Venezuela busca sobreviventes de terremoto e prepara fundo de US$ 200 milhões

Número de mortos dos tremores havia subido para 235 enquanto pessoas por todo o país procuravam por parentes desaparecidos; países enviam ajuda

Venezuela
Por Andreina Itriago - Patricia Laya - Fabiola Zerpa

Bloomberg — O número de mortos pelos dois terremotos que abalaram a Venezuela subiu para ao menos 235, com milhares de feridos a mais, conforme equipes de resgate removiam desesperadamente os escombros para alcançar vítimas presas.

Os poderosos terremotos de 7,2 e 7,5 graus na escala Ritcher ocorrem em um intervalo de menos de um minuto um do outro na noite de quarta-feira (24), derrubando prédios e danificando gravemente o principal aeroporto internacional do país.

PUBLICIDADE

Pessoas por todo o país procuravam por parentes desaparecidos, com as redes sociais se enchendo de fotografias e apelos por informações.


Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


A oposição política da Venezuela criou um site para rastrear pessoas desaparecidas em paralelo aos esforços do governo, e ele mostra que há mais de 49 mil pessoas sem paradeiro conhecido. Isso supera de longe a contagem oficial do governo.

PUBLICIDADE

“Estamos realizando um esforço extraordinário por todo o país”, disse o ministro da Saúde Carlos Alvarado à televisão estatal. “Os hospitais na região de La Guaira, a região mais atingida, estão na capacidade máxima e começamos a montar hospitais de campanha.”

Ele disse que 4.300 pessoas ficaram feridas, além das 235 mortas.

Leia também: Lula e Sheinbaum estreitam laços em meio a avanço da direita na América Latina

PUBLICIDADE

A presidente interina Delcy Rodríguez havia declarado mais cedo La Guaira como “zona de desastre”, onde mais de 250 prédios foram danificados. A região costeira faz divisa com a capital Caracas e abriga o Aeroporto Internacional Simón Bolívar do país, que sofreu danos extensos. Ao menos cinco outros estados venezuelanos foram afetados.

Muitos lugares enfrentavam falta de energia elétrica, água e fornecimento de gás em meio a tremores secundários contínuos. As instalações de petróleo da Venezuela, porém, pareciam funcionar normalmente, embora um terminal de carregamento perto do epicentro tenha sido danificado.

Na tarde de quinta-feira, aviões com ajuda dos EUA, Espanha, México, Catar e da ONU já haviam partido em direção à Venezuela. Equipes de resgate também esperavam começar a chegar de países como Colômbia, Panamá, República Dominicana e El Salvador. Rodríguez disse que China, Brasil e países do Caribe também prometeram ajuda.

PUBLICIDADE

O general da Marinha dos EUA Kevin Jarrard chegou a Caracas nas primeiras horas da manhã de sexta-feira para ajudar a coordenar as equipes de busca e resgate e os esforços de avaliação de danos, segundo um comunicado do Comando Sul dos EUA.

O governo criará um fundo inicial de reconstrução de US$ 200 milhões usando recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para financiar reparos em infraestrutura, hospitais e moradias, disse Rodríguez na televisão estatal.

As autoridades também discutem um fundo adicional para apoiar as vítimas, enquanto bancos públicos e privados ativarão linhas de crédito especiais para pessoas que perderam negócios ou empregos.

Leia também: Direita vence na Colômbia e avança na América Latina; agora tem que entregar resultados

O fundo “vai nos permitir reconstruir infraestrutura, hospitais, e construir casas para aqueles que perderam as suas”, disse Rodríguez num pronunciamento na manhã de quinta-feira, acrescentando que o governo alugaria máquinas do setor privado para apoiar as operações de resgate.

Muitos moradores de Caracas permaneceram ao ar livre durante a noite em bairros como Los Palos Grandes e Altamira, conforme tremores secundários repetidos sacudiam a capital.

Outros ficaram dentro de seus apartamentos totalmente vestidos, com as portas abertas e malas prontas caso precisassem evacuar. Cidadãos relataram que conseguem novamente acessar o X depois que a plataforma de rede social foi bloqueada em 2024.

A prefeita Carmen Meléndez, falando na televisão estatal de San Bernardino, uma das áreas mais afetadas, disse que as autoridades trabalharam durante a noite após o desabamento de três prédios. Algumas pessoas foram resgatadas com vida, mas havia ao menos 25 mortos na capital, disse ela.

O desastre vai pressionar ainda mais a economia da Venezuela, baseada no petróleo, que já lida com uma das maiores taxas de inflação do mundo e apagões recorrentes.

Também representa um novo desafio para Rodríguez, que assumiu as rédeas de um governo profundamente impopular depois que os EUA capturaram Nicolás Maduro no início do ano.

O presidente Donald Trump disse que os EUA “estão prontos, dispostos e capazes” de ajudar. “Instruí todas as agências do nosso governo a se prepararem para agir rapidamente”, disse ele na noite de quarta-feira nas redes sociais.

O Departamento do Tesouro dos EUA emitiu na quinta-feira uma licença autorizando todas as transações relacionadas aos esforços de socorro ao terremoto na Venezuela que, de outra forma, seriam proibidas pelas sanções.

Os títulos emitidos pelo governo e pela estatal de petróleo PDVSA caíram ao longo da curva em meio a preocupações sobre a capacidade de resposta de emergência do país e o impacto econômico da tragédia.

Os papéis soberanos com vencimento em 2031 caíram 1,3 centavo no dólar nas negociações da tarde de quinta-feira, recuando para abaixo de 54 centavos, segundo dados de precificação indicativa compilados pela Bloomberg.

A Chevron, a principal produtora de petróleo do setor privado na Venezuela, disse que seu negócio permanece operacional e que todos os seus funcionários estão localizados.

A maioria dos portos continuou a operar, embora alguns carregamentos de petróleo tenham sido suspensos no terminal de El Palito, no estado de Carabobo, segundo relatórios de navegação vistos pela Bloomberg.

-- Com a colaboração de Nicolle Yapur, Matthew Bristow e Valentine Hilaire.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

Quem é Abelardo de la Espriella, novo presidente eleito da Colômbia

Êxodo de trabalhadores para o Brasil pressiona produtores de erva-mate da Argentina

Brasil e Argentina despontam como motores da produção de petróleo, segundo a OPEP