Bloomberg — Um grupo de gigantes de Wall Street decidiu ficar de fora de uma das maiores coalizões do setor: a Glasgow Financial Alliance for Net Zero.
A GFANZ, cujos membros administram US$ 130 trilhões, percebeu que não consegue atrair alguns dos principais nomes da gestão de ativos. Entre eles Pacific Investment Management Co., Fidelity Investments, Capital Group, T. Rowe Price, PGIM, Northern Trust Asset Management e as unidades de gestão de fundos do Goldman Sachs e Morgan Stanley.
No total, as oito firmas contatadas pela Bloomberg News representam mais de US$ 17 trilhões em ativos, mais do que o PIB combinado da União Europeia. Perguntadas sobre por que optaram não participar, apontaram seu dever fiduciário e relutância em se submeterem a regras externas.
Mark Carney, copresidente da GFANZ, passou grande parte de 2021 tentando atrair os gigantes financeiros que comandam os fluxos de capital para se comprometerem com a descarbonização. Ele buscou apresentar seus argumentos para uma comunidade que está focada em ganhar dinheiro. Em entrevista recente, o executivo de 56 anos garantiu que um compromisso com emissões líquidas zero de carbono não precisa ser negativo para os resultados financeiros. “Certamente não em uma base ajustada ao risco”, disse Carney.
Ryan Korinke, diretor-gerente e chefe global de sustentabilidade da Pimco, disse que a empresa “apoia fortemente iniciativas relacionadas ao clima e à sustentabilidade”. A empresa também oferece uma “gama completa de estratégias e produtos” que permitem administrar o dinheiro dos clientes de maneira consistente com as metas zero líquido, disse, descrevendo a Pimco como “líder” na incorporação de considerações ambientais, sociais e de governança, ou ESG na sigla em inglês, em seus processo de investimento.
“No entanto, como fiduciário, não acreditamos que seja apropriado fazer compromissos específicos em nome de nossos clientes, especialmente devido à complexidade dos desafios de longo prazo que temos pela frente”, disse Korinke. Por esse motivo, a Pimco decidiu participar da GFANZ, afirmou.
‘Investidor estratégico’
Uma porta-voz da Fidelity Investments, que administra US$ 4,2 trilhões, disse que a empresa “concorda muito” com as promessas de emissão zero como as propostas da GFANZ. A Fidelity “abordou essas questões com uma mentalidade de investidor cuidadosa e estratégica” e, após consideração cuidadosa, optou por “compromissos independentes em vez de assinar compromissos compartilhados”, disse.
O Capital Group, que administra US$ 2,6 trilhões, está “avançando” nas mesmas questões visadas pela GFANZ, de acordo com Jessica Ground, chefe global de ESG. A empresa está “alinhada com os objetivos subjacentes” da GFANZ e “destinando recursos significativos para avaliar o progresso e os impactos deste desafio estrutural”, disse. Mas até agora também evitou a aliança.
As divisões do setor bancário do Goldman Sachs e do Morgan Stanley fazem parte do subgrupo da GFANZ para bancos, mas as unidades de gestão de ativos permaneceram fora da aliança. Um porta-voz do Goldman Sachs disse que a unidade está “avaliando ativamente” a participação na subaliança para gestores de ativos e “apoia” seus objetivos. O Morgan Stanley não quis comentar.
Julie Moret, chefe global de investimento sustentável e governança da Northern Trust Asset Management, disse que a empresa de US$ 1,2 trilhão espera “avançar no sentido de assinar a iniciativa de gestores de ativos zero líquido”.
“No entanto, só o faremos quando nossa coleta e análise de dados estiver concluída sobre como os cortes de emissões podem ser mais bem implementados”, disse em comunicado por e-mail.
Um porta-voz da T. Rowe disse que a empresa está “considerando ativamente” aderir à iniciativa Net Zero Asset Managers. Um porta-voz da PGIM não quis comentar.
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