Filipinas têm maior risco de desastres naturais no mundo; Colômbia lidera em LatAm

Índice avalia 193 países a partir da exposição a eventos extremos e de fatores como suscetibilidade, capacidade de resposta e adaptação; Colômbia ocupa o 4º lugar e México, o 5º

Terremoto Colombia.

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Bloomberg Línea — A América Latina figura, juntamente com a Ásia, entre as regiões do mundo mais expostas a desastres naturais, devido às suas fragilidades sociais e econômicas, em um cenário marcado por uma alta vulnerabilidade diante desses eventos.

No entanto, a África continua apresentando os maiores níveis de vulnerabilidade do mundo, já que quase 80% do continente é classificado como zona de risco alto ou muito alto.

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“Os fenômenos naturais extremos, como inundações, tempestades, secas e terremotos, afetam o cotidiano de grande parte da população mundial”, segundo o relatório World Risk Report 2025, elaborado pela Bündnis Entwicklung Hilft e pelo Instituto de Direito Internacional da Paz e dos Conflitos Armados (IFHV) da Universidade Ruhr de Bochum (Alemanha).

As enchentes estão entre os fenômenos naturais extremos mais frequentes e devastadores do mundo.

De acordo com o relatório, as enchentes representam um risco especialmente elevado na Ásia, na África e na América Latina.

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Em 2025, segundo um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), as chuvas extremas e as enchentes “causaram graves consequências humanitárias”.

A OMM relata que mais de 110 mil pessoas foram afetadas no Peru e no Equador devido às chuvas persistentes de março do ano passado, 83 mortes no México causadas pelas enchentes de outubro, deslizamentos de terra generalizados e danos extensos às infraestruturas.

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A alta densidade populacional, os grandes rios e as condições socioeconômicas podem aumentar a vulnerabilidade; por isso, são necessários sistemas de alerta precoce e estratégias de adaptação.

Conforme explicam os autores do documento “World Risk Report 2025”, entre os fatores que impulsionam o risco em nível mundial estão a desigualdade social, a vulnerabilidade estrutural e a fragilidade dos sistemas de saúde.

De modo geral, “esses fatores reduzem a capacidade de adaptação e a resiliência, mesmo em países ricos, por exemplo, por meio de medidas de austeridade em setores-chave da sociedade”, afirma o relatório.

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CargoPaísÍndice de Risco Global 2025
1Filipinas46,56
2Índia40,73
3Indonésia39,80
4Colômbia39,26
5México38,96
6Mianmar36,91
7Moçambique34,39
8Rússia31,22
9China30,62
10Paquistão26,82
11Bangladesh26,71
12Papua-Nova Guiné26,51
13Vietnã25,92
14Peru25,81
15Somália24,89
16Iêmen24,83
17Japão24,81
18Equador24,14
19Madagascar23,68
20Nicarágua23,60
21Estados Unidos23,09
22Venezuela22,12

O Relatório Mundial de Risco do apresenta os riscos de desastres em 193 países de todo o mundo.

O risco de desastres surge quando uma população vulnerável está exposta a fenômenos naturais extremos ou às mudanças climáticas.

O índice combina a exposição a essas ameaças com fatores de vulnerabilidade, como a suscetibilidade, a capacidade de resposta e a adaptação.

De acordo com o relatório, as Filipinas voltaram a liderar, neste ano, o Índice Mundial de Risco.

As Filipinas se caracterizam por uma grande fragmentação geográfica e uma elevada exposição a fenômenos climáticos extremos, explicam.

A Índia ultrapassou a Indonésia e agora ocupa o segundo lugar no ranking mundial.

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Depois da Indonésia, que ocupa o terceiro lugar, vêm dois países latino-americanos: Colômbia e México.

Já na 14ª posição no ranking mundial, o Peru aparece como outro dos destinos mais vulneráveis a desastres naturais.

Também figuram no ranking o Equador, na 18ª posição, e a Venezuela, na 22ª.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 2025, a América Latina e o Caribe enfrentaram ondas de calor sem precedentes, secas, chuvas extremas e ciclones tropicais devastadores.

Ao mesmo tempo, “o derretimento das geleiras provocou um recrudescimento dos perigos de curto prazo, como as cheias, e agravou os riscos de longo prazo para a segurança hídrica”, conforme indicou a organização em um comunicado.

De modo geral, alerta a OMM, os fenômenos meteorológicos e climáticos extremos comprometem os sistemas agroalimentares.

“Os sinais de uma mudança climática são inequívocos em toda a América Latina e no Caribe, desde o derretimento acelerado das geleiras e o aumento do nível do mar até a rápida intensificação dos ciclones tropicais, o calor extremo, as enchentes e as secas”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

Desastres naturais

Un edificio derrumbado en el barrio de Los Palos Grandes tras un terremoto en Caracas, Venezuela, el miércoles 24 de junio de 2026.

Estima-se que os prejuízos segurados em nível mundial decorrentes de catástrofes naturais tenham atingido US$ 42 bilhões no primeiro semestre de 2026, “muito abaixo da tendência de longo prazo”, de acordo com dados divulgados pelo Swiss Re Institute.

Nesse período, as tempestades convectivas severas — que incluem tempestades elétricas, granizo, surtos de tornados e ventos fortes — representaram o principal risco de perdas seguradas no primeiro semestre de 2026.

Leia também: Brasil lidera perdas com desastres naturais na América Latina, que passam de US$ 6 bi

E “embora o fortalecimento do El Niño possa atenuar a atividade de furacões no Atlântico Norte durante o segundo semestre do ano, persiste o risco de um evento significativo e oneroso”, explicaram em um comunicado Lucia Bevere e Shivangi Singh, analistas do Swiss Re Institute. “A tendência de alta de longo prazo nas perdas seguradas permanece intacta, impulsionada por uma maior exposição, pelo aumento do valor dos ativos e pela evolução dos padrões de risco”.

O Swiss Re Institute destacou que a catástrofe natural mais destrutiva do primeiro semestre de 2026 foi a sequência sísmica ocorrida em 24 de junho na Venezuela.

De acordo com esse relatório, a baixa penetração dos seguros na Venezuela leva a crer que apenas uma pequena parte dessas perdas esteja coberta por apólices.

No último dia 24 de junho, um duplo terremoto, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiu a Venezuela, com um balanço, até o momento, de 6.438 mortos, de acordo com dados oficiais.

De acordo com o relatório, os danos a edifícios e infraestrutura são estimados em cerca de US$ 20 bilhões.

Com esses números, a catástrofe na Venezuela é considerada a mais cara da América Latina desde o terremoto no Chile de 2010, cujo impacto é estimado em cerca de US$ 46 bilhões, ajustado pela inflação.

Desastres naturales en Colombia.

O relatório do Swiss Re Institute não inclui os impactos do devastador terremoto de 10 de agosto de 2026 na Colômbia, que até o momento deixou 294 mortos, segundo um boletim da Unidade Nacional para a Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD) divulgado neste sábado.

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Devido ao terremoto na Colômbia, a Oxford Economics prevê um resultado mais fraco do Indicador de Acompanhamento da Economia (ISE) em agosto e uma desaceleração do crescimento durante o terceiro trimestre, antes de uma recuperação nos meses seguintes.

“Ainda não se sabe a magnitude da destruição causada pelo terremoto, mas as primeiras estimativas apontam para um impacto macroeconômico menor”, disse Tim Hunter, economista sênior para a América Latina da Oxford Economics. “Os gastos públicos com resgate e reconstrução compensarão uma ligeira queda na demanda privada.”

A empresa manteve, assim, sua previsão de crescimento para a Colômbia em 3% para 2026 e 2,5% para 2027.

Embora as primeiras estimativas apontem para um impacto direto equivalente a entre 0,2% e 0,4% do PIB, ou seja, cerca de US$ 990 milhões a US$ 1.980 milhões, a reconstrução permitirá compensar parte dessa perda.

O BTG Pactual estimou um gasto inicial de 1% do PIB.

A Oxford Economics elaborou sua estimativa com base nos primeiros cálculos de danos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) e em sua análise sobre o comportamento de diversas economias após terremotos ocorridos nas últimas décadas.

A estimativa do USGS aponta que os danos estão em uma faixa entre 0% e 7% do PIB colombiano, com um cenário máximo próximo a US$ 40 bilhões.

A Oxford Economics comparou esses números com as revisões realizadas pelo Fundo Monetário Internacional após outros terremotos.