Bloomberg Línea — O Bradesco (BBDC4) abriu a temporada de balanços dos grandes bancos listados na B3 com lucro líquido recorrente de R$ 7,11 bilhões no terceiro trimestre, alta de 0,8% sobre o segundo, depois de avanços de 4,5% no primeiro trimestre e de 3,5% no segundo.
No período, o banco, sediado na Cidade de Deus, em Osasco (SP), registrou alta da inadimplência e das provisões para perdas com crédito, além de queda na rentabilidade. Segundo a instituição, o desempenho reflete um cenário de juros altos e economia em desaceleração.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recuou de 16,2% no segundo trimestre para 15,6% no terceiro, em parte porque o aumento de capital de R$ 10 bilhões concluído no período ampliou o patrimônio.
Sem esse efeito, o indicador seria de 16,1%, segundo o banco. XP e Itaú BBA projetavam 16,2%.
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Em um ano, o lucro subiu 14,6%. O valor ficou em linha com o consenso compilado pela Bloomberg, de R$ 7,12 bilhões. Receitas de tesouraria e de tarifas e o controle de despesas compensaram o menor ganho com crédito.
A inadimplência, medida pelos empréstimos com atraso superior a 90 dias, subiu para 4,6% da carteira, ante 4,3% no segundo trimestre e 4,1% um ano antes. O banco classificou o movimento como “leve alta”.
A piora foi maior entre micro, pequenas e médias empresas, cujo índice passou de 3,7% para 4,9% em 12 meses.
Segundo o Bradesco, cerca de metade da alta da inadimplência no trimestre veio de empréstimos de capital de giro com garantia do governo federal. Como contam com essa garantia, essas linhas exigem menos provisão.
Maiores provisões
A provisão para devedores duvidosos (PDD), reserva contabilizada como despesa e que aumenta quando cresce o risco de não pagamento, somou R$ 10,6 bilhões no trimestre, alta de 6,6% sobre o segundo trimestre e de 24,3% em um ano. O banco atribui o aumento à expansão da carteira, à concentração de vencimentos no crédito rural e à maior inadimplência nas operações de varejo com pessoas físicas.
Descontadas as provisões, a margem com clientes, que mede o ganho do banco com operações de crédito e de captação, caiu 3,5% no trimestre. O índice de cobertura recuou de 168,9% para 142,6% em 12 meses: o banco tem R$ 1,43 em provisões para cada R$ 1 em atraso há mais de 90 dias, ante R$ 1,69 um ano antes.
“O mercado de crédito está mais restrito. A taxa de juros se mantém em patamar elevado e a economia desacelera. É cenário desafiador para todos. Vimos nossas receitas relacionadas a crédito crescerem menos, mas conseguimos compensá-las com receitas não oriundas de crédito e bom controle de despesas”, disse o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha.
O banco afirma ter feito “ajustes finos adicionais nos modelos de crédito, preços” e reduzido a exposição a “clusters mais voláteis de clientes”. Os empréstimos com garantia chegaram a 61,2% da carteira.
Desempenho positivo da tesouraria
Do lado positivo, a margem com mercado, ligada às operações de tesouraria, somou R$ 875 milhões, ante R$ 99 milhões um ano antes. As receitas de serviços cresceram 4,2% no trimestre, e as despesas operacionais caíram 1,0% em um ano.
“Ganhamos eficiência. Aumentamos os investimentos na nossa transformação e, mesmo assim, todas as principais linhas de despesas cresceram abaixo da inflação”, disse Noronha.
Já o resultado das operações de seguros, previdência e capitalização recuou 8,6% sobre o segundo trimestre.
Desafio pós-eleição
A dias do segundo turno da eleição presidencial, no domingo (25), a Fitch Ratings avalia que o ambiente para o crédito no Brasil deve continuar adverso.
Em relatório de quarta-feira (21), a agência afirma que os juros reais muito elevados seguirão pesando sobre o consumo e o investimento, num momento em que o endividamento do setor privado está no maior nível em duas décadas.
A Fitch projeta alta do PIB de 1,9% em 2026 e de 1,4% em 2027 e espera aperto fiscal no próximo ano, independentemente de quem vencer a eleição.
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Mesmo com a Selic caindo de 13,75% para 11,75% até o fim de 2027, a Fitch espera que o Banco Central mantenha os juros reais altos, o que continuará limitando o crédito.
A temporada de balanços segue com o Santander Brasil, que apresenta seus números em 28 de outubro, depois de a matriz espanhola anunciar em julho uma oferta para comprar as ações da filial em circulação. O Itaú Unibanco divulga seu balanço no início de novembro, e o Banco do Brasil, em 11 de novembro.
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