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Premiê da Espanha convoca eleições antecipadas após fracasso de plano habitacional

Rejeição de pacote proposto por Pedro Sánchez para conter aluguéis e despejos no país agravou a fragilidade do governo minoritário e pode levar ao poder uma coalizão de direita entre o Partido Popular e o Vox

Pedro Sánchez não conseguiu aprovar um único orçamento, enquanto os casos de corrupção envolvendo seu partido se multiplicaram (Foto: Divulgação)
Por Daniel Basteiro - Thomas Gualtieri
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Bloomberg — O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, convocou eleições antecipadas para 29 de novembro, depois que o parlamento rejeitou, na semana passada, um plano habitacional que seu governo esperava que acalmasse os crescentes protestos sociais.

“É hora de vocês, o povo espanhol, decidirem que futuro desejam para si mesmos e para o país”, afirmou Sánchez, de 54 anos, em um discurso na segunda-feira (5), em Madri. “Vocês devem decidir que papel desejam desempenhar nesta era e que papel querem que a Espanha desempenhe.”

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O governo minoritário de Sánchez, que já enfrentava dificuldades após uma série de contratempos — incluindo inundações fatais e uma crise migratória —, foi recentemente confrontado com protestos em todo o país contra os custos da moradia. A situação chegou ao auge depois que uma mulher de 87 anos com deficiência foi despejada de seu apartamento, o que impulsionou o movimento.


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O governo respondeu com um pacote de emergência de medidas habitacionais que, no fim das contas, não conseguiu angariar votos suficientes no parlamento.

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O Partido Popular (PP), de centro-direita, lidera as pesquisas recentes, obtendo 33,9% de apoio em uma pesquisa da SocioMétrica realizada entre 24 e 26 de setembro com 1.200 entrevistados. O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, indicou que seu partido poderia governar com o partido de extrema direita Vox, que obteve 18% na pesquisa. Os socialistas de Sánchez obtiveram 25,7%.

“Estamos prontos”, afirmou Feijóo na sexta-feira (2), após a rejeição do plano habitacional. “Não podemos continuar no caminho em que estamos.”

O rendimento dos títulos públicos espanhóis de referência de 10 anos permaneceu praticamente inalterado em 4,08%, enquanto seu spread em relação à dívida alemã, considerada mais segura, ampliou-se em três pontos-base, para 65 pontos-base, à medida que alguns investidores buscavam os títulos alemães como uma alternativa mais segura. O euro caiu 0,5%, para 1,1197. Preocupações gerais com riscos fiscais e políticos na zona do euro têm pressionado a moeda e os títulos da região, e o último anúncio de Madri reforçou essas preocupações.

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Sánchez assumiu o poder em 2018 e, sem uma maioria parlamentar estável, passou grande parte de seu mandato lidando com uma sucessão de crises. Entre elas, destacam-se a pandemia da Covid-19, as consequências da invasão russa à Ucrânia, as enchentes mortais na região de Valência e um apagão sem precedentes na Europa no ano passado.

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Seu último mandato, que teve início em 2023 e deveria se estender até julho de 2027, tem sido particularmente difícil.

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Sánchez não conseguiu aprovar um único orçamento, enquanto os casos de corrupção envolvendo seu partido, bem como sua família, se multiplicaram. A chegada de cerca de 80 mil migrantes sem documentos neste verão a Ceuta, um enclave espanhol no Norte da África, alimentou uma nova onda de descontentamento social.

A proposta habitacional de Sánchez visava congelar os aluguéis, tornar os contratos de locação por tempo indeterminado, proibir o despejo de pessoas vulneráveis e regulamentar os apartamentos turísticos de curta duração. Os partidos da oposição, incluindo o grupo catalão Junts, que apoiou o retorno de Sánchez ao cargo em 2023, argumentaram que uma maior intervenção no mercado imobiliário apenas agravaria o problema.

O Partido Popular já governa a maioria das maiores cidades e regiões da Espanha, muitas vezes contando com o apoio do Vox. Os dois partidos governam em conjunto em quatro regiões, incluindo a Andaluzia, a mais populosa do país.

Ambos fizeram da destituição de Sánchez do cargo uma prioridade central. Embora discordem em relação à migração, ao modelo territorial da Espanha e à Europa, sinalizaram disposição para trabalhar em conjunto caso consigam assentos suficientes para substituir o último governo social-democrata em um importante país da União Europeia.

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A falta de apoio parlamentar a Sánchez contrasta com o sólido desempenho econômico da Espanha. O país registrou o crescimento mais rápido entre as principais economias da Europa, o desemprego está em seu nível mais baixo desde a crise financeira e o turismo está em franca expansão.

Ainda assim, a crise imobiliária, a frágil posição parlamentar do governo e os escândalos de corrupção levaram Sánchez ao limite. Agora, os eleitores decidirão o que acontecerá a seguir.

Durante seu discurso, Sánchez criticou a extrema-direita, alertando contra a possibilidade de “entregar as rédeas do país a uma coalizão de extrema-direita que não propôs nada — cujo único objetivo é revogar e restringir os direitos e liberdades que construímos nos últimos oito anos”.

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