(Bloomberg) -- Negociações entre a União Europeia e os EUA para reconhecer passes de vacinação enfrentam obstáculos devido à ausência de um sistema de certificação federal americano, segundo memorando diplomático visto pela Bloomberg.
No entanto, embaixadores da UE foram informados em reunião na quinta-feira de que a Comissão Europeia está em estágio avançado de negociações com o Reino Unido e em contato com o Japão, Austrália e Canadá. As discussões com o governo canadense foram descritas como promissoras, e autoridades esperam que os certificados Covid da UE sejam reconhecidos em setembro, quando o Canadá deve reabrir as viagens para visitantes não americanos, diz o memorando.
A Europa e grande parte do mundo ocidental começam gradualmente a retomar as viagens aéreas depois da paralisação quase completa ao longo da pandemia. Mas com a variante delta liderando os casos em grande parte da UE e taxas de vacinação e infecção com variações significativas entre os países, as regras permanecem irregulares. Alguns países exigem quarentena, enquanto outros permitem apenas a entrada de pessoas vacinadas.
Os EUA têm sido lentos em suspender a proibição de visitantes da maior parte da Europa imposta durante o governo Trump e mantida pelo presidente Joe Biden.
A UE lançou o passe Covid, que também registra testes negativos, no início do mês. A comissão disse a embaixadores que, até 19 de julho, mais de 290 milhões de certificados foram emitidos, dos quais 230 milhões são passes de vacinação. Também destacou que, no início de julho de 2021, o tráfego aéreo havia aumentado 20% e a expectativa era de que atingisse mais de 60% dos níveis de 2019 neste mês.
Alguns estados membros agora exigem um passe Covid para a entrada em determinados eventos e locais, como estádios de futebol e espaço interno de restaurantes. O braço executivo do bloco explicou que as negociações com países não pertencentes à UE visam garantir que os passes sejam interoperáveis e atendam aos padrões técnicos e de segurança.
As negociações com os EUA estão em andamento desde o mês passado, quando os dois lados criaram uma força-tarefa para estudar como retomar as viagens transatlânticas. O conceito de passaportes para vacinas tem encontrado resistência significativa nos EUA, especialmente dos republicanos.
O corredor do Atlântico Norte, que conecta os Estados Unidos à Europa, é o segmento mais lucrativo do mercado de aviação global, repleto de viajantes premium que pagam a mais por assentos na primeira classe e na executiva.
A capacidade de assentos entre os EUA e os principais mercados europeus, incluindo França, Alemanha e Itália, corresponde a cerca de 70% do nível anterior ao início da pandemia, de acordo com dados do rastreador de voos OAG.
Na semana passada, os EUA elevaram o alerta e desaconselharam viagens ao Reino Unido diante do aumento de casos de Covid-19 no país.
A comissão disse a embaixadores na reunião desta semana que havia recebido pedidos de reconhecimento mútuo de vacinas de vários países, incluindo o Macedônia do Norte, Turquia, Israel, Marrocos e Ucrânia. A UE já chegou a um acordo com a Suíça e deverá fazê-lo em breve com Santa Sé, San Marino, Andorra e Mônaco.
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