Renner vê 2027 mais difícil e deve segurar o ritmo de abertura de lojas, segundo CEO

Varejista de moda retira projeção de vendas até 2030, aguarda definição da política econômica após a eleição e protege margens diante de consumidoras endividadas e da concorrência estrangeira

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Bloomberg Línea — A Lojas Renner (LREN3) retirou as projeções de crescimento de receita para 2026 e para o período até 2030 e se prepara para um 2027 de consumo mais apertado, sem acelerar a abertura de lojas e com foco em proteger a rentabilidade.

A decisão vem depois de um terceiro trimestre de vendas abaixo do esperado, em que a rival C&A (CEAB3) teve desempenho melhor em vestuário, segundo o JPMorgan.

A dona das marcas Renner, Youcom e Camicado viu a receita líquida de varejo cair 1,6% entre julho e setembro, para R$ 3,03 bilhões. A margem bruta de varejo, por outro lado, subiu 0,4 ponto percentual e chegou a 55,5%, recorde para o período, com ajuda do câmbio e de ganhos de eficiência, informou a empresa.

A varejista gaúcha manteve as demais metas até 2030, como ROIC (retorno sobre o capital investido) de cerca de 20% e distribuição de 50% a 80% do lucro aos acionistas. Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO Fabio Faccio explicou que o cenário mudou desde que o plano foi apresentado.

“Quando a gente fez as projeções de crescimento, ali em dezembro de 2025, as premissas que a gente usou eram muito diferentes das que estão acontecendo hoje”, disse Faccio.

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Segundo o executivo, o PIB deve crescer menos do que se previa, a inflação e os juros ficaram mais altos e o endividamento das famílias aumentou. A concorrência piorou com o benefício fiscal federal dado às plataformas estrangeiras de comércio eletrônico, distorção que ele espera ver corrigida pelo governo em dezembro.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva trouxe mais incerteza. Para Faccio, ainda falta clareza sobre a condução da economia no novo mandato.

“A gente está recém saindo de uma eleição que foi bastante disputada, concorrida, e (...) ninguém tem ainda uma visibilidade de qual vai ser a política fiscal e econômica para os próximos anos”, afirmou o CEO.

Lojas Renner

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Consumidora mais seletiva

Faccio disse estar mais cauteloso com 2027 do que no início deste ano. Ele descreve uma cliente com poder de compra comprimido, que procura peças duráveis, menos sazonais e úteis em várias ocasiões, tanto nas faixas de entrada quanto nos itens de moda de maior valor.

“Ela pensa mais na sua compra, ela decide melhor, ela investe melhor, ela olha para sua compra como um investimento”, disse.

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O aperto aparece também no crédito. A Realize, braço financeiro que emite o cartão Renner, lucrou R$ 40,7 milhões, metade do registrado um ano antes, e a fatia da carteira em atraso subiu para 30,7%. O CFO Daniel Martins afirmou que a concessão de crédito segue restritiva por causa da inadimplência no país.

“Vontade de poder conceder mais crédito existe, mas o problema é que a situação de crédito no Brasil não nos permite”, disse Martins.

Na expansão física, a cautela fica para 2027. A rede abriu 22 lojas até setembro, segundo o balanço, e 30 até o início de novembro, segundo Faccio, que espera ficar perto do teto de 60 inaugurações no ano. O ritmo de 2027 será detalhado no começo do ano.

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“Em um cenário que tem sido mais desafiador e está um pouco mais incerto, dificilmente a gente vai acelerar esse ritmo”, afirmou o CEO.

JPMorgan prevê reação negativa da ação

O JPMorgan classificou o resultado como fraco, dentro do esperado, e manteve recomendação neutra (equivalente a manter a ação na carteira).

O banco apontou, em relatório de 5 de novembro, que as vendas em mesmas lojas recuaram 2,5%, ante alta de 0,4% que previa, e as de vestuário caíram 1,8%, contra avanço de 1% da C&A.

Para os analistas, a tendência fraca de vendas deve pesar sobre a ação, cotada a R$ 9,58 em 5 de novembro. A retomada da recompra de ações depois do período de silêncio do balanço pode amenizar esse efeito. A Renner negocia a 6 vezes o lucro estimado para 2027, segundo o banco.

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