(Bloomberg) – As temperaturas recorde registradas no Canadá e na Escandinávia e os extensos incêndios na Califórnia e no extremo leste da Rússia são alguns dos eventos climáticos extremos registrados no início do verão no hemisfério norte.
As temperaturas em diversas cidades no norte da península escandinava atingiram recordes de alta no fim de semana, segundo agências meteorológicas locais. Ao mesmo tempo, a fumaça e a intensidade do calor de incêndios no leste da Rússia, no oeste dos Estados Unidos e na província de Colúmbia Britânica, no Canadá, estão sendo monitorados pela agência do projeto Copernicus da Europa.
“Esses incêndios estão ocorrendo com muita intensidade e emitindo grandes quantidades de fumaça na atmosfera”, afirmou Mark Parrington, cientista sênior e especialista em incêndios do Serviço de Monitoramento Atmosférico do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês). “Um número significativo de incêndios ocorre normalmente em regiões mais secas e com temperaturas mais altas, e evidências prévias sugerem que pode ser o caso desses incêndios”.
As temperaturas extremas estão se acumulando no que deve ser um verão intenso, à medida que o planeta se aquece. A mudança climática está intensificando muitos padrões meteorológicos incomuns, e cientistas conseguem detectar sua influência praticamente em tempo real. Esse foi o caso durante a onda de calor que atingiu o Canadá e o noroeste dos Estados Unidos neste ano, assim como a onda de calor que atingiu a Sibéria no ano passado.
Incêndios acima do Fraser River Valley, próximo a Lytton, Colúmbia Britânica, Canadá, em 2 de julho. Créditos: James MacDonald/Bloomberg
No Círculo Polar Ártico, cidades e vilas passam pelo tempo mais quente de décadas. As temperaturas em Nikkaloukta, Suécia, atingiram 29,9°C no domingo, o dia mais quente desde 1950, quando os registros começaram. Na Finlândia, as temperaturas chegaram a 33,5°C em Kevo, Utsjoki, segundo tweet do Instituto Meteorológico Finlandês na segunda-feira. É o segundo maior registro em Lapland, superado apenas por 34,5°C em 1914.
Pesquisas apontam que uma onda de calor grave e persistente na região escandinava em 2018 ocorreu provavelmente devido à mudança climática causada pela atividade humana, segundo Nikos Christidis, cientista do Met Office do Reino Unido.
O Instituto Meteorológico Sueco (SMHI, na sigla em inglês) afirmou que há alto risco de incêndios florestais em Lapland e outras regiões do norte da Suécia. Existe também o perigo de escassez de água em outras partes do país. O sistema de alta pressão que causou o aumento de temperaturas está se dispersando, mas as temperaturas ficarão acima de 30°C na maior parte do norte da Suécia, segundo Johan Wiksten, meteorologista do SMHI.
Em outros locais do hemisfério norte, o calor e a seca resultam em incêndios graves, segundo o programa Copernicus. Na República de Sakha, na Rússia, e no Distrito Federal do Extremo Oriente Russo, a intensidade dos incêndios se compara aos níveis observados em junho nos dois últimos anos, que também foram os piores registrados. Se os incêndios e as condições climáticas continuarem no mesmo caminho, isso pode levar a impactos semelhantes no resto da estação, segundo o programa Copernicus.
As regiões no oeste dos Estados Unidos e na Colúmbia Britânica, no Canadá, afetadas por secas intensas, também foram atingidas por incêndios no início da estação. O poder radiativo do fogo por dia – medida de emissão de calor – ficou bem acima da média no Arizona durante todo o mês de junho, emitindo fumaça de poluição na atmosfera. As leituras de satélite apresentaram uma intensidade especialmente forte de incêndios concentrados na Colúmbia Britânica e na Califórnia.
Os incêndios florestais são mais responsáveis pelo aumento da poluição atmosférica que as emissões industriais, pois produzem uma combinação de partículas, monóxido de carbono e outros poluentes, de acordo com o programa Copernicus. A fumaça representa sérios riscos de saúde, não apenas a quem vive próximo dos incêndios, mas também aos que vivem longe, já que o vento pode transportar as cinzas por centenas ou milhares de quilômetros.
Para entrar em contato com os autores deste artigo: Laura Millan Lombrana em Madri – lmillan4@bloomberg.net Lars Paulsson em Estocolmo – lpaulsson@bloomberg.net
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