Barcelona, Espanha — Depois de os bancos centrais frustrarem as expectativas da maioria dos analistas, os mercados financeiros olham sobretudo para os dados sobre geração de empregos nos Estados Unidos, a ver se as manobras conservadores de política monetária são acertadas. As principais bolsas europeias operam com modesta valorização. Em Nova York, os futuros de índice também subia. Em sentido contrário, os mercados asiáticos fecharam em baixa.
Ontem, o Bank of England (BoE) surpreendeu ao manter inalteradas as taxas de juros – contrariando, inclusive, as recentes advertências de seu presidente, Andrew Bailey, sobre os aumentos inesperados dos preços e a necessidade de controlar a inflação.
Hoje, a principal influência vem do front macroeconômico com a divulgação de dados sobre emprego nos Estados Unidos esta manhã. Os analistas esperam bons números, a julgar pelos dados revelados esta semana pelo ADP Research Institute, que apontou a maior quantidade de postos de trabalho nas empresas americanas em quatro meses. O relatório do mercado de trabalho desta manhã deve mostrar que os EUA adicionaram 450.000 empregos em outubro, de acordo com a estimativa mediana de uma pesquisa da Bloomberg com economistas.
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Hora de ajustar os preços
Após os pareceres dos bancos centrais, o momento agora é de ajuste de preços, sobretudo no mercado de renda fixa. Mais que a decisão do BoE de manter os juros em 0,1%, o que aturdiu os economistas foi o placar. Foram 7 votos pela manutenção da taxa a somente 2 mais “agressivos”, a favor de um aumento de 15 pontos base. Isso se produziu apesar do aumento, pela autoridade monetária, da estimativa de inflação para 5% em abril de 2022, a projeção mais alta desde 2011.
O veredito do Banco da Inglaterra, somado também à atitude mais moderada do Federal Reserve (Fed), levou os títulos soberanos das principais economias a um grande ajuste, já que os operadores haviam embutido nos preços as expectativas de juros básicos mais elevados.
Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos os rendimentos dos títulos do Tesouro de dez anos caíram 7,7 pontos base, para 1,53%, o que representa seu maior declínio desde agosto. Já os prêmios dos títulos públicos com dois anos de prazo retrocederam 4,4% pontos. Há pouco, o rendimento do Tesouro a dois anos adicionava um ponto base, enquanto a taxa a 30 anos perdia a mesma proporção.
Produção de petróleo, a novela
Além das investidas de política monetária, outro fator que sacudiu os mercados – e tende a repercutir ainda hoje – foi a decisão da OPEP+ sobre a produção de petróleo. O cartel não atendeu aos pleitos do presidente dos EUA Joe Biden e decidiu manter o ritmo de produção de petróleo, com um aumento da ordem de 400.000 barris ao dia para dezembro – os EUA pedem o dobro desta quantidade para suprir a demanda em um cenário de recuperação econômica.
Ontem, o petróleo cru tipo WTI fechou com 2,54% de baixa, mas chegou a subir nada menos que 3,17% durante o dia. Hoje, os futuros de petróleo sinalizam alta.
No radar
- No Brasil: Nenhum indicador agendado. Balanços: Embraer e M. Dias Branco
- Informe de emprego dos Estados Unidos
- Pagamentos no setor não-agrícola
- Vendas no varejo da zona do euro
- Produção industrial da Alemanha e da França
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-- Com informações de Bloomberg News









