Bloomberg Línea — Após a pandemia transformar a relação entre empresas e espaços de trabalho, a consultoria global JLL vê oportunidades importantes no mercado latino-americano, com destaque para cinco países.
Do Brasil ao México, o presidente da divisão de Work Dynamics para a América Latina da JLL, Washington Botelho, identifica desafios para todos os mercados, mas oportunidades únicas.
“A transformação do mercado de escritórios não é um evento único, mas um processo contínuo. As empresas que conseguirem navegar por essa transformação, criando ambientes que atraiam talentos e gerando receita recorrente previsível, serão as vencedoras”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.
Botelho, que também foi nomeado recentemente CEO para a JLL no Brasil, vê oportunidades em cinco mercados: México, Brasil, Chile, Colômbia e Costa Rica. Adicionalmente, o executivo está otimista para Porto Rico, que embora seja um território dos Estados Unidos, também integra o escopo de cobertura de seu trabalho.
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Ele explicou que as mudanças decorrentes da pandemia obrigaram as empresas a redesenhar seus espaços, redefinir suas estratégias de ocupação e, principalmente, repensar como atraem e retêm talentos.
No caso do México, o maior mercado para a JLL na região, o desempenho do segmento de escritórios é resultado de uma combinação de fatores estruturais e geopolíticos.
“A proximidade com os Estados Unidos é determinante. As empresas multinacionais têm buscado produzir mais perto de seus mercados consumidores e o México se tornou estratégico. A indústria de manufatura, em particular, viu investimentos massivos”, relata.
O fenômeno, conhecido como “nearshoring”, ocorre em um cenário de reconfiguração das cadeias globais diante de tensões geopolíticas principalmente entre Estados Unidos, China e Rússia.
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Em comparação ao Brasil - que segundo Botelho possui complexidades e burocracias significativas - o México oferece um ambiente de negócios mais atrativo. “Fazer negócios no México é mais fácil”, destacou. Em sua avaliação, o mercado mexicano enfrenta menos burocracia e impostos reduzidos.
Como desafio, ele explicou que o México recentemente revisou sua legislação trabalhista, impedindo algumas práticas de terceirização.
“Embora isso tenha impactado custos operacionais, o mercado permanece competitivo. A cultura de negócios também é mais voltada para o trabalho presencial.”
O gigante territorial
O executivo apontou que o Brasil é o país que mais recebeu investimentos em real estate nos últimos anos. No entanto, o mercado brasileiro enfrenta obstáculos econômicos e de legislação que limitam seu potencial.
“O Brasil continua mantendo instituições fortes, o que atrai recursos. O desafio é tornar o país menos complexo, com redução de impostos, para assegurar que esse dinheiro de fato vire investimento de médio e longo prazos”, disse.
E acrescentou que a taxa básica de juros elevada coloca o investidor em um dilema. “No Brasil, você tem que decidir se investe em um projeto imobiliário ou coloca seu dinheiro em renda fixa ganhando 12% a 13%”, pondera.
Por outro lado, diante do enorme potencial em energia renovável, o Brasil pode se tornar um polo global de data centers para o avanço da Inteligência Artificial, que demandará volumes cada vez mais expressivos de energia.
“Os quatro mercados potenciais de investimentos em data centers [na região] são Brasil, Chile, Colômbia e México, sendo que o Brasil representa quase que a totalidade. Há investimentos nos outros, mas os maiores são efetivamente no mercado local.”
Relevância e incertezas
Botelho afirmou que, embora a Argentina não esteja entre os maiores potenciais da região no segmento de escritórios atualmente, o país segue relevante em termos de transações. “Eu sempre olho para a Argentina, mas não como um foco, porque o país gera muito volume.”
Ele esclareceu que ainda existe muita incerteza sobre o futuro da economia do país. “A perda de valor [da moeda] e o custo de vida elevado na Argentina persistem. Foram muitos anos de economia deprimida.”
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Neste contexto, o executivo avaliou que ainda há oportunidades de compra e venda. Sob essa lógica, quando a economia está em expansão, a venda acelera, ao passo que em uma economia deprimida os preços baixos incentivam outros tipos de transações imobiliárias.
Já o Chile é conhecido pelo mercado financeiro e de serviços robustos, enquanto o setor imobiliário colombiano vem ganhando destaque. “A Colômbia tem um mercado interno expressivo e agora as expectativas indicam que o crescimento econômico será positivo”, afirmou.
Além de transações, a consultoria aposta no crescimento do negócio de serviços (facilities management) entre os clientes de sua carteira.
“A JLL, com sua presença em todos esses mercados, está bem posicionada para capturar as oportunidades. O mercado é grande o suficiente para todos os players, desde que entendam que o futuro dos escritórios não é sobre espaço, é sobre pessoas”, disse Botelho.
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