Bloomberg — O Tesouro Nacional voltou a intervir no mercado local de títulos pelo segundo dia consecutivo, anunciando novos leilões tanto de recompra quanto de venda de dívida pública para sustentar a liquidez e estabilizar as negociações, enquanto a disparada do petróleo se propaga pelos mercados globais.
O Tesouro cancelou os leilões regulares de títulos indexados à inflação e prefixados nesta semana, optando por operações fora do calendário que somaram cerca de R$ 36,6 bilhões em dois dias de compra de papéis.
Trata-se da primeira intervenção com recompra desde dezembro de 2024, quando o órgão atuou diante de uma forte liquidação nos mercados locais impulsionada por preocupações fiscais.
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A decisão vem após um episódio agudo de estresse na última sexta-feira, quando os contratos futuros de juros subiram mais de 40 pontos-base, à medida que temores sobre a guerra no Irã sacudiram os mercados globais.
O movimento desorganizou a curva de juros local e desencadeou uma onda de vendas por stop-loss, enquanto investidores corriam para recalibrar apostas sobre a trajetória da Selic no Copom desta quarta-feira.
“Foi saudável e desejável essa atuação do Tesouro”, diz Milena Landgraf, sócia da Jubarte Capital. “Foi importantíssima.”
O Tesouro recomprou 12,6 milhões de títulos prefixados LTN na terça-feira, após aquisições de 17,25 milhões desses papéis e de 3,55 milhões de títulos indexados à inflação, NTN-B, no dia anterior. Também chegou a ofertar venda de títulos nesta terça, mas não aceitou nenhuma das propostas apresentadas. Na segunda-feira, vendeu 150 mil títulos atrelados à inflação.
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“O mercado mostrou preços descolando muito dos fundamentos domésticos por conta da deterioração do ambiente global” em função da guerra”, diz Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Pine. “A estratégia foi bastante positiva para os mercados.”
Os contratos de juros futuros na B3, conhecidos como DIs, recuaram ao longo de toda a curva na segunda e na terça-feira, com os vencimentos de janeiro de 2029 sendo negociados ligeiramente abaixo dos níveis anteriores à disparada.
A alta dos preços do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio rapidamente alterou as expectativas para a política monetária brasileira antes da decisão do Banco Central prevista para quarta-feira.
Analistas que esperavam o início de um ciclo de afrouxamento com corte de 0,50 ponto percentual reduziram suas apostas e agora veem uma redução de 0,25pp ou até mesmo a manutenção da taxa em 15%, o maior nível em duas décadas.
Segundo Luis Felipe Vital, chefe de estratégia macro e dívida pública da Warren Investimentos, muitos investidores posicionados para queda dos juros foram forçados a desmontar suas posições em meio ao aumento das suas perdas.
“O problema é que a porta de saída é muito pequena quando todos querem sair ao mesmo tempo”, disse Vital.
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