Bloomberg — Investidores que buscam se posicionar às vésperas de uma disputa eleitoral apertada têm priorizado apostas via derivativos, à medida que Flávio Bolsonaro ganha terreno sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os mercados se preparam para fortes oscilações da moeda brasileira, enquanto a negociação de opções do maior fundo de índice que acompanha ações brasileiras disparou. Uma vitória no primeiro turno não é o cenário-base, mas a votação provavelmente dará pistas sobre as chances de Lula em um eventual segundo turno contra o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que avançou recentemente nas pesquisas e reduziu a vantagem do atual presidente.
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“Esperamos, sim, reações iniciais opostas do mercado dependendo do resultado”, disse Petar Atanasov, codiretor de pesquisa soberana da especialista em mercados emergentes Gramercy Funds Management. “Esperamos que o ímpeto das reformas fiscais seja significativo sob Bolsonaro e venha acompanhado de forte otimismo do mercado.”
O mercado de opções mostra como os riscos estão concentrados em torno da votação de domingo. A volatilidade implícita de uma semana do real disparou para mais de 31%, o maior nível desde o fim de 2022. A medida de um mês — que abrange os dois turnos — também subiu, mas permanece abaixo de 25%.
Uma vantagem de Lula inferior a dois pontos percentuais sobre Flávio no primeiro turno seria positiva para o candidato de direita, já que muitos dos eleitores de candidatos de terceira provavelmente migrariam para ele em um segundo turno, escreveram estrategistas do Citi, incluindo Dirk Willer, em relatório. Uma diferença de dois a quatro pontos ainda indicaria uma “disputa apertada” no segundo turno, disseram.
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Embora Lula tenha sido, em alguns momentos, mais pragmático do que alguns investidores esperavam, os mercados brasileiros ficaram, em grande parte, atrás de seus pares durante seu terceiro mandato.
O Ibovespa teve desempenho inferior tanto a índices de ações de mercados emergentes quanto ao S&P 500 no período. O real ficou praticamente estável, atrás de importantes moedas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano. Empresas e famílias vêm sofrendo com juros de dois dígitos, que permanecem persistentemente elevados enquanto o governo resiste a um ajuste fiscal de maior magnitude.
Investidores dizem que uma vitória de Flávio aumentaria a possibilidade de o Brasil conter um déficit nominal que supera 9% do Produto Interno Bruto. Embora ainda não tenha detalhado suas propostas econômicas, a sua campanha tem destacado planos de reforma administrativa e venda de ativos.
Os mercados de previsão apontavam Lula como favorito até o início de setembro, mas agora atribuem a Flávio cerca de 60% de chance de vitória. O movimento levou operadores a buscar apostas otimistas em ativos brasileiros, com bancos como Citi e JPMorgan recomendando opções que se beneficiam de uma valorização do real para capturar uma possível alta após a votação.
“Esperamos que a maior surpresa venha no primeiro turno, com Flávio provavelmente terminando à frente de Lula”, disse Fabricio Taschetto, diretor de investimentos da Ace Capital, em São Paulo. “É possível que o movimento pós-primeiro turno seja ainda maior do que o já embutido na alta volatilidade das opções”, disse Taschetto, que tem usado opções para fazer apostas otimistas no iShares MSCI Brazil ETF (EWZ).
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Opções digitais
O estoque de contratos em aberto de opções do EWZ está em nível recorde, mais de 9 milhões de contratos, impulsionado principalmente por opções de compra, as chamadas calls, que normalmente ganham valor quando o ativo sobe. A demanda por calls do Ibovespa também disparou desde o fim de agosto, com gestoras locais, incluindo Ibiuna Investimentos e Verde Asset Management, dizendo a clientes que estavam usando opções para se posicionar para um possível rali.
O posicionamento, porém, não é unilateral. Alejandro Cuadrado, chefe de estratégia global de câmbio e América Latina do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, disse que o banco tem observado interesse elevado em opções digitais de forma geral. Empresas e investidores de longo prazo têm se concentrado mais em estruturas que pagam caso a moeda brasileira se valorize, enquanto outros investidores têm buscado proteção contra um real mais fraco, disse.
Os títulos locais também vêm atraindo atenção antes do pleito. Investidores como Gramercy, Ninety One e M&G Investment Management dizem que os rendimentos oferecem remuneração suficiente para permanecer investidos durante a eleição, ao mesmo tempo em que deixam espaço para ganhos expressivos caso o próximo governo implemente reformas econômicas.
“Os juros locais oferecem a assimetria mais positiva para a eleição”, disse Christine Reed, gestora de portfólio de mercados emergentes da Ninety One. Com os juros reais firmemente em território restritivo, o Banco Central tem “espaço para continuar seu ciclo de cortes independentemente de quem for eleito”, disse.
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Na M&G, Carlos Carranza, gestor sênior de dívida de mercados emergentes, está “levemente comprado” no mercado local, vendo espaço para ganhos nos títulos denominados em reais.
“Um compromisso crível e tempestivo com a consolidação fiscal poderia desencadear um rali significativo do mercado, enquanto a continuidade da incerteza pode manter a pressão sobre os ativos brasileiros”, disse. “Os yields são altos o suficiente para compensar os investidores.”
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