Sete Magníficas perdem protagonismo em Wall Street em nova fase de investimentos em IA

Investidores têm concentrado a atenção nas empresas que mais se beneficiam da onda de investimentos destinados à expansão da infraestrutura de IA, com menos foco em Nvidia, Alphabet, Apple, Microsoft, Amazon, Meta e Tesla

Tela mostrando desempenho de ações
Por Ryan Vlastelica
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Bloomberg — Durante anos, as sete gigantes de tecnologia concentraram a atenção dos investidores, dominaram o índice S&P 500 e determinaram a direção do mercado acionário americano. Esse período ficou para trás.

Embora o Nasdaq 100, de forte peso em tecnologia, acumule alta de 16% em 2026 e o S&P 500 avance 10%, um índice que reúne as ações da Mag 7 sobe apenas 1,7%.

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A aposta em IA que transformou Nvidia, Alphabet, Apple, Microsoft, Amazon, Meta e Tesla em protagonistas do mercado continua, mas mudou de foco.

Os investidores agora concentram a atenção nas empresas que mais se beneficiam da onda de investimentos destinados à expansão da infraestrutura de IA.


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Ao mesmo tempo, cresce o ceticismo em relação às companhias que estão arcando com esses gastos. Isso colocou fabricantes de chips de memória, como Micron Technology e Sandisk, no topo do ranking de desempenho, enquanto as ações da Mag 7 passaram para um papel secundário.

O índice Philadelphia Stock Exchange Semiconductor acumula alta de 73% em 2026, no ritmo para registrar o melhor ano desde 2003, após encerrar o melhor trimestre de sua história.

O índice Mag 7 subiu 0,4% na terça-feira.

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 Fabricantes de chips são os grandes vencedores da IA ​​este ano

“A Mag 7 costumava ser um dos poucos lugares onde era possível encontrar, de forma consistente, crescimento dos lucros muito acima do mercado”, afirmou Brian Barbetta, copresidente da equipe de tecnologia da Wellington Management e cogestor da estratégia global de inovação da gestora. “Agora, os investidores estão mais focados nos motivos para não gostar dessas empresas.”

A rapidez dessa mudança fica evidente ao observar que, em abril, a correlação de 40 dias entre a Mag 7 e o Nasdaq 100 atingiu mais de 0,95, praticamente uma correlação perfeita.

Recentemente, caiu para menos de 0,7, o menor nível desde 2017. As ações das grandes empresas de tecnologia e o S&P 500 “estão se movimentando juntas em um grau tão baixo quanto em 2015, quando esses papéis representavam apenas de 10% a 11% do índice”, escreveu Jessica Rabe, cofundadora da DataTrek Research, em relatório enviado a clientes em 30 de junho.

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Mesmo assim, as sete gigantes ainda representam cerca de 37% da composição do Nasdaq 100 e quase um terço do S&P 500.

O descolamento da Mag 7 em relação ao mercado mais amplo talvez seja o reflexo mais claro da evolução da negociação ligada à IA, que passou a privilegiar novos vencedores, especialmente fabricantes de chips de memória e armazenamento.

Essas ações já vinham em alta havia algum tempo, mas a diferença agora é que o grupo avança em grande parte sem o apoio da Nvidia, antiga referência da IA que durante muito tempo dominou o mercado acionário.

Neste ano, porém, a empresa tem o terceiro pior desempenho entre os componentes do índice de semicondutores, com valorização modesta de 4,9%.

Entre as outras seis empresas da Mag 7, o desempenho é misto.

Três registram alta, com a Alphabet liderando o grupo diante da percepção de que tende a emergir como uma das vencedoras da IA.

A Microsoft, por outro lado, acumula queda de 20%, e junho foi seu pior mês desde 2000, devido à combinação de preocupações com os investimentos agressivos em IA e com a vulnerabilidade do modelo de negócios da empresa à própria tecnologia.

Como resultado, os investidores retiraram US$ 786 milhões, em junho, do ETF Roundhill Magnificent Seven, o maior resgate da história do fundo, enquanto direcionaram US$ 9,3 bilhões para o Roundhill Memory ETF, segundo dados compilados pela Bloomberg.

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O posicionamento em ações de tecnologia de grande capitalização estava “extremo” no fim de maio, mas “agora voltou a uma postura mais neutra”, escreveram estrategistas do Deutsche Bank em relatório de 30 de junho.

O ceticismo em relação aos elevados investimentos em IA está por trás dessa rotação.

Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta aceleram fortemente seus investimentos em capital, o que pressiona o fluxo de caixa enquanto ainda não está claro qual será o retorno desses investimentos.

“Os mercados agora discutem se as empresas de computação em nuvem terão retornos sobre o capital e margens menos atraentes”, afirmou Barbetta.

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, teria afirmado em uma reunião interna que o desenvolvimento de agentes de IA da empresa não “acelerou da forma que esperávamos”.

A companhia também estaria elaborando planos para criar um negócio de infraestrutura de computação em nuvem para vender capacidade excedente de processamento. Esses gastos com IA acabaram beneficiando diretamente fabricantes de chips de memória, como Micron e Sandisk.

“Os investidores direcionam recursos para onde o crescimento e os retornos são mais fortes”, afirmou Barbetta.

“Neste momento, empresas como Micron e Sandisk não apenas aumentam os lucros mais rapidamente, como também registram algumas das revisões mais positivas das estimativas.”

Nem todos em Wall Street, porém, acreditam que essa rotação veio para ficar.

A diferença deverá acabar sendo reduzida “à medida que as hyperscalers, os desenvolvedores de modelos de IA e também os usuários avancem na monetização, na geração de receita e de lucros e passem a capturar uma parcela maior do valor agregado total da IA”, escreveu Nikolaos Panigirtzoglou, estrategista global de mercados do JPMorgan, em relatório enviado a clientes em 1º de julho.

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Enquanto isso, o impulso das ações de fabricantes de chips parece perder força, com investidores voltando a comprar empresas que ficaram para trás neste ano, incluindo as hyperscalers de IA, segundo a equipe de estratégia para ações americanas do Morgan Stanley, liderada por Mike Wilson. “Essa divergência não pode continuar; ela não é sustentável”, afirmou Wilson.

O estrategista-chefe de ações dos EUA do Morgan Stanley, Mike Wilson, afirma que os investidores estão se afastando de algumas das operações de tecnologia com maior desempenho do ano. Ele diz que as hiperescaladoras se estabilizarão e que as ações de semicondutores passarão por uma correção. Ele fala no programa “Bloomberg Surveillance”. Fonte: Bloomberg

No entanto, o impulso nos resultados necessário para que as gigantes de tecnologia revertam essa narrativa ainda não apareceu — pelo menos por enquanto.

As empresas da Mag 7 devem registrar crescimento de 18,9% no lucro líquido no próximo ano, mas, há três meses, essa estimativa era de 21,4%, segundo a Bloomberg Intelligence.

Já as projeções de lucro para fabricantes de chips foram revisadas fortemente para cima nos últimos três meses, passando de crescimento de 34,3% para 48,5%, mostram dados da Bloomberg Intelligence.

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Só isso já explica por que as ações da Mag 7 provavelmente continuarão atrás das líderes atuais por algum tempo, afirmou Mark Lehmann, vice-presidente de banco comercial do Citizens.

“A Mag 7 continua relevante, mas antes os investidores tinham muita convicção sobre suas perspectivas. Agora existe mais descrença e mais debate sobre quanto vale a pena pagar por essas ações”, afirmou. “Os lucros dessas empresas parecem de segunda ou terceira linha quando comparados aos de Micron e Sandisk, e as expectativas para essas companhias continuam aumentando. É difícil ver como a Mag 7 conseguirá competir com isso.”

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