Artemis II inicia retorno à Terra após atingir ponto mais próximo da Lua em 50 anos

Tripulação chegou a cerca de 4 mil milhas da Lua e observou e fotografou o lado oculto para estudos sobre a evolução da superfície; 'Há cerca de 60% do lado oposto que nunca foi visto por olhos humanos devido às condições de iluminação’, disse Wiseman, o comandante da missão Artemis II, antes do lançamento

Astronautas registraram o lado oculto da Lua para pesquisas sobre a superfície lunar(Foto: NASA via Getty Images)
Por Loren Grush - Sana Pashankar

Bloomberg — Os quatro astronautas da Artemis da NASA passaram por trás da Lua e estão voltando para a Terra, em uma jornada que quebrou recordes de distância em voos espaciais e levou humanos ao ponto mais próximo da superfície lunar em mais de 50 anos.

“Todos os seus controladores de voo e o diretor de voo inverteram seus emblemas da Artemis II. Estamos a caminho da Terra e prontos para trazê-los de volta”, disse Jenni Gibbons, astronauta da Agência Espacial Canadense e membro da equipe reserva da Artemis II, ao contato com a tripulação após um apagão de comunicações esperado ao redor da Lua.

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Na menor distância em relação à Lua, a cápsula Orion da Artemis II, construída pela Lockheed Martin, chegou a cerca de 4.067 milhas da superfície lunar, segundo cálculos da NASA. Do ponto de vista da tripulação, a Lua pareceria aproximadamente do tamanho de uma bola de basquete na mão estendida.

Minutos depois, a espaçonave atingiu sua distância máxima da Terra, chegando a 252.756 milhas, segundo o administrador da NASA, Jared Isaacman, em publicação no X.

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Os astronautas já haviam batido o recorde de distância em voos espaciais, superando a marca da missão Apollo 13, de 1970, que chegou a 248.655 milhas da Terra.

“Continuaremos nossa jornada ainda mais longe no espaço antes que a Terra nos traga de volta”, disse o astronauta canadense Jeremy Hansen. “Mas queremos aproveitar este momento para desafiar esta geração e a próxima a garantir que esse recorde não dure muito.”

Hansen sugeriu nomear duas crateras lunares: “Integrity”, em referência ao apelido da cápsula, e “Carroll”, em homenagem à falecida esposa do comandante Reid Wiseman, levando a tripulação às lágrimas.

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A aproximação marcou o ponto alto da missão Artemis II, lançada em 1º de abril com os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Hansen rumo à Lua.

Durante o sobrevoo, a tripulação entrou em um apagão de comunicações ao passar pelo lado oculto da Lua — a primeira vez em mais de 50 anos que humanos ficaram completamente incomunicáveis com a Terra.

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Após o sobrevoo, os astronautas falaram com o presidente Donald Trump, que os convidou para visitar a Casa Branca. “Hoje vocês fizeram história e deixaram toda a América muito orgulhosa”, disse ele.

A tripulação também observou um eclipse solar a partir da cápsula Orion, além de registrar imagens de planetas como Vênus, Marte e Saturno. “É absolutamente espetacular e surreal”, disse Wiseman.

A missão funciona como um ensaio geral para futuras operações que devem levar humanos à superfície lunar nos próximos anos.

Durante a viagem, os astronautas coletaram imagens e dados para ajudar cientistas a entender melhor a evolução da superfície lunar, especialmente áreas do lado oculto nunca vistas diretamente por humanos.

A missão também marcou avanços históricos: Victor Glover tornou-se o primeiro astronauta negro a viajar até a Lua, Christina Koch a primeira mulher, e Jeremy Hansen o primeiro canadense.

“A todos na Terra, nós amamos vocês desde a Lua”, disse Glover antes da perda de comunicação.

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