Inter amplia oferta de fundos nos EUA e busca elevar base de 6,4 mi de contas globais

Banco digital passou a distribuir fundos UCITS, domiciliados na Irlanda, a clientes de 16 nacionalidades e tenta converter em aplicador quem só usa a conta em dólar para viajar; operação internacional cresceu 37% em 12 meses

escritorio do banco inter em miami
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Bloomberg Línea — Diante de uma briga cada vez mais acirrada de bancos e fintechs por clientes com contas no exterior, o Inter (INTR) tem buscado ampliar a oferta de produtos para investidores que buscam oportunidades em aplicações fora do Brasil.

A iniciativa ocorre em um momento de expansão da base de clientes do banco digital com contas nos Estados Unidos.

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A operação internacional do Inter reunia, em 30 de julho, 6,4 milhões de contas cadastradas, das quais 6 milhões de brasileiros e cerca de 400 mil de residentes nos Estados Unidos, segundo informou à Bloomberg Línea Cassio Segura, responsável pelo hub internacional da companhia em território americano.

O número cresceu 37% em 12 meses, e cerca de 80% dessas contas movimentam dinheiro, informou o executivo. Investidores, porém, são 1,1 milhão.


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É essa diferença entre cadastro e aplicação que orienta a estratégia.

Segura descreve cinco perfis atendidos pela estrutura: o viajante, que usa a conta em dólar nas férias; o investidor; o chamado global worker, brasileiro que recebe em moeda estrangeira por trabalho remoto; o imigrante recém-chegado aos Estados Unidos, sem histórico bancário local; e a pequena e média empresa com operações em várias moedas.

A maior parte dos 6 milhões de brasileiros, afirmou, pertence ao primeiro grupo.

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O passo mais recente para converter essa base foi a distribuição de fundos de índice domiciliados na Irlanda para clientes que não são residentes nos Estados Unidos. O movimento amplia a prateleira da corretora americana do Inter e coloca o banco em disputa direta por um investidor que não é necessariamente brasileiro.

Os produtos são geridos por casas globais como BlackRock (BLK), Vanguard e Invesco (IVZ), e distribuídos pela Inter Securities, a corretora do grupo nos EUA, responsável pelas operações de investimento no país, de acordo com comunicado da companhia.

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Os fundos em questão são os chamados UCITS (sigla em inglês para organismos de investimento coletivo em valores mobiliários, regulados pela União Europeia), veículos majoritariamente domiciliados na Irlanda e negociados fora das bolsas americanas.

Eles interessam ao investidor estrangeiro por uma razão fiscal: não estão sujeitos ao imposto de sucessão que os EUA cobram sobre patrimônios acima de US$ 60 mil mantidos em ativos listados no país, e sofrem retenção menor na distribuição de dividendos.

Ações do Inter (INTR)

7.18USD+2.06%
+0.15 USD
1D
1M
3M
YTD
1A
3A
5A
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Nascida em Belo Horizonte e listada na Nasdaq desde 2022, a instituição opera hoje uma estrutura financeira global sediada nos Estados Unidos que atende clientes de 16 nacionalidades.

Fora os brasileiros, as nacionalidades mais frequentes na base são americanos, colombianos e argentinos, reflexo da composição das comunidades da Flórida, principal mercado do banco nos Estados Unidos, segundo Segura.

Cerca de 65% dos clientes americanos estão na costa leste. Mexicanos aparecem menos porque se concentram no Texas e na Califórnia.

ETFs em alta

Entre os clientes que já investem, os fundos de índice ganharam espaço. Cinco dos dez ativos mais comprados na plataforma são ETFs, de acordo com Felipe Marcilio, head de Investimentos Globais do Inter.

O executivo faz questão de qualificar a métrica: ela mede quantos produtos aparecem entre os mais populares, não quanto dinheiro foi alocado em cada um. O banco prefere olhar assim, disse, porque a leitura por volume privilegiaria a parte mais rica da base.

Os ETFs alavancados, que ganharam tração no mercado americano com a corrida por inteligência artificial e robótica, não aparecem entre os principais ativos comprados pelos clientes, afirmou Marcilio. O que a corretora observa, segundo ele, é a procura por exposição a setores e indústrias que o investidor não encontra no mercado doméstico.

Questionado sobre o que o Inter oferece nessa classe de ativos que os concorrentes ainda não oferecem, já que o BTG Pactual (BPAC11) distribui fundos irlandeses desde o início do ano, Marcilio não apontou vantagem técnica no produto.

“Os UCITS são produtos de mercado”, disse o executivo.

Ele deslocou o argumento para a amplitude da plataforma: cartão de crédito internacional, conta transacional nos EUA, crédito imobiliário, gift cards e programa de pontos reunidos no mesmo aplicativo. Clientes que entraram por um produto passaram a usar outros, afirmou, e esse trânsito interno é o que a companhia considera seu diferencial competitivo.

Perfil do investidor

O perfil de quem investe também está mudando, segundo Marcilio. Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) formam o grupo mais representativo da base, mas a geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) é a que cresce mais rápido.

Mudou também o comportamento: aumentou o número de clientes que fazem aportes recorrentes, em vez de esperar um momento favorável do câmbio para enviar uma quantia maior de uma só vez.

Para o segundo semestre, Segura afirmou que a prioridade é ampliar o alcance geográfico do aplicativo, sem definir países-alvo. A operação americana dá acesso ao mercado dos EUA a clientes de qualquer país, e a meta é reduzir barreiras de entrada, como valores mínimos. O aporte inicial na plataforma é de US$ 5, informou o executivo.

“Queremos ter o nosso app disponível globalmente”, disse Segura.

A infraestrutura de pagamentos é apresentada como vantagem: 80% das transferências internacionais são liquidadas em menos de uma hora, e 65%, em menos de um minuto, de acordo com o executivo.

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Concorrência

A disputa por esse cliente nos Estados Unidos não é nova. O BTG Pactual passou a oferecer contas internacionais nos EUA em 2023 e, em janeiro, concluiu a compra do M.Y. Safra Bank, rebatizado de BTG Pactual Bank, com licença para captar depósitos e conceder crédito diretamente no mercado americano.

O Bradesco (BBDC4) firmou parceria com a fintech BCP Global, de Miami, em dezembro de 2021, para distribuir carteiras globais geridas com a BlackRock (BLK), e mantém operação bancária própria em território americano há décadas.

O Nubank (NU) estreou no mercado dos EUA neste mês, em parceria com o Lead Bank, ainda sem oferta equivalente de investimento internacional.

O Inter chegou ao país em agosto de 2021, com a compra da fintech Usend, especializada em remessas. Em 8 de setembro, anunciou o início da operação na Argentina, em parceria com o Grupo BIND.

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