(Bloomberg) — Os contratos do grão arábica subiram mais de 27% nesta semana - o maior ganho desde 1999, impulsionados pela pior geada em duas décadas no Brasil. O dano causado pela onda de frio é especialmente prejudicial para cafeeiros jovens, o que pode prejudicar a produção por anos.
O clima instável no país pressiona ainda mais a inflação de alimentos. Um índice dos custos globais das Nações Unidas já está perto do maior nível em uma década. As condições adversas em alguns dos principais produtores agrícolas têm reduzido os estoques das safras no último ano, e o forte ritmo de compras da China contribuiu para o aperto.
Os futuros do café arábica subiram 6%, para US$ 2,053 por libra-peso, às 10h32 no horário de Londres, depois do salto de 8,2% na ICE Futures US. É o nível mais alto para um contrato mais ativo desde outubro de 2014. Os preços em Londres para o grão robusta, mais usado em café instantâneo, atingiram o maior patamar em três anos.
Esse cenário pode elevar ainda os preços em cafeterias e supermercados. A última vez que uma forte geada atingiu o Brasil, em 1994, os preços do café no varejo subiram para nível recorde. A onda de frio é um segundo golpe para os cafeicultores, que já enfrentaram uma forte estiagem que deixou os campos ressecados e secou os reservatórios necessários para a irrigação. A seca também afetou lavouras de milho a açúcar, commodities onde o Brasil também se destaca entre os principais fornecedores.
O comércio de alimentos também é confrontado com o aumento dos custos de frete e escassez de contêineres em meio à flexibilização das restrições da pandemia e recuperação das economias. As exportações de café do Brasil têm diminuído desde maio devido aos contínuos gargalos logísticos. Alguns fornecedores que contrataram cargas com tarifas mais baratas anteriormente enfrentam cancelamento das exportações por armadores, de acordo com um grupo de exportadores.
Um extra de 5% de cafeeiros nas principais áreas produtoras do sul de Minas e Mogiana terão que ser podados além da faixa típica de poda de 10% a 20%, o que reduz as perspectivas para a safra 2022-2023, disse Carlos Mera, chefe de pesquisa agrícola do Rabobank International. Mera espera uma possível desaceleração da produtividade no Brasil nos próximos três a quatro anos.
O risco de geada volta no final do mês com previsões de ondas de frio nas regiões cafeeiras do Paraná e Mato Grosso do Sul. Há também uma pequena chance de que a geada, que seria a terceira deste ano, se estenda a São Paulo e Minas Gerais.
Com a colaboração de Marvin G. Perez e Fabiana Batista.





