Pesadelo logístico para as vacinas prolonga pandemia global

Enquanto a falta de abastecimento foi a maior ameaça inicial para a vacinação de nações em desenvolvimento, o problema agora é a logística

Milhões vivem em distantes arquipélagos ou no topo de montanhas, com poucas estradas, transporte e infraestrutura
Por Andreo Calonzo
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Bloomberg — Depois de perder o filho para a covid-19 no ano passado, Tomasa Valdez, de 79 anos, estava desesperada para ser vacinada. Mas na ilha filipina de San Salvador, onde ela mora, não havia doses.

Chegar ao continente, onde as vacinas estavam disponíveis, significava um passeio de barco árduo para a idade dela e caro, dada a baixa renda de Valdez, advinda da secagem de ervas marinhas, que ela vende por menos de 100 pesos (US$ 1,95) o saco. A ajuda só chegou em dezembro de 2021 -– 10 meses depois que as Filipinas iniciaram seu programa nacional de imunização contra a covid e cerca de um ano depois que nações ocidentais como EUA e Reino Unido começaram os seus.

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Mesmo assim, profissionais de saúde tiveram que viajar em um barco motorizado de madeira, transportando equipamentos pesados para armazenar as vacinas pelo agitado Mar do Sul da China. “As vacinas realmente precisam ser levadas às pessoas, e não o contrário”, disse Noel Bueno, o médico que vacinou Valdez.

Enquanto a falta de abastecimento foi a maior ameaça inicial para os programas de vacinação das nações em desenvolvimento, o problema agora é a logística.

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Lugares como as Filipinas têm dificuldade para levar doses aos cidadãos, milhões dos quais vivem em distantes arquipélagos ou no topo de montanhas, com poucas estradas, transporte e infraestrutura.

Os países desenvolvidos estão chegando a ponto de escolher conviver com a covid e tratá-la como endêmica, com sistemas hospitalares protegidos por taxas de vacinação mais altas. Mas questões logísticas seguem atormentando países mais pobres, tornando-se um dos maiores desafios de saúde pública do mundo à medida que a pandemia entra em seu terceiro ano.

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As Filipinas têm uma das taxas de vacinação mais baixas da Ásia, apenas cerca de metade de sua população recebeu duas doses, de acordo com o Bloomberg Vaccine Tracker. Uma estrutura de testagem limitada e cara, um programa de rastreamento fragmentado e um sistema de saúde frágil dificultaram a eliminação de surtos da doença, apesar de vários bloqueios economicamente devastadores.

Nos últimos dias, o país registrou recordes diários de casos, potencialmente devido à disseminação da cepa ômicron, altamente contagiosa.

Os obstáculos que países em desenvolvimento enfrentam para ampliar o alcance de seus programas de imunização -- que podem se estender além da logística para questões como a hesitação com vacinas e rumores de redes sociais -- provavelmente travarão os esforços globais para conter o vírus. Novas variantes podem se proliferar em populações subvacinadas e prolongar a pandemia, como mostraram o surgimento e a disseminação da delta e da ômicron na Índia e na África.

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