Petróleo cai, mas combustível dispara: CEOs avaliam impacto de ‘tripla ameaça’ ao setor

Restrições à navegação e menor oferta russa criam uma rara divergência no mercado global de energia e ameaçam consumidores. Executivos da TotalEnergies e Shell veem meses difíceis à frente, com custos logísticos elevados e menor disponibilidade de produtos

Preços da gasolina não cairão abaixo de US$ 4, segundo executivos das maiores empresas de energia da Europa (Foto: Benjamin Girette/Bloomberg)
Por Mitchell Ferman
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Bloomberg — O mercado global de petróleo apresentou uma divergência fundamental, com uma perspectiva de baixa para o petróleo bruto, mas preços em alta para os derivados, segundo os CEOs das maiores empresas de energia da Europa.

Atualmente, os carregamentos de petróleo bruto conseguem transitar pelo Estreito de Ormuz “sem grandes problemas”, mas o custo mais elevado do transporte marítimo significa que nenhum produto refinado está realizando a viagem, afirmou Patrick Pouyanne, diretor executivo da TotalEnergies.

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Ao mesmo tempo, os ataques com drones ucranianos reduziram significativamente o abastecimento de combustível proveniente da Rússia, acrescentou ele.

“Temos um mercado de petróleo bruto em baixa e mercados de derivados em alta acentuada, o que é muito estranho”, disse Pouyanne na conferência da ONS em Stavanger, na Noruega, na segunda-feira (24).


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“Nossos consumidores na Europa serão prejudicados por essa situação” e, nos EUA, “os preços da gasolina não cairão abaixo de US$ 4, como gostaria o presidente Trump”.

O diretor executivo da Shell, Wael Sawan, afirmou que o mercado de derivados de petróleo está sendo pressionado pela “tripla ameaça” dos ataques a refinarias russas e dos riscos à navegação no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho. A empresa está trabalhando para extrair o máximo possível de derivados de petróleo de seus próprios ativos, disse ele.

“Temos alguns meses difíceis pela frente e o foco precisa estar em continuar fazendo o que pudermos para aliviar esse impacto para os clientes”, disse Sawan no mesmo evento.

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Seus comentários refletem uma preocupação crescente sobre como o conflito no Oriente Médio está afetando setores específicos do mercado global, com consequências significativas para a economia em geral.

O petróleo bruto de referência está sendo negociado perto de US$ 90 por barril em Londres, bem abaixo dos preços observados nos estágios iniciais da guerra. No entanto, o prêmio pelo qual produtos como o diesel são negociados em relação ao petróleo bruto está próximo do nível mais alto em mais de 15 anos.

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Custa cerca de US$ 20 milhões para que um superpetroleiro capaz de transportar 2 milhões de barris faça a travessia pelo Estreito de Ormuz, afirmou Pouyanne. Para navios menores que transportam produtos refinados, o custo extra é muito alto, “de modo que não há um único petroleiro com produtos saindo do Estreito de Ormuz”, disse ele.

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Os ataques com drones da Ucrânia a refinarias russas reduziram o abastecimento de combustível do país em 3 milhões a 3,5 milhões de barris por dia, afirmou Pouyanne.

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