Não existem empregos ruins neste mercado de trabalho aquecido

Existem muitos casos de empregadores que aumentam os salários e oferecem bônus, cartões-presente e outros benefícios para atrair e manter os trabalhadores nos setores que pagam salário mínimo.

De fevereiro de 2020 a maio de 2021, a média do salário por hora nos setores de varejo
Por Michael R. Strain
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(Bloomberg Opinion) – A melhoria das oportunidades para trabalhadores que recebem salário mínimo estão causando a aceitação do que muitos dizem ser empregos “ruins”. A pergunta é: como os Estados Unidos podem manter esses ganhos?

No momento, os salários do setor de fast food competem com os do setor industrial. Os negócios, que frequentemente lamentam a escassez de empregos mesmo quando há muitos candidatos qualificados, estão tomando atitudes perante as próprias reclamações. Existem muitos casos de empregadores que aumentam os salários e oferecem bônus, cartões-presente e outros benefícios para atrair e manter os trabalhadores nos setores que pagam salário mínimo.

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Em muitos cargos, o salário é baixo. Antes da pandemia, dados do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos constataram que o salário médio de trabalhadores do setor de fast food era de US$ 10,93 por hora. Garçons recebiam US$ 11 e metade de todos os caixas e trabalhadores do varejo recebiam menos de US$ 12 por hora. Trabalhadores braçais, transportadores e estoquistas que façam trabalho manual recebiam salário médio de US$ 14,19 por hora.

Nos últimos meses, muitos trabalhadores nesses cargos tiveram ganhos consideráveis. De fevereiro de 2020 a maio de 2021, a média do salário por hora nos setores de varejo, lazer e hospitalidade aumentaram 7,8% e 7%, respectivamente, em comparação ao aumento de 6,4% para todos os trabalhadores.

O aumento rápido dos salários é muito bem-vindo. Muitos dos que reclamam sobre o salário baixo argumentam que sua causa é a dinâmica de poder entre funcionários e empregadores. Contudo, são as forças de mercado que estão motivando os aumentos nos salários.

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A demanda está aumentando graças aos trilhões de dólares de estímulo que circulam pela economia reaberta e às economias familiares disponíveis para gasto. Ao mesmo tempo, a generosidade do seguro-desemprego, a escassez de creches, o aumento de aposentadorias precoces e a preocupação com o vírus significa que poucos trabalhadores podem atender a essa necessidade.

A taxa de adultos na força de trabalho ficou estável no último ano. Como os empregadores devem competir pelos trabalhadores disponíveis, a remuneração está aumentando.

Essa situação não vai ser duradoura. No segundo semestre, o estímulo econômico vai ser encerrado e as famílias vão diminuir os gastos. A demanda voraz dos empregadores por mais funcionários também vai diminuir.

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Até lá, mais pessoas retornarão ao mercado de trabalho, o seguro-desemprego será normalizado, e as crianças voltarão para as escolas. A menor demanda de empregadores e a maior disponibilidade de funcionários significa que o salário médio voltará aos níveis normais.

Voltar ao normal significa que as pessoas voltarão para os chamados empregos ruins? Os progressistas argumentarão que é responsabilidade do governo garantir que isso não aconteça e pedir um apoio público mais generoso.

O que podemos levar da situação atual não é que os empregos que pagam salário mínimo são ruins. Não é o caso. Os órgãos reguladores devem continuar apoiando e incentivando o trabalho em vez de depreciar empregos que pagam salário mínimo como se não fossem dignos. Existem três conclusões melhores.

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Primeiramente, não é de bom tom argumentar que o sucesso atual de quem recebe salário mínimo implica que esses empregos são ruins. A situação atual demonstra exatamente o oposto: muitos funcionários pode utilizar esses empregos para conseguir posteriormente melhores oportunidades. No início deste ano, observamos que os funcionários podem percorrer esse caminho – por exemplo, alguém que recebe um salário relativamente baixo em um supermercado e aproveitou o atual mercado de trabalho para encontrar um cargo com melhor remuneração operando máquinas.

Em vez de desistir dos empregos com salários mais baixos, os órgãos reguladores devem focar em formas de ajudar trabalhadores a melhorarem suas habilidades para que estes possam receber salários melhores e ascender na carreira, utilizando esses empregos como ponto de partida. Programas de estágio se mostraram eficazes em aumentar os salários parcialmente porque os empregadores determinam as habilidades aprendidas. Ao contrário do treinamento tradicional do governo, esses programas garantem que os funcionários aprendam habilidades que os empregadores realmente desejam em novos funcionários.

Em segundo lugar, na escassez de candidatos, os empregadores contratam pessoas com menos habilidades ou experiência. Além disso, os empregadores provavelmente realizam mais treinamentos para que os novos funcionários se atualizem.

Isso sugere que, normalmente, muitos empregados contam muito com a experiência e as credenciais quando avaliam candidatos. Alguns empregadores podem encontrar funcionários melhores se focarem nos candidatos que conseguem desempenhar as funções necessárias – mesmo se for necessário treinamento adicional – e menos nos tipos de informações listadas em currículos padrões.

Por fim, o aumento da mobilidade vertical demonstra que o crescimento econômico rápido beneficia a todos – inclusive aqueles que recebem menos.

Tanto progressistas quanto conservadores devem aprender que o melhor programa de empregos é uma economia aquecida.

Para entrar em contato com o autor deste artigo: Michael R. Strain – mstrain4@bloomberg.net

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