Bloomberg — As ações dos EUA operam em alta nesta segunda-feira (30), à medida que temores de que a guerra no Oriente Médio desencadeie uma desaceleração econômica acentuada levam traders a reduzir apostas em juros mais altos.
O Brent atingiu US$ 115 por barril.
Os rendimentos dos EUA caíram ao longo de toda a curva depois que os mercados monetários reduziram a probabilidade de um aumento de juros pelo Federal Reserve em 2026 para cerca de 25%, ante aproximadamente 35% na sexta-feira. A taxa dos Treasuries de dois anos recuou três pontos-base, para 3,88%. Os futuros do S&P 500 subiram 0,5%, após o índice de referência cair para o menor nível desde agosto no fim da semana passada. O dólar ficou praticamente estável.
Os movimentos ocorreram após ataques com mísseis atingirem o Oriente Médio no fim de semana, quando o Irã e seus aliados lançaram ofensivas contra parceiros dos EUA.
A chegada de um grupo anfíbio de assalto americano e a entrada de forças houthis apoiadas pelo Irã elevaram os temores de escalada após um mês de combates.
Embora os traders tenham se concentrado até agora no choque inflacionário decorrente da alta do petróleo — levando o mercado de Treasuries à sua maior perda mensal desde outubro de 2024 — alguns dos maiores gestores de fundos de renda fixa de Wall Street afirmam que os rendimentos devem cair à medida que o impacto da guerra sobre o crescimento se torne mais evidente.
“Embora a inflação continue sendo uma preocupação, o potencial impacto negativo sobre o crescimento e a confiança deve começar a atuar como um contrapeso, limitando novas altas nos rendimentos”, disse Francisco Simón, chefe de estratégia para a Europa na Santander Asset Management.
“Junto com o petróleo, acreditamos que o mercado de renda fixa é atualmente uma das expressões mais claras de como os mercados estão precificando o impacto do conflito no cenário macroeconômico.”
Na Europa, o Stoxx 600 avançou 0,5%, acompanhando o fortalecimento dos mercados de títulos, embora a queda dos rendimentos tenha sido menos pronunciada do que nos EUA. Os mercados monetários agora veem a probabilidade de um aumento de juros pelo Banco Central Europeu no próximo mês em cerca de 60%. Há uma semana, isso estava totalmente precificado.
O iene subiu frente a todas as demais moedas do G10 após o chefe de câmbio do Japão, Atsushi Mimura, afirmar que o país pode adotar medidas mais contundentes no mercado cambial. O alumínio avançou 4% após os ataques do fim de semana do Irã a fundições no Oriente Médio. O ouro se estabilizou após registrar seu primeiro ganho semanal desde o início da guerra.
O petróleo pode atingir um recorde de US$ 200 por barril caso a guerra com o Irã se prolongue até junho, com o Estreito de Ormuz permanecendo fechado, alertou o Macquarie Group Ltd. Um conflito que se estenda pelo segundo trimestre resultaria em preços reais historicamente elevados, escreveram analistas, incluindo Vikas Dwivedi, em relatório, descrevendo um cenário com probabilidade de 40%.
Um cenário alternativo, com probabilidade de 60%, sugere que a guerra pode terminar no fim deste mês, disseram.
“O sentimento de mercado se deteriorou, já que os potenciais impactos negativos não podem mais ser ignorados”, disse Guillermo Hernandez Sampere, chefe de trading da gestora MPPM. “Um fim rápido do conflito não está à vista no momento; garantir cadeias de suprimento deve se basear em acordos sólidos.”

🔘 As bolsas na sexta-feira (27/03): Dow Jones Industrials (-1,73%), S&P 500 (-1,67%), Nasdaq Composite (-2,15%), Stoxx 600 (-0,95%), Ibovespa (-0,64%)
Veja a seguir outros destaques desta manhã de segunda-feira (30 de março):
- Ajuste de foco do mercado. A correção do S&P 500 pode estar próxima do fim, mesmo com a guerra no Oriente Médio em andamento, segundo relatório de analistas do Morgan Stanley. Apesar disso, estrategistas alertam que altas de juros do Fed ainda representam ameaça relevante para as ações no curto prazo.
- Alumínio sob pressão. Ataques do Irã a centros de fundições no Oriente Médio deram impulso aos preços do alumínio e ameaçam provocar um choque global de oferta. A região é responsável por cerca de 9% da produção mundial e já enfrenta restrições logísticas, agravadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
- Ouro retoma trajetória. O metal avançou e retomou ganhos semanais, enquanto investidores aproveitam os preços mais baixos, apesar da escalada no Oriente Médio e das incertezas sobre juros e inflação. Nesta manhã, o ouro subía 1,3%, sendo negociado acima de US$ 4.500 a onça.
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-- Com informações da Bloomberg News.
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