Bloomberg Línea — O Grupo Fleury (FLRY3) comprou o Unilab, rede de 12 laboratórios de análises clínicas com atuação em oito cidades do interior paulista e uma no sul de Minas Gerais, por R$ 55 milhões, segundo fato relevante desta quinta-feira (1º). É a 23ª aquisição desde 2017, totalizando R$ 2,5 bilhões investidos.
No mesmo dia, a ação chegou a R$ 23,93 durante o pregão, a máxima em 52 semanas, e fechou a R$ 23,75. O papel acumula alta de 60,15% no ano e de 52% desde o fim de junho, no maior nível em pelo menos cinco anos.
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O Unilab, que também opera a marca Quantum Diagnóstico, faturou R$ 65 milhões nos 12 meses encerrados em maio.
A rede atende as cidades paulistas de Atibaia, Bragança Paulista, Itatiba, Jarinu, Bom Jesus dos Perdões, Piracaia, Aparecida e Pindamonhangaba, além de Extrema (MG).
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O comprador não é estranho à rede. O site do Unilab cita o Instituto Fleury como laboratório parceiro.
Novo trecho do mapa
As cidades do Unilab ficam fora da área da a+ Medicina Diagnóstica, marca do grupo Fleury que opera em Jundiaí (SP), na capital e na Grande São Paulo.
O Unilab é a terceira aquisição do Fleury no interior paulista, depois da Confiance (R$ 130 milhões), de Campinas, e do Laboratório São Lucas (R$ 34 milhões), de Rio Claro. As três compras somam cerca de R$ 220 milhões.
Até comprar a Confiance, rede de 25 unidades em sete cidades da região, o Fleury tinha apenas duas unidades em Campinas e Jundiaí.
Em Minas, o grupo entrou em 2022 com o Méthodos, que tinha 26 unidades no sul do estado.
O negócio inclui duas sociedades que levam os nomes de Marcio Gustavo Lacerda Batista e Cintia Mara Ribeiro Nascimento Batista.
Para o chairman do Fleury, Marcio Mendes, o mapa da saúde no Brasil está mudando, com a expansão deixando as capitais para seguir novos polos econômicos, como o eixo de Atibaia.
“Crescer, para nós, não é simplesmente chegar a novos lugares. É acompanhar onde a sociedade está crescendo e somar escala à confiança que já existe”, escreveu no LinkedIn.
Múltiplo menor
O Fleury pagou 4,3 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses do Unilab, múltiplo que cai para 3,5 vezes com as sinergias projetadas. De acordo com os números do comunicado, o Ebitda da rede fica perto de R$ 12,8 milhões.
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O preço fica abaixo das duas compras anteriores. Na Confiance, o múltiplo foi de 6,3 vezes o Ebitda de 12 meses. No Femme, rede de saúde da mulher concluída em maio por R$ 207,5 milhões, foi de 5,5 vezes, acima do patamar em que a própria companhia é avaliada na Bolsa, segundo o BofA.
Para Joseph Giordano, analista do JPMorgan, a margem do Unilab fica em 20%, abaixo dos 23,5% do Fleury consolidado. Com R$ 3 milhões em sinergias, a margem da rede subiria para 24%. A captura de sinergias virá da redução de custos.
“Estrategicamente, o negócio segue coerente com a abordagem do Fleury de usar aquisições complementares para ampliar sua presença regional em um mercado de diagnóstico ainda fragmentado”, escreveu Giordano em relatório.
O analista vê a compra como levemente positiva pelo múltiplo atrativo, mas calcula que a rede representará menos de 1% da receita e do Ebitda do grupo.
Ou seja, a transação não traz efeitos relevantes nos números consolidados da companhia. Em 2025, a receita bruta do Grupo Fleury totalizou R$ 9 bilhões, com receita líquida de R$ 8,29 bilhões.
Em agosto, o banco havia avaliado que a opcionalidade de aquisições do Fleury tinha se esgotado. Giordano não espera reação relevante da ação e mantém a recomendação underweight (exposição abaixo da média do setor).
Efeito no tíquete
O Unilab atua em análises clínicas, segmento que derrubou o preço médio do exame do Fleury no segundo trimestre. Na comparação anual, o valor cobrado caiu 2,3% no atendimento ao cliente final e 7,4% no serviço a laboratórios e hospitais (B2B), porque as redes compradas nos meses anteriores só fazem esse tipo de exame.
“Um hemograma custa pouco e uma ressonância magnética tem tíquete maior. Exames de análises clínicas puxam o tíquete para baixo”, disse a CEO Jeane Tsutsui à Bloomberg Línea em agosto.
Na ocasião, ela afirmou que a equipe de fusões e aquisições seguia ativa. Com dívida líquida de 1,1 vez o Ebitda, o grupo opera abaixo do limite de 3,0 vezes acertado com credores.
Bancos divididos
A alta da ação veio mais do que o investidor aceita pagar pelo lucro do que de revisões nas projeções, segundo o BTG Pactual. O múltiplo preço/lucro projetado subiu de 10,5 vezes no início do ano para mais de 14 vezes.
O BTG e o UBS BB têm recomendação neutra. O Itaú BBA recomenda compra, com preço-alvo de R$ 25, porque o grupo ganha participação em diagnóstico premium e intermediário.
Para o BTG Pactual, a compra segue a estratégia do Fleury de adquirir líderes regionais em medicina diagnóstica. Com o Unilab, as cinco aquisições mais recentes, que incluem Femme, Confiance, Hemolab e Laboratório São Lucas, somam cerca de R$ 466 milhões em valor de empresa, perto de 4% do valor de mercado do grupo.
Os analistas Samuel Alves e Maria Resende não veem a política de M&A como agressiva, mas mantêm recomendação neutra: a ação negocia perto das máximas recentes em múltiplos e com prêmio sobre os pares, o que, segundo eles, é difícil de justificar diante de perspectivas de crescimento estrutural mais limitadas.
O conselho de administração do Fleury aprovou a compra por unanimidade. Segundo a ata, o valor da operação dispensa assembleia de acionistas. O Unilab foi assessorado pela JK Capital.
- Texto atualizado às 10h30, de 2/10, para incluir análise do JPMorgan e do BTG Pactual
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