Bloomberg — As ações do Mercado Livre caíram depois que a empresa divulgou resultados do terceiro trimestre que ficaram aquém das estimativas de lucro, enquanto os investidores avaliam se os pesados investimentos da empresa se traduzirão em maior rentabilidade no longo prazo.
O lucro líquido totalizou US$ 448 milhões, abaixo dos US$ 473 milhões estimados pelos analistas, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
A receita da gigante do comércio eletrônico e da fintech cresceu 45% em relação ao ano anterior, para US$ 10,75 bilhões, em linha com as expectativas. As ações listadas nos Estados Unidos caíram até 9% na quarta-feira, para cerca de US$ 1.555, no pregão após o fechamento do mercado.
O Mercado Livre tem apresentado consistentemente um forte crescimento de receita, mas os investidores têm questionado sua estratégia de gastos elevados com logística e com sua unidade de fintech, o Mercado Pago.
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Os investimentos em frete mais barato, incentivos aos vendedores e expansão do crédito têm como objetivo atrair mais clientes e aprofundar o engajamento em todo o seu ecossistema, mas têm pesado sobre as margens há pelo menos um ano.
“Quando identificamos uma área de oportunidade para investir, investimos com ousadia e, ao avaliarmos os resultados, observamos não apenas crescimento, mas também engajamento”, afirmou o diretor financeiro Martín de los Santos em entrevista à Bloomberg News na quarta-feira (5). “Trata-se de ser ousado nos investimentos e muito disciplinado na forma como avaliamos os resultados desses investimentos.”
No Brasil, a empresa vem reduzindo os valores mínimos para frete grátis e oferecendo incentivos aos vendedores para tornar seu marketplace mais competitivo.
Enquanto isso, seu negócio de crédito está se expandindo rapidamente no México, especialmente por meio de cartões de crédito. Ambas as iniciativas refletem uma estratégia mais ampla para fazer com que os clientes utilizem mais os serviços do MercadoLibre, em vez de dependerem exclusivamente das compras online.
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A empresa também está aumentando os gastos com inteligência artificial, um aumento de US$ 100 milhões em relação ao ano anterior e de US$ 30 milhões em relação ao trimestre anterior. De los Santos afirmou que a tecnologia permitiu ao Mercado Livre expandir suas operações sem aumentar proporcionalmente sua força de trabalho.
Ecossistema em crescimento
O Mercado Livre também busca expandir-se para novas categorias a fim de estimular compras mais frequentes.
Em setembro, a empresa anunciou planos para ampliar a venda de medicamentos sujeitos a prescrição médica no Brasil, buscando explorar um mercado de bens essenciais que poderia atrair os clientes à sua plataforma com maior frequência.
No entanto, o plano esbarrou em incertezas regulatórias, com a Anvisa, órgão regulador da saúde no Brasil, afirmando que atualmente não há base legal para a venda de medicamentos por meio de intermediários.
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Apesar da incerteza regulatória, a empresa vê o setor farmacêutico como uma oportunidade potencialmente significativa em toda a região.
“O setor farmacêutico representa uma parcela relativamente pequena de nossos negócios, mas é uma grande oportunidade e queremos desempenhar nosso papel nesse sentido, não apenas no Brasil, mas também nos diversos países onde atuamos”, afirmou de los Santos.
A receita do Mercado Pago cresceu 42%, à medida que mais consumidores adotaram a carteira digital, os produtos de crédito e os de investimento da empresa. Durante o trimestre, a divisão de fintech processou US$ 109 bilhões em volume total de pagamentos, um aumento de 53% em relação ao ano anterior. Sua carteira de crédito cresceu 62%, atingindo quase US$ 18 bilhões, enquanto o número de usuários ativos mensais aumentou para 93 milhões. Os ativos sob gestão cresceram 67%, chegando a US$ 25 bilhões.
O número de usuários ativos mensais, tanto no marketplace do Mercado Livre quanto no Mercado Pago, cresceu 33% em relação ao ano anterior, destacando a estratégia da empresa de utilizar cada negócio para impulsionar a adoção do outro.
O esforço para expandir seu ecossistema ocorre em um momento em que a concorrência se intensifica em ambos os seus principais negócios. No varejo online, o Mercado Livre enfrenta pressão da Amazon e de uma onda de plataformas asiáticas de comércio eletrônico que se expandem pela América Latina.
O Mercado Pago, por sua vez, está competindo com bancos digitais que buscam uma fatia maior do mercado de serviços financeiros da região, que cresce rapidamente. No México, a empresa ainda aguarda a aprovação dos órgãos reguladores para seu pedido de licença bancária, enquanto o Nubank e a Revolut estão expandindo sua presença após terem obtido licenças recentemente.
“No México, a oportunidade continua sendo incrível, dada a penetração relativamente baixa dos serviços bancários e o desempenho relativamente insatisfatório dos bancos tradicionais junto à população mexicana”, afirmou de los Santos.
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