PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Internacional

Biden e Putin falam por 50 minutos enquanto Rússia promove agenda de segurança

EUA e aliados temem uma invasão à Ucrânia já no próximo mês, antes que o terreno hoje congelado se transforme em lama na primavera

Putin Biden
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — O presidente americano, Joe Biden, e o presidente russo, Vladimir Putin, conversaram por telefone nesta quinta-feira, enquanto os EUA e seus aliados advertem sobre uma potencial invasão russa na Ucrânia.

O telefonema de 50 minutos começou às 15h35 no horário de Washington (17h35 em Brasília) e 23h35 em Moscou, de acordo com a Casa Branca.

PUBLICIDADE

Putin solicitou a ligação - que Biden atendeu em sua casa em Wilmington, Delaware, onde está em férias - como um prelúdio para as negociações sobre segurança europeia no início do ano, disse o Kremlin.

As negociações seguem uma videochamada entre Biden e Putin em 7 de dezembro, na qual o presidente americano afirmou um compromisso com a soberania e integridade territorial da Ucrânia e advertiu que a agressão russa enfrentaria penalidades econômicas sem precedentes.

Os EUA disseram aos aliados europeus que a maciça presença militar russa perto da Ucrânia pode ser uma preparação para uma invasão já no próximo mês, antes que o terreno hoje congelado se transforme em lama na primavera.

PUBLICIDADE

Segurança internacional

O Kremlin nega qualquer intenção de invadir seu vizinho, ao mesmo tempo em que exige garantias de segurança do Ocidente, que incluem a proibição da eventual expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte para abranger ex-Estados soviéticos, como Ucrânia e Geórgia, e a retirada das forças da OTAN na Europa para posições que ocuparam em 1997. Oficiais americanos e aliados da OTAN descreveram essas condições como impossíveis de iniciar.

Um alto funcionário dos EUA disse na quarta-feira que uma conversa bem-sucedida só pode ocorrer se houver desaceleração da investida russa na fronteira com a Ucrânia. Mas Biden concordou em participar porque acredita na diplomacia e porque a situação exige discussões entre os dois presidentes, disse o oficial.

As negociações de quinta-feira irão além da Ucrânia para incluir outras questões, como controle de armas, disse o oficial.

PUBLICIDADE

Os dois lados estão empenhados em entrar em 2022 com negociações diplomáticas de alto nível depois que a Rússia publicou um projeto de tratado de segurança após um telefonema entre os líderes no início deste mês. Os negociadores dos EUA e da Rússia se reunirão em 10 de janeiro, dois dias antes de um encontro do Conselho OTAN-Rússia. Os principais assessores de Putin e do chanceler alemão Olaf Scholz também planejam se reunir antes das conversações OTAN-Rússia.

Represálias econômicas

Os líderes europeus foram em grande parte reduzidos a espectadores, conforme EUA e Rússia barganharam sobre os parâmetros das negociações sobre a segurança do continente.

Os EUA e seus aliados ameaçaram Moscou com duras represálias econômicas se suas tropas marcharem para a Ucrânia, mas esses avisos mostram que o Ocidente, neste momento, só está disposto a avançar até certo ponto. Não se fala em enviar suas próprias tropas para a Ucrânia.

PUBLICIDADE

Apesar da decisão dos EUA de se envolverem em conversas entre Biden e Putin, as autoridades americanas têm insistido repetidamente que não farão acordos que mudem as preocupações da Ucrânia e dos aliados europeus. O secretário de Estado, Antony Blinken, ligou para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, na quarta-feira, e disse em um tweet que reafirmou “total apoio dos EUA à Ucrânia”.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, repetiu na terça-feira o que está se tornando a resposta padrão dos EUA à preocupação de que o governo Biden possa fechar seu próprio acordo com a Rússia, enquanto despita preocupações da Ucrânia e dos aliados europeus. “O princípio é inviolável - nada sobre eles sem eles”, disse ele.

A crise é uma repetição da disputa da primavera, quando Putin também concentrou forças perto da fronteira com a Ucrânia antes de recuar em abril, depois que Biden fez uma convocação para uma reunião de cúpula em junho.

PUBLICIDADE

--Com assistência de Irina Reznik e Evgenia Pismennaya.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

PUBLICIDADE