(Bloomberg) – A sentença de 22 anos e meio proferida pelo juiz no final de junho para Derek Chauvin, ex-policial de Minneapolis condenado pelo assassinato de George Floyd, não é completamente inédita, mas continua sendo incrivelmente rara.
Nos últimos 15 anos, 11 policiais foram condenados nos Estados Unidos por assassinatos cometidos em serviço, de acordo com uma análise do professor Philip Stinson, da Bowling Green State University. Esses homens receberam uma sentença de, em média, 22 anos, variando entre 7 anos à prisão perpétua. Mais de 1.000 pessoas foram mortas por policiais em serviços todos os anos desde 2013 – índice anual estável, segundo a organização Mapping Police Violence, que monitora mortes por policiais em todo o país.
No mesmo período, oito policiais foram condenados por assassinato, segundo a análise de Stinson. “Na maior parte desses casos, onde há uso excessivo de força, o policial é exonerado do cargo”, afirmou Stinson. Do lado de fora do tribunal, o procurador Ben Crump, nacionalmente conhecido por representar vítimas de violência policial, afirmou que “o ocorrido é uma oportunidade para mudar os Estados Unidos. Esta é a maior sentença para um policial na história do estado de Minnesota”. O Presidente Joe Biden afirmou a repórteres na Casa Branca que a sentença “parece adequada”. As acusações contra Chauvin possuem sentença recomendada entre 10 e 15 anos, porém o abuso de seu cargo de policial e a crueldade de suas ações aumentaram a pena, segundo proferimento do Juiz Peter Cahill.
Um grupo de senadores bipartidários está negociando uma lei para revisar as práticas policiais nos Estados Unidos. O atual conflito é estabelecer mais responsabilidade para policiais que utilizem força excessiva.
Ainda assim, Stinson afirmou que a pena de Chauvin provavelmente não vai iniciar uma nova era de responsabilidade policial. O caso de Chauvin explodiu parcialmente devido ao vídeo aterrador do transeunte, o que ainda é incomum, segundo Stinson.
Mortes por policias frequentemente não são consideradas crime. As evidências não são coletadas na cena do crime, e promotores confiam muito nas declarações dos policiais sobre um incidente, afirmou Stinson.
“A violência em serviço simplesmente não é tratada como crime”, afirmou. “As verdadeiras mudanças devem ocorrer na cultura policial”.
(Atualizado com os comentários de Biden e Crump no quinto e sexto parágrafos).
Para entrar em contato com a autora deste artigo: Fola Akinnibi, Nova York: fakinnibi1@bloomberg.net
© 2021 Bloomberg L.P.
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