CEO do UBS dá opção de trabalho remoto aos que recusam vacina

Banco está introduzindo modelo de trabalho híbrido permanente global, para que pelo menos dois terços dos funcionários combinem o trabalho de casa e do escritório

“A pandemia forneceu soluções para gerenciar o risco de ser portador do vírus e transmiti-lo aos colegas, que é trabalhar de casa”
Por Marion Halftermeyer
02 de Setembro, 2021 | 08:42 AM

Bloomberg — Funcionários UBS que não queiram se vacinar contra o coronavírus podem solicitar o trabalho remoto, disse o CEO Ralph Hamers, sinalizando uma abordagem flexível sobre um tópico que tem dificultado os planos dos bancos para trazer as equipes de volta às mesas.

“Temos 25 mil funcionários só nos Estados Unidos e outros milhares em Singapura e Hong Kong, e cada país tem uma estrutura legal diferente sobre o que você pode e não pode tornar obrigatório” com relação às vacinas, disse Hamers durante o Fórum Econômico Suíço em Interlaken na quinta-feira. “A pandemia forneceu soluções para gerenciar o risco de ser portador do vírus e transmiti-lo aos colegas, que é trabalhar de casa.”

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Com a variante delta dificultando os esforços de Wall Street para a volta à vida no escritório, alguns bancos como o Deutsche Bank têm exigido comprovante de vacinação para a entrada nos edifícios e incentivado a imunização. Hamers está introduzindo um modelo de trabalho híbrido permanente para o banco globalmente, permitindo que pelo menos dois terços dos funcionários combinem o trabalho de casa e do escritório.

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O UBS é o maior banco da Suíça, com cerca de 70 mil funcionários no mundo todo. Embora o UBS tenha adotado um tom mais ameno em relação aos modelos de trabalho pós-pandemia do que alguns de seus rivais, devido à necessidade de operadores trabalharem nos escritórios esses profissionais são praticamente obrigados a se vacinarem para manterem seus cargos.

Hamers disse em julho que traders fazem parte de “25% a um terço” do quadro de funcionários do banco para os quais é “realmente difícil” trabalhar em casa. Enquanto governos tentam incentivar céticos a se vacinarem, empresas usam cada vez mais o acesso às instalações como um incentivo claro.

Funcionários, fornecedores e clientes que queiram entrar no Deutsche Bank Center na Columbus Circle, em Nova York, terão que apresentar comprovante de vacinação, segundo uma pessoa a par do assunto. É uma ampliação da diretriz divulgada no início de agosto, quando o banco disse que apenas funcionários totalmente vacinados teriam acesso aos pregões dos EUA.

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Ceticismo contra vacina

A Suíça está atrás de outros países europeus em termos de porcentagem da população com imunização completa.

O número de casos de Covid-19 se estabilizou em um nível alto, e o governo adiou a decisão de exigir comprovante de vacinação, recuperação da Covid ou um teste negativo para o acesso a restaurantes e academias de ginástica. Unidades de terapia intensiva estão sob pressão nos últimos dias, e apenas 52% dos suíços completaram a imunização.

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Hamers destacou que a maioria dos funcionários que não queiram se vacinar têm a opção de trabalhar remotamente.

“Já identificamos que dois terços de nossas funções podem continuar com o trabalho em casa e, portanto, estamos desenvolvendo um modelo de trabalho híbrido”, disse. “Haverá dias em vamos querer ir e trabalhar fisicamente em equipe.”

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