Bloomberg Línea — Os investidores voltam do feriado do dia 7 de setembro nesta sexta-feira (8) de olho nos Estados Unidos, à procura de sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed), após a divulgação de dados que indicam que uma possível redução nos juros do país pode não vir tão cedo.
Na China, a situação continua a preocupar. O Banco Popular da China (PBOC) enfrenta uma tarefa desafiadora ao lidar com o chamado “triângulo impossível”, no qual precisa estabilizar a taxa de câmbio e evitar a saída de capitais, ao mesmo tempo em que mantém uma política monetária independente.
No entanto, a economia chinesa lenta e a postura dovish (isto é, favorável a juros mais baixos) estão aumentando a pressão sobre o yuan, especialmente à medida que dados resilientes dos Estados Unidos e uma grande diferença nas taxas de juros levam os operadores a preferirem o dólar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou para o encontro dos países do G20, que ocorre entre os dias 9 e 10 de setembro na Índia. O presidente deve defender no encontro medidas de combate à fome, de defesa do clima e por uma nova governança global que inclua os países em desenvolvimento nas grandes discussões lideradas por EUA e União Europeia. O Brasil assumirá a presidência do G20 a partir de dezembro deste ano.
Confira a seguir cinco destaques desta sexta-feira (8):
1. O que esperar do G20
Líderes das nações do Grupo dos 20 (G20) planejam alertar que “crises em cascata” representam desafios para o crescimento econômico de longo prazo e pedir políticas macroeconômicas coordenadas, de acordo com uma pessoa familiarizada com um rascunho da comunicação final.
O grupo, que está se reunindo na Índia neste fim de semana, planeja afirmar que a incerteza em relação às perspectivas econômicas continua alta e o equilíbrio de riscos está inclinado para o lado negativo, segundo a fonte.
Eles veem o crescimento econômico global como desigual e abaixo da média de longo prazo, o que, segundo a fonte, aumenta a necessidade de políticas fiscais e monetárias bem coordenadas para apoiar o crescimento.
Os líderes também planejam dizer que os bancos centrais do G20 estão fortemente comprometidos com a estabilidade de preços e que os governos darão prioridade a medidas direcionadas para ajudar os mais pobres, ao mesmo tempo em que mantêm a sustentabilidade fiscal a médio prazo, segundo a fonte.
Eles alertarão ainda que a recente turbulência bancária mostra a necessidade de os formuladores de políticas permanecerem ágeis.
2. Juros altos podem prejudicar mercados
A crescente ameaça de que as taxas de juros permaneçam elevadas por um período prolongado provavelmente prejudicará as perspectivas de um pouso suave para a economia dos Estados Unidos e levará a uma venda de ações nos próximos dois meses, de acordo com estrategistas do Bank of America (BAC).
A probabilidade consensual de um “pouso duro” é “em torno de 20%”, mas o petróleo, o dólar e os rendimentos dos títulos permanecendo elevados, assim como condições financeiras mais restritas, “continuam sendo o risco de setembro a outubro”, afirmaram os estrategistas liderados por Michael Hartnett em uma nota de 7 de setembro.
3. Mercados
As ações enfrentaram uma pressão renovada, com o índice Stoxx 600 da Europa caindo pelo oitavo dia consecutivo, a sequência mais longa de perdas desde 2016. O dólar enfraqueceu após comentários cautelosos de autoridades do Federal Reserve.
Em Wall Street, os índices futuros recuavam nesta manhã por volta das 9h (horário de Brasília).
Os mercados de ações foram impactados nesta semana por dados que indicam uma recessão econômica cada vez mais profunda na Europa e na China, além de sinais de que o Federal Reserve pode não ser capaz de reduzir as taxas de juros no próximo ano, conforme previsto.
O sentimento é especialmente pessimista em relação aos mercados europeus, que registraram a 26ª semana consecutiva de saída de investimentos, de acordo com comunicado do Bank of America (BAC).
4. Manchetes dos principais jornais
Estadão: Generais veem ‘método Lava Jato’ para arrancar delação de Mauro Cid; Exército não se manifesta
Folha de S. Paulo: Lula enfrenta climão de aliados e ‘independência’ do centrão após reforma
O Globo: FGTS: nova regra para saque-aniversário deve liberar R$ 14 bi na economia
Valor Econômico: China chega à vice-liderança de carros importados no Brasil em 2023
5. Agenda
Hoje, nos Estados Unidos, a agenda começa às 14h, no horário de Brasília, com a contagem de sondas Baker Hughes. Às 17h30, são divulgadas as posições líquidas de especuladores no relatório da CFTC em relação ao petróleo, ouro, Nasdaq 100 e S&P 500.
No Brasil, no mesmo horário, são publicadas as posições líquidas de especuladores no relatório da CFTC em relação ao real. Na zona do euro, em relação ao euro.
Na China, às 22h30 são divulgados o IPC mensal, anual e o IPP anual.
-- Com informações da Bloomberg News.
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