1,9%;
  • O Nasdaq 100 (NDX) caiu 3,1%;
  • O Dow Jones Industrial Average (INDU) caiu 1,4%;
  • O índice MSCI World (MXWO) recuou 1,6%;

Moedas

  • O Bloomberg Dollar Spot Index (DXY) subiu 0,2%;
  • O euro recuou 0,8% a US$ 1,1341;
  • A libra britânica (GBP) subiu para US$ 1,3544;
  • O iene japonês (JPY) subiu 0,7% a 115,31 por dólar;

Renda fixa

  • O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos (GT10) recuou 11 pontos-base para 1,92%;
  • O rendimento de 10 anos da Alemanha subia um ponto base para 0,30%;
  • O rendimento de 10 anos da Grã-Bretanha subia dois pontos base para 1,54%;

Commodities

  • O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) subiu 4,3% para US$ 93,78;
  • Futuros de ouro subiram 1,5% para US$ 1.864,60.

Veja mais em Bloomberg.com