Bloomberg — O Irã sinalizou o fim de suas atuais operações militares contra Israel logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que os dois lados buscavam chegar a um cessar-fogo imediato, depois de uma série de ataques e contra-ataques que ameaçaram comprometer as negociações destinadas a encerrar a guerra no Oriente Médio.
O comando militar central do Irã afirmou que, caso Israel continue atacando, inclusive no sul do Líbano, “ações muito mais duras e devastadoras do que as anteriores estarão a caminho”, informou a agência semioficial Fars, citando um comunicado.
A decisão, que indica o quanto o conflito no Líbano se tornou um ponto de atrito nas negociações, veio logo após Trump dizer, em uma publicação na Truth Social, que as conversas finais sobre uma trégua “estavam avançando, desde que não fossem atrapalhadas por ignorância ou estupidez”.
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Trump já havia exigido o fim dos combates depois que a República Islâmica lançou salvas de mísseis balísticos contra Israel no domingo e na segunda-feira, e Israel respondeu com ataques a alvos militares no oeste e no centro do Irã.
Israel também atingiu, na segunda-feira, a empresa petroquímica Karun, em Mahshahr, no Irã. Teerã advertiu que atacará todas as instalações de petróleo e gás ligadas a Israel, aos Estados Unidos e a seus aliados na região caso os ataques contra sua própria infraestrutura energética continuem, segundo a Fars.
O Irã iniciou sua ofensiva após ataques israelenses à capital do Líbano, Beirute, em um raro exemplo de Teerã saindo em defesa do grupo militante aliado Hezbollah.
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Os confrontos representam o desafio mais sério até agora ao cessar-fogo que entrou em vigor em 8 de abril, interrompendo uma guerra iniciada em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel começaram a bombardear o Irã. O conflito deixou milhares de mortos em todo o Oriente Médio, interrompeu fluxos globais de energia e provocou uma disparada nos preços do petróleo, alimentando temores de um aumento da inflação global.
A mais recente onda de violência ocorreu apesar do alerta feito por Trump no domingo de que uma nova escalada poderia comprometer os esforços para garantir uma nova trégua de 60 dias entre Washington e Teerã. Isso abriria caminho para negociações sobre um acordo mais amplo com o objetivo de encerrar o conflito de forma permanente.
As Forças de Defesa de Israel avaliam que a campanha contra o Irã deve durar vários dias e estão se preparando para uma mobilização em larga escala de soldados da reserva, informou a Army Radio mais cedo na segunda-feira.
O Irã também afirmou estar preparado para uma guerra prolongada contra Israel e para ataques a interesses americanos, informou a agência semioficial Tasnim, citando uma fonte não identificada.
Os houthis apoiados pelo Irã disseram ter lançado uma barragem de mísseis contra Israel a partir do Iêmen e que imporão uma “proibição completa e total da navegação marítima do inimigo israelense no Mar Vermelho”, segundo comunicado publicado em seu canal no Telegram.
Os houthis também prometeram intensificar os ataques, dependendo da evolução do conflito, citando a escalada da pressão exercida por Estados Unidos e Israel sobre o Irã e o Líbano.
A Arábia Saudita emitiu, na segunda-feira, um alerta de mísseis em uma área que abriga a Base Aérea Príncipe Sultan, onde estão estacionadas forças americanas, informou a Associated Press.
Tel Aviv
A Defesa Civil saudita afirmou que “o perigo passou” na província de Al-Kharj após um alerta público emitido anteriormente. O Irã negou ter atacado a base.
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O petróleo, que havia subido mais cedo em razão da escalada do conflito, reduziu os ganhos após a notícia de que o Irã estava encerrando seus ataques contra Israel.
O Brent era negociado em alta de 1,7%, a US$ 94,74 por barril, às 12h26 em Londres. As bolsas da Ásia caíram à medida que investidores lidavam com diversos fatores adversos, incluindo a escalada do conflito no Oriente Médio. Os futuros das ações americanas registraram recuperação modesta apesar das tensões na região.
O shekel israelense apagou as perdas e passou a subir 0,9%, cotado a 2,932 por dólar às 14h14 em Tel Aviv.
Em uma ligação com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no domingo, Trump pediu que ele não retaliasse os ataques com mísseis do Irã e permitisse mais tempo para a diplomacia, informou o Axios, citando um alto funcionário americano e uma fonte israelense familiarizada com os detalhes da conversa.
Desde que Estados Unidos e Irã iniciaram negociações para encerrar a guerra entre os dois países, Israel tem insistido que qualquer acordo não inclua seu conflito com o Hezbollah. O Irã tem buscado manter o Hezbollah sob seu guarda-chuva de segurança, enquanto Trump priorizou a obtenção de um acordo.
Separadamente, o presidente americano disse ao Financial Times que seu homólogo israelense terá de aceitar qualquer acordo que os Estados Unidos firmarem com o Irã.
“Quem decide sou eu. Eu tomo todas as decisões”, disse Trump. Netanyahu “não toma as decisões”.
Os principais entraves
Os ataques mais recentes ocorrem após uma escalada entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã. No início do domingo, a milícia baseada no Líbano atacou alvos no norte de Israel, provocando um ataque das forças israelenses nos subúrbios ao sul de Beirute que matou duas pessoas e feriu 11.
Na semana passada, Hezbollah e Israel concordaram com um cessar-fogo parcial que previa a suspensão de ataques a Beirute em troca da interrupção de ataques ao norte de Israel. Alguns dias depois, Líbano e Israel chegaram a uma trégua condicional mais abrangente, condicionada à retirada do Hezbollah de uma área próxima a Israel. O grupo militante rejeitou essa trégua.
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