Toyota vê elétricos com 5% das vendas em 2030 na América Latina

Falta de diretrizes governamentais é parte da razão para a lenta adoção de veículos puramente elétricos, disse Masahiro Inoue, CEO para a região

Toyota vendeu mais de 25.000 híbridos-flex na América Latina até agora
Por Leonardo Lara
PUBLICIDADE

Bloomberg — A Toyota pode estar gastando cerca de US$ 35 bilhões globalmente em sua ofensiva de carros elétricos a bateria, mas na América Latina, os veículos elétricos representarão apenas cerca de 5% do mercado total da região em 2030, segundo o presidente e CEO da montadora japonesa para América Latina e Caribe.

A falta de diretrizes governamentais é parte da razão para a lenta adoção de veículos puramente elétricos, disse Masahiro Inoue, observando que, embora ele já tenha planos para 2030 em sua mesa, as autoridades no Brasil, onde a Toyota vende a maioria de seus carros na região, não desenhou um roteiro claro de descarbonização da mobilidade.

PUBLICIDADE

É importante o Brasil assumir a liderança, considerando que “é um dos raros países que têm uma indústria automobilística completa”, disse Inoue em entrevista à Bloomberg News. “No hemisfério sul só o Brasil tem essa situação”, acrescentou. Os países vizinhos poderiam seguir o que o Brasil decidir, seja adotando uma estratégia híbrida, híbrida-flex ou puramente elétrica.

Inoue prevê cerca de 6 milhões de carros sendo vendidos na América Latina e no Caribe, excluindo o México, em 2030, com cerca de metade desse volume apenas no Brasil. Embora isso represente um crescimento de 40% em relação aos níveis de 2021, ele calcula que apenas 5% desses carros sejam elétricos, os chamados EVs. Cerca de 10% poderão ser híbridos plug-in, enquanto quase 40% serão os chamados carros híbridos-flex, ou aqueles que possuem um motor elétrico combinado com outro a combustão, que pode rodar com gasolina ou etanol.

Veja mais: Fintech de crédito Addi capta US$ 200 mi para expansão na América Latina

PUBLICIDADE

A grande quantidade de híbridos-flex significa que a Toyota poderia ser capaz de produzir localmemte alguns componentes relevantes, disse Inoue. Atualmente a Toyota importa do Japão, por falta de escala, a parte híbrida dos carros híbridos-flex vendidos no Brasil.

Toyota Corolla Cross 2022Fotógrafo: Christopher Dilts / Bloomberg

A Toyota vendeu mais de 25.000 híbridos-flex na América Latina até agora, com o SUV Corolla Cross se mostrando particularmente popular na região desde seu lançamento em março, disse ele. A aceitação do novo modelo, com 30% das vendas na versão híbrida-flex, levou a Toyota a adicionar um terceiro turno em sua fábrica de Sorocaba, no estado de São Paulo, contratando mais 500 funcionários.

A montadora japonesa não é a única de olho nos híbridos-flex na América Latina. A Volkswagen AG definiu que o Brasil sediará e liderará o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento voltado para o estudo de soluções tecnológicas baseadas em etanol e outros biocombustíveis para mercados emergentes. A Nissan Motor Co. está trabalhando com parceiros na região em estudos em torno do carro com célula de combustível a etanol.

PUBLICIDADE

Akio Toyoda, o presidente global da Toyota, disse no início deste mês que os modelos EVs podem ser divididos em duas categorias, dependendo da energia que usam: veículos redutores de carbono, que não usam energia limpa, mas que resultam em emissão zero de CO2, e os veículos neutros em carbono, que funcionam com energia limpa e atingem zero emissões de CO2 em todo o processo de uso.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também