Ibovespa sobe apesar de a ata do Copom deixar dúvidas; dólar avança a R$ 5,19

BC confirma deterioração da inflação e investidores projetam cenário mais contracionista; índice Nasdaq cai 2,2% em meio a temores com alta valorização de ações ligadas a inteligência artificial

After Hours

Bloomberg Línea — Após iniciar o dia em queda, o Ibovespa (IBOV) virou para alta nesta terça-feira (23) e encerrou com ganhos de 0,52%, aos 171.259 pontos. O índice mostrou resiliência após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – a divulgação chegou a derrubar o Ibovespa em 1% nas primeiras negociações do dia.

Já o dólar encerrou a sessão em forte alta de 0,88%, cotado a R$ 5,19. Além do movimento interno, a moeda acompanhou também o desempenho global. O índice DXY, que mede a variação do dólar frente a uma cesta de divisas fortes, avançou 0,39%.

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Fechamento 23/06/2026

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A alta do Ibovespa ocorreu mesmo que a ata do Copom não tenha conseguido esclarecer completamente as incertezas dos investidores sobre os próximos passos da autoridade monetária.

Embora o Banco Central tenha reconhecido uma piora do cenário inflacionário e elevado suas projeções para a inflação, optou por sinalizar a continuidade dos cortes da Selic com base em um horizonte mais longo para a política monetária, estendido até o primeiro trimestre de 2028.

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O Comitê argumentou que seguir o horizonte tradicional exigiria movimentos mais bruscos na taxa de juros. Para evitar essa volatilidade, o Copom poderia adotar possíveis pausas e retomadas no ciclo de cortes, sem comprometer a convergência da inflação à meta.

“É possível que o comunicado da semana passada não tenha sido suficientemente claro ao transmitir essa estratégia aos investidores. Agora, resta saber se a ata será capaz de reduzir parte do mal-estar observado nos mercados”, avaliou Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

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Outra preocupação dos investidores é que a credibilidade do Copom corra riscos caso a trajetória de cortes se mantenha mesmo com a deterioração das expectativas para a inflação. Mas esse ainda não é o caso, na avaliação de Matheus Pizzani, economista do PicPay.

“A ata não deve ser encarada como elemento de erosão da credibilidade da política monetária neste primeiro momento, embora coloque pressão adicional considerável sobre a próxima reunião e a maneira pela qual o comitê explicará seu cenário e decisão”, afirmou em nota.

No exterior, as ações ligadas à tecnologia e à inteligência artificial enfrentam uma onda vendedora diante da apreensão de que os valuations estejam inflados. A preocupação desencadeou um novo episódio de volatilidade após quase três meses de forte avanço dos ativos de risco americanos.

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O Nasdaq 100 caiu 3,3%. Já um índice amplamente seguido por fabricantes de semicondutores – que haviam duplicado seu valor desde os mínimos provocados pela guerra – retrocedeu cerca de 8% nesta terça-feira.

“A aversão ao risco reflete o medo de que a excitação pela inteligência artificial tenha sido muito baixa”, afirmou Chris Low, da FHN Financial, à Bloomberg News.

  • Dow Jones: -0,09%
  • S&P 500: -1,44%
  • Nasdaq 100: -3,03%

Com informações da Bloomberg News

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