Mesmo trabalho, salários diferentes: mulheres ganham US$ 200 mil a menos

Empresas continuam pagando menos para as mulheres porque o público não fica sabendo

Mulheres executivas continuam recebendo menos que seus colegas de trabalho
Por Michelle Leder
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(Bloomberg Opinion) Em abril, a morte repentina de Lee Delaney, presidente da empresa da BJ’s Warehouse Club, iniciou uma série de decisões executivas nas quais a antiga controladora Laura Felice substituiu o CFO Bob Eddy, que assumiu o cargo de CEO. Apesar de respeitar as dificuldades e o luto, reparei nos salários oferecidos aos executivos recém-nomeados. O novo CEO recebeu o mesmo US$ 1,2 milhão que Delaney recebia, mas o salário de Felice ficou em US$ 600 mil, quase US$ 200 mil a menos do que Eddy recebia no cargo.

Normalmente, não costumo defender salários mais altos para executivos de alto escalão. Eu busco arquivos corporativos para encontrar alguns exemplos de remunerações e benefícios exorbitantes há quase duas décadas, mas é difícil ignorar uma situação em que a mulher recebe muito menos pelo mesmo trabalho.

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Esse exemplo é recorrente. A primeira vez que observei esse fenômeno foi em 2012, quando escrevi um artigo sobre Ginny Rometty, que havia sido nomeada CEO da IBM, mas recebia US$ 300 mil a menos que Sam Palmisano, o homem cujo cargo ela recebeu. Ao longo dos anos, documentei dezenas de outros casos. É difícil saber o tamanho exato do problema, porque as empresas não divulgam essas informações. É necessário observar vários arquivos pra juntar as peças.

Existem exceções. Quando a Lululemon nomeou Meghan Frank como nova CFO em novembro do ano passado, seu salário-base foi estabelecido em US$ 550 mil, exatamente o que Patrick Guido recebia como CFO antes de abandonar o cargo em maio de 2020. Mesmo empresas direcionadas a mulheres que deveriam, portanto, dar importância à paridade salarial nem sempre o fazem. A varejista de roupas e acessórios J. Jill Inc., por exemplo, recentemente estabeleceu o salário-base da nova CEO Claire Spofford em US$ 900 mil, US$ 300 mil a menos que Jim Scully, homem que detinha o cargo de CEO interino. A J. Jill não quis comentar.

Mais impressionante é quando uma empresa no auge dos negócios nos Estados Unidos – por exemplo, uma empresa do índice Dow 30 – estraga uma oportunidade de se tornar um exemplo positivo. A Merck & Co. recentemente nomeou Caroline Litchfield como nova CFO com salário de US$ 900 mil; o homem que ocupava o cargo anteriormente recebia US$ 1,1 milhão. Quando eu fiz um tweet sobre isso, recebi a reação comum de que uma CFO inexperiente precisa subir no cargo. Porém, quando a Merck contratou o atual CEO, Robert M. Davis, como CFO em 2014, o salário-base foi estabelecido em US$ 950 mil – US$ 50 mil a mais que o salário de Litchfield em 2021.

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A Merck e a BJ’s defenderam suas decisões sobre remuneração. Um porta-voz da Merck observou que Davis já tinha cinco anos de experiência como CFO da Baxter International quando foi contratado em 2014 e a empresa havia “investido” no “desenvolvimento acelerado na carreira” de Litchfield e espera que sua remuneração aumente, além de afirmar que mulheres compõem um terço de sua diretoria e 36% do corpo de executivos seniores. Uma porta-voz da BJ’s afirmou que Eddy tinha mais responsabilidades quando era CFO que Felice e que a empresa “se compromete a remunerar todos os membros de forma justa independentemente de gênero”.

As mulheres progrediram nos cargos de alta gestão. Elas representam quase 14% de todos os diretores nas empresas do índice Russel 3000, uma alta de 60 pontos percentuais na última década, segundo a Equilar Inc. Mas esse número ainda é baixo. Se é a falta de experiência que impede as mulheres de receberem salários mais altos, tenho outra pergunta: Onde elas deveriam obter a experiência e as responsabilidades necessárias para receber o mesmo salário dos homens? As desigualdades de oportunidade também são um problema.

As empresas continuam pagando menos para as mulheres porque o público não fica sabendo. Contanto que as informações continuem escondidas e ninguém as procure, o problema não vai sumir. A Securities and Exchange Commission deve exigir mais transparência quanto à proporção dos salários por gênero e raça para todos os cargos, desde a base até os executivos. As disparidades precisam ser mais embaraçosas.

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